Jobs (1955-2011) não era “só” um empresário

Desculpem meus muitos amigos que disseram isso hoje, mas afirmar que Steve Jobs foi “só” um empresário é de uma miopia sem par. A reação das pessoas ontem, espontânea, é só um sinal do impacto do que ele fez.

Ele não era meu amigo, nem meu irmão mais velho. Esses espaços estão felizmente bem ocupados por gente de verdade. Não raciocino em cima dessas bobagens.

Desde moleque eu só pude ler ou ver filmes e documentários sobre caras como Howard Hughes. Mas eu sou, fui, contemporâneo de Steve Jobs. E de gente fora de série como Bill Gates, Jeff Bezos, Larry Page, Serge Brin, Mark Zuckerberg, Evan Williams. Mas Jobs, até aqui, foi o maior realizador entre todos eles. Foi o cara que fundou e dirigiu a empresa que efetivamente revolucionou o meu mundo, a indústria da mídia de forma geral, por dentro e por fora. Reinventou indústrias, aparelhos, segmentos. O cara que fez Jack Welch, o homem que foi tido como o grande gestor do século 20, declarar sua admiração.

Jobs nunca se conformou com o que estava ali, ao seu alcance, e quis mais. E mais. Mais, mais, mais. Pro melhor e pro pior. Até mesmo na sobrevida de seu câncer, extrapolou todas as expectativas. Tinha todo o dinheiro do mundo a seu dispor. Vontade, determinação e recursos. Se alguém podia, de alguma forma, escapar. Se isso fosse possível. Jobs seria essa pessoa. Ao sucumbir à doença, ainda me ensinou uma lição extra sobre a finitude. Quando eu era menino, achava firmemente que um dia íamos vencer a morte. Ainda está longe e momento.

Eu não vou recitar, de novo, o discurso de Stanford. Nem repetir suas frases. Muito menos listar seus feitos um por um. Ou fracassos. Isso você encontra em outros lugares. Steve Jobs foi o cara que transformou meus anseios básicos da adolescência de ficção científica em realidade palpável.

Talvez seja dele a culpa da crise de identidade que eu vivo hoje (mais conhecida como… crise dos 40?). É um momento em que várias das grandes questões e idéias malucas e que pareciam irrealizáveis estão quicando e sendo resolvidas. E mais rapidamente do que eu esperava.

Então aí está. Será que Steve ajudou a me tornar obsoleto?

Enfim, tchau, Steve.

Conte para os amigos!

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