Elysium desaba num proselitismo doentio

Semana passada, tive uns engulhos quando descobri que um grupo religioso resolveu criar um vídeo chamado Porta da Frente em uma espécie de combate ao Porta dos Fundos. Naturalmente, foi patético.

Meses antes, eu fiz piada com esse vídeo.

Feito para “combater” esse outro, que fazia piada com os defeitos do Rio de Janeiro.

Fiz piada, de novo, porque o vídeo de contra-ataque é invariavelmente menos inspirado do que o original (que nesse caso era uma paródia de outro vídeo, mas por ter derivado na direção certa, manteve a graça).

Estou fazendo essa introdução torta para explicar porque fiquei tão irritado com um filme que eu queria tanto gostar: Elysium.

Um diretor talentosíssimo (District 9 é brilhante for so many reasons) que tem uma linguagem visual fantástica e que se perde ao esquecer o roteiro para fazer sua pregação. E entenda. Não interessa que eu concorde completamente com o conceito de saúde universal. Não importa a ideologia do momento. O que importa num filme como esse é a boa história que é deixada de lado para a pregação apaixonada de uma idéia. E o resultado? Minha cara de surpresa com a lógica desabando.

Então, a sensação é de que, no terceiro ato, Blomkamp não se preocupou com contar uma boa história. Azar o nosso, que estávamos investidos nos personagens. O filme passa a se resolver com acasos preguiçosos irritantes. Degringola feio. O filme se divide, então, em duas partes  que não se conversam. Não consigo entender de onde saiu aquilo. Não consigo engolir o completo abandono da lógica e de qualquer tentativa de nos entregar uma trama que faça sentido.

Então, gastei essas linhas para dizer somente que Elysium desabou pra mim porque virou Porta da Frente. Só faltou Matt Damon terminar o filme cantarolando “Rio lindo de vive-er, sou louco de amor por você-ê…”.

Conte para os amigos!