Na era das comunidades onipresentes, solidão para quê?

Estava lendo um artigo do sempre ótimo Steven Johson na Time. Acompanho o blog do Jeff Jarvis há algum tempo e estava “lá” quando ele avisou ao mundo em sua conta do Twitter que estava com câncer de próstata. Depois, quando fez a cirurgia. E assim foi.

Algumas semanas atrás, um dos meus cachorros, o Carl Sagan, morreu. No dia seguinte, eu descobri que meu outro cachorro, o Charles Darwin, tinha câncer. Não era o meu câncer, mas era como se fosse. Comecei a twitar e blogar sobre isso.

E por quê?

Simples. Me fez sentir melhor. Me fez ver que eu realmente não estava passando por aquilo “sozinho” (eu não estava de qualquer modo, já que minha mulher, irmã, mãe acompanharam tudo. Mas estamos falando metaforicamente). Nas semanas seguintes, em vez de melhorar a coisa piorou. O tumor voltou à pata do Darwin e a situação clínica dele começou a piorar sensivelmente. Depois de uma luta insana, nos vimos diante da dura realidade de ter que amputar a patinha dele. Só que o Darwin estava fraco agora. Podia não voltar dessa.

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Para crescer, o caminho do e-reader é para baixo

Eu não espero nem quero um Kindle colorido e touchscreen, embora possa surgir um. Na minha opinião, a Amazon tinha que mirar em outro alvo: o e-reader de menos de US$ 100. Faço uma pesquisinha enquanto estou escrevendo isso e caio no post do Seth Rodin pedindo um Kindle de US$ 50 (ele vai mais longe do que isso, vale ler o texto dele, não vou ficar repetindo aqui). Ok, de qualquer modo, um Kindle mais barato é o que a indústria deveria buscar.

A Barnes and Noble oferece o Nook (seu “Kindle”) por US$ 149.99, só com wi-fi. O 3G custa US$ 199.99. É o sinal de que esse é o caminho para esse tipo de aparelho. Ser um facilitador para essa nova era. Se gabar de suas vantagens sobre as telads de LED, OLED e LCD e oferecer algo muito simples e muito barato. Colocar preço na lista de vantagens não é nada mal. E preço baixo abre inúmeras oportunidades de promoções malucas. Você compra dois livros e leva um e-reader junto, por exemplo.

E não faz sentido pagar US$ 250 em um negócio desses quando o iPad mais simples custa US$ 499. É maluquice pura. Baixar o preço do e-reader torna os e-books uma alternativa mais que prática, popular. Vai acelerar a inevitável mudança. Junte a isso todas as iniciativas de self-publishing de Apple, Google e Amazon e teremos um mercado editorial explosivo, cheio de oportunidades em 2011. Junto com a explosão criativa que os tablets vão acelerar, temos um horizonte de belíssima possibilidades no futuro próximo.

O último gol de Pelé

Já que eu tomei vergonha e voltei a postar, vou colocar o link pro vídeo do Pelé aqui. Eu fiquei engasgado quando vi isso. Não vi Pelé jogar ao vivo, mas vi muitos vídeos e filmes sobre ele, que viveu uma era menos midiática. Parece que nosso esporte predileto é desmontar mitos e devalorizá-los. Tentamos fazer isso com o Ronaldo o tempo todo, por exemplo. O que esses fora-de-série fizeram está feito, virou história.

Se você não viu, separe cinco minutinhos para esse curta emocionante sobre o Rei. É muito, muito legal.

Darwin: As pequenas vitórias diante das grandes derrotas

As últimas semanas têm sido de mais derrotas do que vitórias.

Duas sessões de quimioterapia enfraqueceram o Darwin e, embora tenham aparentemente evitado que aparecessem metástases, não funcionaram contra uma recidiva na pata direita, a mesma em que o dedo foi amputado.

Ele parou de comer, nos obrigando a ser criativos para mantê-lo nutrido: salsichas de frango, peru e o que fosse aparecendo, carne, frango, rações moles de vários sabores e papinha de neném forma algumas das estratégias.

Darwin foi ficando fraquinho e perdendo o interesse pelos passeios. Logo depois da segunda sessão de quimio, parou de usar a pata dianteira direita. A perna foi acometida de uma flebite e ficou ameaçada de amputação. Afinal tinha um novo tumor e um grave problema circulatório.

Na tentativa de salvar a perna, foi entupido de medicamentos e injeções, três sessões de compressas quentes e frias todos os dias. Nada parecia dar resultado. Ele foi perdendo as forças e começou a chorar de noite com dores. Tivemos que dopá-lo e começaram as crises de incontinência por causa das drogas. Ele começou a dormir com a gente na cama.

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