Minha tarde com Anselmo Duarte

“Tudo o que eu sabia desde menino é que não queria ser operário, como minhas irmãs. Queria fazer cinema. Quando criança, construí um projetor de slides com uma lata e uma lente.
Eu mexia com cinema como hobby e nunca pretendi ser ator, porque era tímido. O que eu sempre quis foi fazer filme, ser diretor. Só me tornei ator porque achei que seria a porta de entrada.”

Anselmo Duarte (1920-2009)

Parece que foi em outra vida. Em 2000, próximo ao aniversário de Anselmo Duarte, eu consegui convencê-lo a dar uma entrevista sobre sua vida. Ele estava fazendo 80 anos e, um tanto rabugento, não estava com o menor humor para comemorar.

Duarte foi um daqueles fora de série esmagados por não se alinhar com as correntes que dominavam a cultura brasileira. Como não era amigo dos intelectuais de esquerda do cinema nacional, foi ignorado e excluído. Depois da Glória da Palma de Ouro em Cannes, ainda não repetida por outro cineasta brasileiro, nunca mais conseguiu emplacar filmes a altura de seu talento.

Nas conversas por telefone antes do encontro, já demonstrava seus ressentimentos. No dia do encontro, foi um anfitrião simpático. Passeou pela vizinhança, mostrou o belo e confortável apartamento e, como o típico homem que já não tem mais medo de nada porque já viveu de tudo, falou sem reservas. Estou procurando a fita aqui para tentar digitalizar e colocar a disposição no blog.

A entrevista com ele, publicada pela folha em Abril de 2000, está AQUI

Entrevistei pelo menos três personalidades que julgo importantes e que morreram nos últimos anos. As outras duas são o Dr. Rinaldo Delamare, autor do Livro do Bebê, e o desenhista Flavio Colin, autor de milhares de histórias em quadrinhos que embalaram a minha geração. E eu não acho essas fitas.

Conte para os amigos!