Nosso Besouro é muito mais legal

Estava vendo a apresentação de Besouro (não o verde, um muito mais legal) filme de aventura usando capoeira e fiquei animado. O trailer carece de uma edição mais justinha, mas é beeem promissor.

Tem cheiro de sucesso de bilheteria com continuações pela frente ou pelo menos um sub-gênero surgindo. As credenciais técnicas são impressionantes. Mas me dá uma certa tristeza pensar que o filme evento do cinema brasileiro em 2009 se parece com algo que os chineses já faziam mais de 40 anos atrás.

Ah sim. Já posso ver as pessoas falando que Kill Bill e Matrix fizeram as mesma coisa. O que seria uma bobagem. Afinal, são filmes que têm outras propostas e que estão usando essas técnicas apenas como uma parte revisionista de seu arsenal estético.

A julgar pelo trailer, Besouro (ou Beetle) é um filme que parece pertencer, estilisticamente, aos anos 70. Mas isso é só uma digressão, um comentário sobre o quanto estamos tendo que correr atrás em alguns setores do cinemão. Afinal, ser esteticamente datado pode até ser uma vantagem, pode até ser cool se visto dentro de um contexto específico.

Como eu disse, é só uma digressão. Vou ver esse filme de coração aberto e querendo me divertir com os feitos heróicos do personagem. Sem frescura. Manda ver, Besouro!

Michael Jackson morreu e o mundo (inteiro) fez seu tributo

Ontem, o mundo acompanhou em tempo real pela internet o destino de Michael Jackson. Eu ficava pulando de site em site pra ver se os grandes e mais respeitados confirmavam o que o TMZ já tinha publicado: Michael Jackson estava morto. Ponto final.

Incapazes de confirmar a história, CNN, New York Times, Guardian, Reuters e dezenas de outros sites respeitáveis tentavam checar as informações antes de dar o comunicado final. A CNN optou por colocar uma foto de Jacko dando tchau, sinal de que o pessoal provavelmente já sabia que o cantor estava morto, mas, por uma questão de princípios, estava esperando múltiplas confirmações de fontes para dar o comunicado oficial.

(Quando informaram, colocaram na conta do Los Angeles Times. O leitor desavisado pode até achar que é uma forma de tirar o corpo fora. Não necessariamente. É outra coisa. É dar crédito a quem informou e confirmou primeiro. É a velha mídia tentando incorporar certos hábitos dos novos tempos.)

Hoje, já começaram os perfis, obituários, edições especiais e toda a parafernália que cerca esse tipo de evento. É a velha mídia tentando faturar o que puder em tempo de vacas magras. Aliás, hoje, o dia seguinte a um evento como esse já parece uma eternidade pra quem acompanhou tudo em tempo real e leu um monte de coisas ou viu vídeos (tudo editado às pessas) nos sites e na TV à noite. A título de contraste, Farrah Fawcett, cuja morte foi anunciada por meses, por conta do câncer, acabou sendo ofuscada pelo fim de um popstar inesquecível.

As empresas jornalísticas sérias tentavam dar uma dimensão da importância do artista e exploravam vários ângulos, alguns impiedosos, sobre como um homem que ganhou tanto dinheiro chegara naquela situação. Afinal, Michael Jackson foi considerado uninsurable pelas grandes seguradoras. Estima-se que o prejuízo da AIG (a empresa que promoveu a volta de MJ) pode chegar a £300 milhões.

Agora, dá-lhe especulações sobre o quanto Jacko estava com a saúde comprometida, desesperado por algum dinheiro que o tirasse da situação financeira desastrosa e, por conta disso, aceitou uma “encomenda” que seria incapaz de entregar. Nos bastidores do showbiz, havia um enorme ceticismo a respeito das performances do cantor. Nas bolsas de apostas, especulava-se quantas apresentações seriam canceladas.

Não foi uma, nem duas. Todas.

Bom, hoje eu passei em frente ao Lyrics theatre, que apresenta o musical Thriller, com vários artistas interpretando sucessos da carreira de Michael Jackson. Ali, várias pessoas depositavam flores, colaram posters e prestavam uma homenagem ao ídolo. Em todo canto, tocava-se Michael Jackson. Nos sites de downloads (legais e ilegais) só dava você sabe quem. Nas lojas que vendiam os ingressos para os shows pelo triplo do preço original, ainda havia alguns cartazes toscos que os donos esqueceram de tirar das vitrines. É uma ressaca.

Eu vivi o auge de Michael Jackson nos anos 80. Não fui ao show no Brasil, mas ia ao daqui de Londres (presente de um amigo que vem me visitar). Quem sempre foi fãnzona de Michael Jackson mesmo é a Mônica, que chegou a ir de São Paulo ao Rio de carro ouvindo os maiores sucessos de Jacko no repeat do CD player.

O Twitter parou. O Google sentiu o baque. De vez em quando a gente é lembrado que, na era do Long Tail, dos microsucessos, ainda existem titãs midiáticos andando sobre a Terra. Jornalistas e blogueiros novidadeiros acabam esquecendo que artistas com muita estrada, apesar de parecerem não fazer mais barulho nenhum, formam públicos enormes que atravessam gerações e são capazes de criar ondas de choque impressionantes.

Eles são poucos. São mesmo uma raça em franca extinção. Ontem, um dos maiores, e dos últimos, se foi.

