Jornalismo: os inimigos, as ferramentas e a catedral

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O segundo maior inimigo do jornalismo é o mau jornalismo. Ele corrói a imagem da profissão e é usado… pelo maior inimigo. O mau jornalismo não afeta essas figuras nefastas, porque não se preocupa com elas. Se importa com o que não importa.

Divididos seremos conquistados. Os governos autoritários, os criminosos ou, simplesmente, os egoístas que lutam contra o bem comum são sempre os maiores inimigos do jornalismo. E precisam dele fraco.

O jornalismo não enfraquece só quando as empresas ficam vulneráveis economicamente, porque o jornalismo não é empresa. Ele enfraquece quando as pessoas não conseguem entender seu valor, perdem de vista para que ele serve e não entendem que ele as serve. E em algumas situações, a culpa é justamente dos jornalistas e das instituições que se deixaram levar pelas tentações do segundo maior inimigo ou se dobraram aos interesses do primeiro. Ou os dois.

O jornalismo é algo acima das instituições, é uma forma de ver o mundo, de questioná-lo e de buscar a história. É um filho direto do iluminismo, do pensamento científico. E, como tal, pode ser praticado por quem quer a verdade, a igualdade e o bem comum. As três coisas. Nunca menos. Menos é o terreno do mau jornalismo.

As pessoas costumam confundir o jornalismo com suas ferramentas. Assim como um lápis não faz um escritor, um bisturi não faz um cirurgião e uma guitarra não faz um músico, o jornalismo é construído na prática e no uso das ferramentas dentro de um arcabouço ideológico específico: verdade, igualdade, bem comum. O que se produz e para quem é produzido faz toda a diferença. Porque o jornalismo só existe de verdade quando expõe, revela e ilumina.

Não existe jornalismo de uma noite. Ele é uma catedral construída com sangue, suor e credibilidade. E essa credibilidade só é construída a partir das engrenagens sociais. O jornalismo não pode ser uma ilha. Isolado fica fraco. E fraco, é presa do maior inimigo, que está sempre à espreita.

O jornalismo tem um compromisso com sua missão e com sua existência. É missão do jornalismo continuar existindo, porque ele precisa saber sua missão e querer preservá-la. Se não souber e se não lutar é meio jornalismo. E meio jornalismo é mau jornalismo.

Isso, claro, é a MINHA opinião. Ainda bem que o jornalismo não precisa de mim para defini-lo.

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