Acabou 2013, começa 2014. Você está prestando atenção?

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E lá se vai o ano em que diversos capítulos da minha vida acabaram.

Diversos capítulos.

Eu não posso olhar 2014 de outra forma que não seja um ano de recomeços e reinvenções.

E eu me lembro bem de um ano atrás, nessa mesma época, quando eu olhava para 2013 com esperança de que fosse um ano bom, porque 2012 já tinha sido… Estranho. De que as coisas dessem certo e de que eu conseguisse reverter as previsões de tempo ruim na minha vida.

De certa forma, foi o que aconteceu, mas não do jeito que eu esperava.

Porque não posso dizer que os problemas não chegaram a um termo. Resoluções foram tomadas. Eu agi. Minha vida começou a mudar de uma forma intensa. Mas foi só o início da transformação.

Em 2014, é preciso continuar. É preciso seguir e resolver. E não é fácil.

Nos últimos dias, de volta ao lugar onde eu cresci. Despido dos símbolos e suportes que me protegeram no passado, tive algumas experiências curiosas.

Minha mãe finalmente vendeu o apartamento onde viveu por 36 anos. Quando entrou lá, era casada, mãe de dois filhos. Teve uma menina, enviuvou, perdeu o filho mais velho, viu os filhos crescerem, casarem e irem morar por aí, teve duas netas, achou um companheiro e agora fechou ciclo. Se muda em breve. Esse foi o último Natal e, amanhã, será o último réveillon na Ilha do Governador. E se ela não está aqui, significa que eu provavelmente nunca mais vou botar os pés no lugar.

Como esse é meu último período mais extenso no bairro, fiz algo que não fazia havia anos. Fui andar por aí, sem rumo, pra rever alguns lugares marcantes da minha infância e adolescência. Por onde eu caminhava, onde eu namorei, para onde eu ia de bicicleta com os amigos.

De algumas memórias eu sou a única testemunha que sobrou. Meu irmão e um amigo querido de infância estavam nelas e os dois morreram muito tempo atrás.

Em outros casos, você passa em frente a prédios que são carcaças de lembranças. Todas as pessoas envolvidas estão vivas, ainda bem, mas muito longe dali. As memórias estão esfumaçadas. Faltam pedaços das histórias. Sobram fragmentos em alguns casos desconexos.

Sou eu que vivo assim ou todo mundo tem esse sentimento de que a vida foi rápida demais e que você parecia não estar prestando atenção direito? Porque eu juro: não foi a intenção. Eu não queria esquecer as coisas que eu esqueci. Mas quando fui ver, as memórias não estavam mais lá. E sobrou essa sensação ruim de que eu não cuidei delas com carinho.

Nos últimos meses, mas mais ativamente nas últimas semanas, caiu a ficha de quanta coisa eu perdi na vida da minha família. De repente, eu me toquei que já se vão 15 anos da minha saída pra morar em outra cidade. Há pedaços enormes das vidas de pessoas importantes pra mim que eu perdi completamente. E, de novo, eu não estava prestando atenção.

Não é que eu não vivi. Minha vida não foi ruim e não é isso que eu estou dizendo. Não posso reclamar de uma vida cheia de momentos bacanas, de gente incrível, de viagens, do casamento e dos projetos dos quais me orgulho. É outra coisa. É uma sensação bizarra de que as coisas intensas, incríveis, inesquecíveis, não foram guardadas direito.

Então… Se eu esqueci de grande parte da minha vida e não estava prestando atenção na dos outros, qual foi a vida que eu vivi mesmo?

Tudo que eu posso fazer agora é respirar fundo e prestar atenção. Na vida. Nas pessoas. Cuidar com carinho para estar mais atento ao que vem, ao futuro. Porque eu quero lembrar. Quero muito.

Para 2014 e além. E você? Está prestando atenção?

Conte para os amigos!