Olimpíadas do Rio 2016: Lula teve méritos, mas não sejamos inocentes

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Lula, Nuzman, Pelé e uma cabeçada comemoram a vitória da candidatura do Rio para as Olimpíadas de 2016

Vale dizer, Lula tem méritos enormes no triunfo da candidatura do Rio. Mas não vamos ser inocentes. A coisa toda é relevante para os planos eleitorais do PT.

Não estou aqui nem recriminando. O político que ignorar o valor de uma vitória como essa é um tolo. Basta ler o New York Times e o Chicago Tribune para ver o impacto negativo (explorado, claro, pelos vorazes Republicanos) do fracasso da visita de Obama ao COI para defender a candidatura de Chicago.

Lula foi astuto, como aliás, sempre tem sido. Tomou para si o mérito da vitória da candidatura carioca e ofuscou outros políticos, como Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes. Pessoas mais ativamente envolvidas na montagem de toda a estrutura da campanha da cidade.

Seria mesquinho achar que Lula não se emocionou legitimamente com a vitória. Por mais pragmático que um político como ele possa ser, não tenho dúvida de que ele pensa na sua biografia. No que será escrito nos livros de história (“Nunca antes na história desse país foi realizada uma Olimpíada…”) e ficará como legado. É natural que ele, como qualquer outra pessoa no lugar dele pensaria, fique orgulhoso de conquistas como essa e queira tomá-las para si.

Afinal, foi durante os anos Lula que o país achou o pré-sal, o G8 virou G20, nos tornamos independentes do FMI, vieram a Copa do Mundo e a Olimpíada. Alguns vão dizer que isso tudo aconteceu por causa dele. Outros, que foi apesar dele. O fato é que aconteceu na era Lula, embora tudo esteja cercado de contextos macroecônomicos e geopolíticos que vão muito além do alcance do governo petista. Da mesma forma, fica fácil esquecer que os fundamentos econômicos que estamos vivendo foram estabelecidos pelo governo FHC.

Para mim, é muito mais uma questão de equilíbrio que deve suplantar o ufanismo. Dependendo das forças políticas que prevalecerem nos próximos anos, corre-se o risco de se apagarem os acertos do governo FHC, por exemplo. Da mesma forma, corre-se o risco de apagar-se os inúmeros casos de corrupção que mancharam os dois governos. Compra de votos, mensalões e outras mazelas que não podemos esquecer sob o risco de não sermos capazes, jamais, de enfrentar e extinguir casos do gênero.

Mas por agora, comemore Brasil. Melhor ainda: comemore, América do Sul. Abriu-se a porteira. O que for feito de certo e errado pelo Rio de Janeiro vai servir de lição para todos no continente. E outras olimpíadas virão a Santiago e Buenos Aires, por exemplo.

Conte para os amigos!