Astro dorme tranquilo aqui do lado

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Astro dormindo o sono dos justos e puros

Eu perdi meu labrador pouco mais de dois meses atrás. Não vou fingir que foi fácil. Foi duro de um jeito que eu nunca imaginei que seria. Tenho flashbacks dele até agora.

Foi bizarro. Um dia, ele mancou levemente e eu o levei imediatamente ao veterinário. Não era nada demais e continuou assim numa sequência de visitas a outros veterinários até que alguém levantou a possibilidade de ser um tumor. Era. Em menos de quatro meses morreu o cachorro com quem eu planejava passar mais uns bons 9, 10 anos.

Eu me recolhi. Fiz luto mesmo. A idéia de colocar outro cachorro dentro de casa me assustava. Era como se eu desrespeitasse e diminuísse a importância que o Darwin teve na minha vida.

Até que algumas semanas atrás eu comecei a ver os foruns de adoção. Falei com uma, duas, cinco pessoas. Eu sabia o que eu queria e o que devia evitar: eu queria um labrador, mas não podia ser preto. Uma fêmea preta era aceitável.

Umas semanas atrás, minha mulher me ligou avisando que vira um “cachorrinho lindo” na rua, em frente ao local onde ela trabalha em São Caetano. O vira algumas vezes e o achara dócil e lindo. Mas, avisou ela, ele devia ter sido atropelado ou maltratado porque mancava da perna dianteira direita.

A perna ruim do Darwin era a dianteira direita. Eu ouvi isso e caí num choro copioso, incontrolável. Sei lá o porquê exato. O fato foi que eu perdi o controle. Fiquei até com vergonha na hora. Pedi a ela que esquecesse o cachorro. Eu não queria um cão perfeito, mas também não estava preparado para enfrentar outro drama. Eu precisava de um final feliz.

Fui ver vários cães e a conexão não aconteceu. Além disso, com um maltês de seis meses em casa, eu me sentia obrigado a achar um cachorro dócil, que não o ameaçasse. Achamos uma labradora preta de seis anos e eu pensei (ainda penso) em adotá-la.

Nesse meio tempo, minha mulher não brincou em serviço, resgatou o tal vira-latinha e o trouxe para casa. Ele é preto e não é labrador. O nome é Astro, em homenagem ao cão dos Jetsons. Ele está dormindo aqui do meu lado. E por enquanto é só.

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