Stargate Universe, de novo: fim de temporada

Eu devorei a primeira temporada de Stargate Universe em poucos dias. Sei lá, eu adoro seriados com naves espaciais. Adoro mais ainda essa premissa da nave perdida. Mas eu curto mesmo o tom realista. Sim, existem aqueles bafos da mitologia do Stargate, como as pedras “mágicas” que permitem conexão direta em tempo real mesmo a bilhões de anos luz. Mas o que é muito bom é a forma como eles estabelecem premissas absurdar e sabem muito bem usá-las para contar boas histórias.

Junte a isso um time de escritores que soube criar personagens tridimensionais, complexos, cheios de falhas de caráter. Parecem até gente de carne e osso.

Adorei, por exemplo, a constante tensão entre o militar, a política e o cientista (que lembra o triângulo de Galactica, mas é desenvolvido de forma criativa e, arrisco dizer, ainda mais interessante). Os militares assumem o comando, na figura do relutante coronel Young. São vigiados com ressentimento pela ensaboada civil Camile Wray. O cientista Nicolas Rush, com sua agenda pragmática, encara todos como peões.

Há falhas, claro. Em alguns momentos, os personagens passam por uma tensão enorme, o episódio acaba com um tom de desespero e a situação se resolve de forma muito simples depois. O caso da nave partindo para o vôo mais rápido que a luz, deixando alguns personagens para trás e, no episódio seguinte, numa cena banal, tudo se resolve. Anticlimático demais. A mesma coisa acontece em um ótimo episódio de viagem no tempo. Termina de uma forma que sugere uma continuação empolgante que nunca vem.

Mas, puxa, as pedras, justo o maior foco de comprometimento da lógica científica da mitologia da série, são usadas de forma magistral para contar histórias interessantes. Num dos episódios, desesperados para consertar os motores, é necessário usar os conhecimentos da maior especialista do gênero, vinda da Terra. Como é impossível viajar até a nave, o que é o foco do drama da série, as pedras são usadas e alguém precisa trocar de corpo com essa cientista para que ela possa trabalhar no problema diretamente na nave. Acontece que ela é tetraplégica. Quem se ofereceria para trocar de corpo com ela e enfrentar a experiência de ser tetraplégico por, digamos, uma semana?

Em outro caso, o coronel Telford (interpretado por Lou Diamond Phillips) troca de corpo com o coronel Young, que usa a visita ao planeta Terra para tentar se reconciliar com sua ex-mulher. No meio de uma transa do casal, um evento faz com que os corpos sejam trocados por alguns segundos e Telford se vê na cama com a mulher do outro. Qual a dúvida de que ele fica obcecado por ela a partir de então?

Ou ainda, alguns personagens podem reencontrar as pessoas amadas (mãe, ex-namorada), mas não podem contar a elas a verdade. São obrigadas a fingir que são outras pessoas (fáci, porque estão ocupando o corpo de alguém) e não podem concretizar com um abraço ou um beijo a saudade que estão sentindo.

Em essência, tem a mistura certa de intriga política, ficção científica, drama e tensão. A série ganhou mais um fã.

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