Os líderes (e seguidores) fracassados de Lost

E acabou, acabou e acabou. Esperei passar no AXN para comentar. Afinal, era safadeza falar da série que só quem baixou viu (se bem que provavelmente mais gente viu por download do que pelo AXN, mas tudo bem).

Então, deixo a minha interpretação final, que vai caber em uma ou duas linhas: Lost é uma poderosa alegoria sobre os perigos de confiar cegamente em deuses e líderes. Religião, patriotismo, o que você quiser. São formas imperfeitas (e muitas vezes desonestas) de controle. Lost ilustra isso muito bem.

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24 Horas virou Desejo de Matar

A oitava temporada de 24 Horas estava anódina até a metade. De repente, a coisa disparou e ficou divertida de novo. Mas por uma razão curiosa… De um certo ponto em diante, Jack está completamente sozinho, apenas atrás de vingança pela perda de seu milésimo “amigo”. Isso rendeu episódios cheios de suspense e ação, o que é ótimo, mas colocou Jack Bauer numa situação curiosa: a de virar uma espécie de Paul Kersey, o personagem de Charles Bronson na série Desejo de Matar. Jack começa a soltar frases de efeito típicas de filminhos feitos direto para DVD.

Seriados têm uma coisa curiosa. Depois de um certo ponto, você está tão envolvido com o personagem que acaba indo com ele aonde ele for, só para ver o que vai acontecer. Em séries normais, há espaço para inovações, mudanças de formato, episódios musicais, mudos, preto e branco, em plano sequência, contados pelo vilão, pelos fiéis companheiros. 24 Horas nunca pode fazer nada disso aprisionado que ficou num formato que, em 2001, era inovador. Depois de tanto tempo, só sobrou Bauer… e Chloe. E, bem, o delicioso vilão, reciclado da melhor de todas as temporadas da série (falo melhor dele a seguir, depois do pulo. Se você está lendo no RSS, que não tem pulo, e não quer saber nada sobre o que vai acontecer, PARE AQUI)

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Meu labrador deixa meu coração apertado

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Vou tirar um elefante da sala. Ou pelo menos avisar que ele está lá.

Meu labrador lindo, o Darwin, teve um tumor maligno na pata, amputou um dedo duas semanas atrás e agora eu vivo um dia depois do outro a tensão de saber se ele vai ficar bom ou se vai começar aquela briga sofrida contra uma doença absolutamente imprevisível.

Isso tudo aconteceu em seguida à morte do meu outro cachorro, o Carl Sagan. Um negócio que arrasou completamente o clima na minha casa. Minha mulher entrou em depressão, eu ainda não sei direito o que sentir ao entrar em casa. O Darwin, bem, ele está claramente mais triste. Sempre teve outro cachorro por perto. Agora, usando o colar elizabetano (o “abajur”), com a pata doendo, fica sozinho por algumas poucas horas todos os dias, apesar de todos os nossos esforços. Tem se comportado heroicamente bem.

Mas então, o tumor é maligno. Foi extirpado, mas pode ter sido tarde demais. Pode ter se espalhado e a quimioterapia vai ser crucial nas chances do meu cachorro. No sábado, surgiu um calombinho. Hoje já está menor. Pode não ser nada. Estou contando as horas até a consulta com a veterinária-oncologista hoje no fim do dia. Cada coisa que surge é um susto. Mas ele não sabe de nada e, dizem os veterinários, isso é sua maior vantagem. Sem entender o que está acontecendo, não se abate. Continua querendo viver, correr atrás do osso, pular em cima do sofá. Continua querendo estar comigo o tempo todo, custe o que custar.

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