Games: Uncharted e Heavy Rain

Minha sala ficou lotada e eu tive que decidir. Abrir mão do meu Wii, do XBox 360 ou do meu PS3. Não fazia sentido ter três máquinas. O Wii se foi. Mas o XBox e o PS3 estão me mantendo ocupado no pouco tempo que eu tenho para jogar.

Minhas últimas experiências no PS3 foram bem interessantes. Veja só:

Uncharted – Drake’s Fortune e Uncharted 2 – Among Thieves
A aventura tem um novo nome: Nathan Drake. Um caçador de tesouros que, apesar de parecer um espertalhão, não pára de exercitar heroísmo, nobreza e um curioso hábito de rir diante do perigo. Uncharted junta resolução de quebra-cabeças, plataformas e tiro em terceira pessoa. As animações e os gráficos são incríveis no primeiro jogo e fora de série no segundo.
Mas o que há de mais impressionante é a brilhante combinação de jogabilidade com um roteiro bem encadeado. Não falo nem de verossimilhança. Falo de uma capacidade de manter a história andando, mesmo que com um furo aqui e outro ali.

O segundo jogo pega tudo que foi realizado no primeiro e melhora. A escala é épica, o elenco de personagens se expande e a ameaça é muito maior. Adiciona ainda um bem sacado sistema de multiplayer. Deve ser um dos melhores video-games que eu curti nos últimos anos. Difícil mesmo de largar. É como realmente estar no meio de um filme de ação, cheio de resgates heróicos, explosões, tiroteiros absurdos e até romance.


Heavy Rain
Heavy Rain quer provocar a imersão do jogador num filme de mistério que copia descaradamente M. Night Shyamalan. Acontece que, bem, o Shyamalan vai mal, muito mal em sua carreira. Então, se o modo de jogar é menos que brilhante, a história é simplesmente inconsistente. A revelação da identidade do assassino é sem sentido e soa forçadíssima.

O gameplay abandona os comandos usuais e investe na tentativa de reproduzir o senso de urgência e a dificuldade de certas situações. Vira mais um obstáculo em vez de ajudar. Abrir um geladeira com um clique ou com um movimento diferente do joystick não passam de metáforas. Só isso.

Os criadores chamam Heavy Rain de  aventura interativa. Se deram ao trabalho de oferecer uma produto que abdica de mundos apocalipticos, super-heróis, street fighters, só para variar. Mas deviam ter caprichado mais na história, que deixa a desejar.

O visual é, sim, incrível. As animações são bacanas e a música cumpre seu papel magistralmente. Mas o jogo, tão ambicioso, é desonesto ao fingir que te dá certas opções que não existem. Ao rejogar vários capítulos, ficou claro os truques sujos dos game designers. Se você faz A, uma coisa acontece. Se fizer B, ela acontece também em vários casos. Me senti um fantoche e parecia que o console estava se divertindo mais do que eu.

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