Compre o telefone da Apple, aquele, o iPhone 3GS

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Legenda: O velho iPod, o Archos Av 420 (de 2003), o iPhone 3Gs, o Archos 5 (2008) e o N97

Eu sou chato com tecnologia. Como eu consigo usar meus gadgets até o limite, não costumo me conformar com certas bobagens e limitações sem sentido. Foi assim quando comprei meu Minidisc da Sony e vi que uma coisa simples como a conversão de uma entrevista era um suplício. Uma falta de respeito enorme com quem pagou pelo aparelho. O minidisc caiu no esquecimento, ainda bem.

Depois veio o iPod. Revolucionário, sim. Mas o Archos já tocava vídeos em 2002. Era aberto. Trocava bateria. Virava um DVR. Por que diabos eu ia querer um iPod mesmo? Só que o iPod tinha foco, o Archos, não. O iPod seguiu para se tornar o líder do mercado mundial e foi incorporando todas as funções do Archos. Os franceses, por sua vez, passaram a copiar tudo que eu sempre achei imbecil nos iPods: bateria que não troca, a unidade que vem sem carregador e cabos.

Corta para os telefones celulares. Sou um usuário dos aparelhos da Nokia há muito tempo. Adoro eles. Me entendo bem com a interface, com o sistema operacional e sempre os achei versáteis. Um N96 (ou N95 mesmo) com um tecladinho bluetooth te dá acesso ao mundo. Eu usei esse aparelho como um micronotebook por anos e fui feliz.

Mas tudo o que eu fazia, dava, como dizer, um certo trabalho. Um, dois, três cliques. Mais do que desejável e necessário. Enquanto isso, a Apple lançou o iPhone, o iPhone 3G e eu simplesmente não fiquei impressionado. Achei que ainda faltava muito para me convencer a usar o aparelho. Só o 3GS me fez achar que o aparelho era realmente tudo que um telefone celular, hoje, devia ser. A bem dizer

Então a questão ficou entre o 3GS e o N97. Qual seria meu novo aparelho? Vamos dizer que o N97 tem uma vantagem considerável: a compatibilidade como teclado bluetooth. Mas para todo o resto acho o iPhone superior. E foi com certa dor no coração que eu abandonei uma relação de quase uma década com a Nokia e pulei para o mundo integrado (mesmo que fechadinho) da Apple.

Veja bem. A câmera do Nokia é melhor e o tecladinho era muito legal. Mas tudo mais no iPhone me parece superior. A interface é sensacional, as apps de e-mail, os jogos, o GPS (com bússola) me convenceram de que eu tinha uma máquina fantástica para me ajudar no cotidiano. E eu não estava errado. Com três semanas de iPhone novo já senti uma mudança nos meus hábitos. O e-mail funciona que é uma beleza, twitar ficou rápido e natural, o GPS é show de bola, navegar é muito natural (fora o flash que não funciona). O N96 tinha aquelas funcionalidades que você usa uma vez por mês e fala “puxa, que sorte que eu tenho isso”. O iPhone tem tudo que você usao 95% do tempo. Foi o que me seduziu definitivamente.

Note também que o iPhone meio que detonou dois competidores de uma vez: Archos e Nokia. Sendo que a Nokia perdeu mais. Meu Archos ainda é minha opção preferia para carregar vídeos e para visualizá-los na minha TV de alta definição. Ele ainda supera o iPhone nisso. Mas o fato é que a cada nova geração, a melhor máquina traga as funções de outras. Quem ainda carrega uma calculadora, um depertador, um rádio quando os celulares fazem isso facilmente?

Vamos esclarecer uma coisa: não faço posts pagos. Não estou ganhando nada da Apple. Aliás, fiquei irritado com a falta de aparelhos nas lojas. Ainda estou pagando o meu aparelho em cinco vezes na Fnac. Ainda me irrito com o formato proprietário de vídeo (aliás, quase não uso essa parte do meu iPhone) e acho o tempo de bateria ridículo. Pior. Como a gente não pode comprar uma bateria sobressalente, fica ainda mais patético, porque ficamos reféns de correr a uma tomada a qualquer momento. Minha solução foi comprar um gadget do gadget: um Mophie Juice Pack Air, que me dá mais tempo de bateria.

Mas fui seduzido pelas outras facilidades. Pela solidez do sistema. Enquanto eu tinha que reiniciar o N96 pelo menos uma vez por dia, isso não aconteceu ainda nenhuma vez no iPhone em três semanas. Nenhuma. Então, de coração, sem ganhar nada, sem nenhuma vantagem extra, sem virais ou acordos secretos de bastidores eu recomendo: compre um iPhone e seja feliz.

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