Editions da Aol, uma boa idéia atacada pelos bugs malditos

A era das revistas sociais começou no ano passado com o Flipboard no iPad. Funciona assim: você cadastra sua conta do Twitter e/ou do Facebook, o programa lê os twits e as atualizações de amigos na sua timeline do Facebook e vai além: fareja o que está atrás dos links trocados pelas pessoas e dá um preview. Isso tudo é organizado em “páginas” que podem ser viradas como se formassem uma revista, ou melhor, um almanaque dinâmico, dada a diversidade de assuntos. O que foi muito inteligente da parte do pessoal do Flipboard foi terem preserevado quem cria o conteúdo. Em geral, você lê um preview e, se quiser ler mais, clica e cai num browser que exibe a página original com, inclusive, a publicidade que paga as contas.

Desde então, surgiram muitos e muitos leitores de RSS, Twitter etc, propondo múltiplas formas de reorganizar o catatau de conteúdos que circulam pela internet tanto em feeds de marcas importantes de empresas de comunicação como Time inc., Conde Nast, Hearst, no mundo, e Editora Globo e Abril, falando do nosso quintal.

O outro grande salto foi dado pelo Zite. Em vez de simplesmente pedir que você aponte todos os feeds, eles é uma espécie de Pandora das notícias, porque passa a sugerir conteúdos em cima do que você anda lendo. Ele usa todo o contexto de sua timeline do Twitter, do Facebook e do Google Reader para construir um conhecimento das suas preferências. O resultado é, pra mim, superior ao que o Flipboard entrega. O Zite incomodou muito, recebeu cartas com ameaças jurídicas e teve que mexer nos formatos de visualização para continuar operando.

Não foi a primeira rusga entre uma empresa criadora de readers agregadores. Ano passado, o pessoal d Pulse teve sérios problemas com o New York Times irritado por ver seu feed oferecido abertamente no leitor. “Tira já”, eles ordenaram. Quer saber? Pior pra eles.

A última novidade é o Editions, da Aol. A proposta aqui é fazer uma espécie de Flipboard ou Zite com as fontes de conteúdo da Aol. Simples assim. Você só diz o que gosta de ler e a app monta uma revista com a oferta de conteúdo de todos os sites do portal. Por um lado, é o melhor dos mundos. Você não precisa pensar demais. O app faz isso por você e te entrega os conteúdos imediatamente.

Mas se você quiser ir além. Detalhar mais. Está com azar. Não pode. Se você quiser adicionar suas fontes. Não pode, porque o mundo está fechado na Aol. Se você quiser… Bem, se você quiser ler… Não pode. Porque vai cair. Tenha em mente que eu não sou o usuário médio. Eu sei os tipos de crashes que podem acontecer e tenho mais paciência do que a maioria das pessoas.

Quando uma app, qualquer app, dá crash (e elas vão dar. Todas, de todos os lados. Inclusive das da Apple) você deve sair e limpar ela da memória para zerar. Para isso, tem que tocar duas vezes no botão home (o pretinho com a bolinha branca), surgirão as apps “abertas” na memória no rodapé. Você vai tocar o ícone por alguns segundos, eles vão começar a tremer com uma bolinha vermelha no canto superior direito de cada um. Basta tocar ali para a app se desligar de verdade e zerar. Isso resolve 90% dos problemas com as apps. Se você aproveitar essa operação e além da app com defeito fechar todas as outras, vai evitar conflitos (raros) de memória e cobrir 94% dos problemas. Se você apagar e reinstalar, vai cobrir a possibilidade de algum arquivo corrompido na hora do download ou na primeira execução da app. O resto é bug grave que só pode ser resolvido com um update desesperado da app.

Se depois de tudo isso, a app ainda cai. Aí, amigo, você tem a Editions, da Aol. Uma boa idéia executada com pressa e quase arruinada pelos bugs. A app é linda, a montagem da revista diante dos seus olhos é genial. Mas os bugs arruinam tudo. As pessoas vão lá, testam, tentam e quando vêem que não funciona, voltam pro Zite, pro Flipboard, pro Pulse…

Conte para os amigos!