Um ano depois, voltei ao trabalho

Eu voltei pra minha casa há pouco mais de um mês. Mas só hoje voltei ao emprego depois de 11 meses e 20 dias de licença. Se você chegou aqui agora, vale dizer que passei um ano estudando na Inglaterra, um mestrado em Media Management na University of Westminster, de Londres.

Então, voltei hoje. Logo hoje em que caiu o céu em cima de São Paulo. A cidade estava que era caos total. A primeira coisa que eu fiquei pensando foi em alguma analogia com aquela tempestade. Aquela bagunça poderia refletir meu estado de espírito? Bobagem. Eu estava sereno. Confesso que fiquei procurando essa insegurança e esse medo, como se eu tivesse que sentir isso. Mas não achei.

Dizem que essas experiências mudam a gente. Eu passei quase um ano sozinho. Limpei a latrina, lavei roupa e fiz comida. Fiquei sozinho, muito sozinho. Li muito. Vários dias sem mais que contatos sociais superficiais. Nada demais para a maioria das pessoas, mas uma mudança radical para um homem mimado em casa pela esposa e pela assistente e quase babá que faz salada, café, compras e tudo mais.

E hoje eu me sentia sereno. Eu ia ao trabalho de moto, mas a chuva estava muito forte, então resolvi ir de táxi. Entrei no carro e tive que guiar o motorista por dentro da Vila Madalena e pelo Alto de Pinheiros até a Editora. A chuva desabava, os carros parados pelo caminho. Fizemos o percurso em 20 minutos, no máximo. Quando chegamos lá, o taxista me agradeceu pelo caminho que eu tinha ensinado. “Fizemos a viagem tranquilos”.

Só aí caiu a ficha. Eu estava sereno porque não estou perdido. Porque tenho um caminho complicado e cansativo pela frente, mas sei o que tenho de fazer. Em alguns casos, vou ter que mudar o caminho, achar um atalho ou um desvio. Não me entenda mal. Não estou fazendo uma afirmação arrogante nem tentando parecer esperto. Mas é que subitamente isso ficou claro. Eu sei para onde estou indo. Isso é o mais importante.

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