Adeus, Dunguismo. Não vou sentir sua falta nem por um segundo.

Se foi mais uma Copa. Não vou dizer que não senti nada, porque seria mentira. Mas fiquei pouco frustrado em comparação com outras desclassificações. Eu nunca gostei do time do Dunga, como está claro em meus relatos no Twitter desde sempre. Sempre achei Dunga com uma empáfia desproporcional à suas qualidades práticas. Nunca me senti representado pelo time dele e por alguns dos jogadores em especial. Mas os caras colocavam aquela camisa amarela (ou a azul, como ontem) e eu simplesmente não conseguia não torcer.

Eu odeio jogo feio e odeio, também, quando meu lado joga, além de feio, com destempero. É uma característica minha. Sei que muita gente deve gostar do jeito daquele cabeça de bagre do Felipe Melo jogar. Mas eu não posso achar bonitinho um jogador da seleção mais vitoriosa, aquela que (supostamente) joga bonito e melhor naturalmente, baixando a porrada pra todos os lados e saindo com a cara lavada e dizendo que não foi nada. É me chamar de burro. Felipe Melo, principalmente, não me representa. Eu, aliás, achei a perfeita tradução do que ele é: o Forrest Gump Bizarro. O Mundo Bizarro é uma criação para os quadrinhos do Superman. É um mundo onde tudo é meio que reverso (mais sobre isso na Wikipedia). Então o Super, que é um herói inteligente e bacana, vira um idiota malzão. Se Forrest Gump tinha a sorte de estar sempre no lugar certo participando de alguma coisa posititva da história, Felipe Melo estava em todos os momentos ruins dessa seleção. É tudo culpa dele.

Sério. Meus amigos de vários cantos do mundo estão cansados de me gozar porque o time do Brasil é, para eles, uma droga. É ridículo um indonésio, um americano, um iraniano fazer piada com um brasileiro sobre futebol. Mas eles fizeram. Sabe por que? Porque eles perceberam o óbvio, Dunga é… Isso aí que a gente viu. Até quem tem muito menos tradição (ou nenhuma) percebeu. Mas a CBF deixou esse trem desgovernado seguir em frente.

Lembro bem da Copa de 2002, em que me irritei com a teimosia do Felipão, mas fui dobrado por um time que jogou com o coração, que tinha fome de gol, que era unido, que queria muito ganhar e que jogava com inteligência tática. Nosso time atual até tinha a vontade, mas não se preparou emocionalmente. Vontade só, muita gente tem. Competência para atingir um objetivo é outra coisa.

Times campeões superam adversidades. O adversário empatou, virou, estamos com um a menos? E daí? Vai atrás. Os grandes times superam isso. E quando não superam só provam que não são grandes times. É simples assim. Esse time nunca foi grande. Se desmontou na sua primeira oportunidade de mostrar que tinha algo mais. No grande plano das coisas, é bom, porque ver essa filosofia Dunguiana se impor por quase quatro anos foi duro.

Aí, para concluir, vou deixar de comparar o Brasil com o Brasil e colocá-lo diante de outros times, como, por exemplo, a Alemanha. Dizem que eles são mecânicos, que não têm imaginação. São sempre essas mesmas bobagens e esses mesmos clichês que o jornalismo esportivo insiste em usar e que não passam de bobagens atrozes. A Alemanha é organizada, mas é intensamente criativa. Quer ouvir o que, para muitos comentaristas seria uma heresia? Pois bem, Alemanha está impressionando porque se parece com a gente quando a gente foi bom.

Eles têm fome de gol. Meteram 1, 2, 4 gols na Inglaterra e acabam de repetir a dose contra a Argentina. Eles poderiam parar e tocar bolinha no campo adversário como a Inglaterra covardemente fez em seu último jogo na primeira fase. Mas não. Eles querem ganhar, definir, depender apenas de si. Nós fomos assim um dia. Antes de Lazaroni, de Dunga, antes de Parreira. Antes de inventarem essa idéia irritiante e burra de que tinham que criar um time com cabeças de bagres e conter gente criativa e fora do padrão como se fossem feras perigosas. Fizeram isso com Romário em 1994, lembra? Nós voltamos a ser algo parecidos com o que realmente somos por uma Copa, em 2002. Aí, cedemos novamente a esse instinto do “bom o suficiente” que não devia ter lugar para quem é mais do que “bom o suficiente”. Ou talvez seja isso que nós somos, já que não somos mais os maiorais.

É isso. Desabafei. Tenho blogado pouco. Acompanhei essa copa twitando muito e me divertindo com o efeito torcida telepata do Twitter. Não vi nenhum jogo lado a lado com o CrisDias, por exemplo, mas, usando o Twitter como meio de contato, vi todos os jogos com ele e outras pessoas bacanas com quem adoro trocar idéias durante os jogos.

A vida segue e eu tenho muita coisa pra fazer. Vamos ver qual a próxima bobagem que a CBF vai inventar.

Conte para os amigos!

Nenhum Comentário