Dan e Dave Buck em câmera lenta

Os irmãos Dan e Dave Buck são especialistas em mágica com cartas recheadas com muitos floreios e movimentos mirabolantes. Não são grandes mágicos, mas os truques que eles dominam são feitos de uma maneira completamente inacreditável. Em alguns casos, os movimentos são tão rápidos que parecem até mágica de verdade.

Eu fui numa palestra deles meses atras e fica claro porque eles não podem ser mágicos no sentido clássico: não têm ritmo de palco e são inexpressivos. Sabem somente brincar com as cartas. Mas o que eles fazem é fantástico mesmo.

Mágica intercontinental

Uma das coisas mais divertidas que eu fiz por aqui foi mandar pequenos vídeos para a minha sobrinha. Eu comprei alguns fantoches que serviam de amiguinhos do tio e fiz algumas mágicas para entretê-la. Foi uma tentativa de evitar que esse ano fora significasse um ano inteiro em que o “tio Alê” não existisse no desenvolvimento dela.

A gente é uma família pequena e bem unida. A Clarinha é, pra mim, como se fosse a Anna 2.0 (e é, né? com uma adição de código do CrisDias). Junte a isso o fato de que ainda não tenho filhos e pronto. Sou um tio coruja. Tenho fotinhas dela no computador e na parede do meu quarto. Fico deliciado com cada história que minha mãe e a Anna me contam. E, claro, estou animadíssimo com o fato de que minha irmã, o Cris e minha sobrinha agora moram pertinho do meu apartamento em SP. Isso muda completamente a dinâmica de morar em São Paulo e mal posso esperar para voltar em agosto.

O fato é que nossa última peripécia foi inventar uma mágica intercontinental. Eu comprei um copinho na Disney Store aqui em Londres e mandei para ela. Mas não sem antes fazer um vídeo em que Filó (a fantoche que é uma meia colorida) agarra o copo e desaparece debaixo de um paninho.

Daí a tia Mônica levou o copo e o fantoche para o Brasil e eu mandei o vídeo. O próximo passo é uma reunião de família toda dedicada a fazer a mágica acontecer. Filó e o copinho vão desaparecer aqui e aparecer imediatamente para a Clara lá em São Paulo. É bem verdade que minha sobrinha não entende que eu estou tãao distante. Mas ela sabe que, quando alguém está no monitor, é porque está viajando, está longe, como ela aprendeu por meses com o pai fazendo a ponte Rio-SP e conversando pelo monitor.

Agora, a desvantagem disso é óbvia, né? Eu não posso ver o momento da mágica acontecendo. E uma das coisas mais sensacionais de fazer mágica pra minha sobrinha é ver a carinha de surpresa que ela faz (é a graça em qualquer caso, mas com ela é mais gostoso). Então intimei Cris e Anna a filmarem a confusão toda acontecendo e mandarem pra mim. Cobrem deles, por favor.

Semana, hum, “mágica” em Londres

Outra semana, digamos, mágica. Fui ver o show do Derren Brown (com um blog bom, viu), Enigma, e fiquei impressionado com a forma como ele consegue impor um ritmo alucinante. Brown não gosta de ser classificado como mentalista, mas o fato é que o que ele faz, apesar dos “fogos de artifício”, é mentalismo com todos os ingredientes clássicos.

Hoje, sexta, fui a uma palestra do mágico Pavel Pomezny, totalmente velha guarda. Ele falou do ato de inventar uma ilusão e demonstrou alguns dos seus best sellers. Essas palestras, geralmente realizadas pelas duas lojas de mágica de Londres, International Magic e Davenport’s Magic, são uma chance ótima de conhecer de perto alguns profissionais de primeira linha e, quando dinheiro há, comprar ilusões a preços em conta. Pavel estava vendendo seus últimos ítens pela metade do preço.

Amanhã, tenho outra programada com John Bannon que promete ser muito bacana. Bannon tem uma série de DVDs sobre truques com cartas.

Vale fazer uma observação curiosa, se não cruel. Como as lojas de mágica são, em geral, ambientes velhos e maltratados. Os clientes são supervariados, de todas as idades. Mas as lojas são empoeiradas, desorganizadas. Os preços não são convidativos. Todos os truques que você encontra numa loja podem ser comprados mais baratos num website.

Mas não há o contato humano com os vendedores, certo? Bem, digamos que isso só acontece de verdade na International Magic. O rapaz que atende as pessoas na Davenport não tem traquejo de vendedor. A turma da International Magic é mais afetuosa. Quando eles vêem que o cliente é fiel, não dão desconto, mas oferecem pequenos presentes. Um maço de cartas aqui, um DVD ali. Eu nunca fiz compras grandes e não tive o prazer de ganhar brindes legais, mas já vi gente saindo de lá com muitos brindes. Na Davenport’s, o jogo é duríssimo. Pelo que eu entendi, é uma pena, já que a velha guarda é muito elogiada. Parece que o problema está na nova geração. Bizarro.

Archos 9: aquele tablet que você queria

Tela sensível multitouch, video, internet, 80 gigabites de HD. O tablet bacana não é da Apple (eles vão lançar, pode esperar., e vai ser fantástico) é da francesa Archos.

Deixa eu ver. Essa interface de teclado é muito feia, mas é mais ou menos o que eu imaginava que um tablet de verdade precisava ser. Agora vamos refinar esse negócio logo e baixar o preço, por favor, porque já demorou demais para esse produto virar padrão.