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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos. E, se gostar do que leu, assine o RSS desse blog.

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De onde tiraram isso?

A Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Rio acha que a propaganda do Burger King lá em Londres se refere ao Rio como refúgio de bandidos. Protestos, pedidos de retratação junto à embaixada e tudo mais, como o Bruno do Urbe previu.

Hum.

Ok. Vamos então processar nossos próprios jornais e todos os sites noticiosos do mundo por fazerem as pessoas terem a sensação de que o Rio é refúgio de bandidos também?

Não, não claro que não. Dei um exemplo ridículo e fora de proporção, comparando jornalismo com publicidade. Protestar contra algo que você acha que te prejudica é do jogo. Pode ser até ridículo, mas é válido e está no direito das partes envolvidas protestar e se defender. Não vou entrar nesse mérito. O pessoal do PR e do marketing do Burger King tem que se preocupar, sim, com a possibilidade de machucar sua marca com esse tipo de campanha. De novo, é do jogo do mercado também. A babaquice e o ufanismo também entram nas variáveis que todo estrategista de campanha de marketing tem que levar em conta. Afinal se eles usam isso a favor, têm que se preocupar quando pode se virar contra eles.

Ridículo é ficarmos ofendidos com o óbvio. No Rio, em 26 anos, eu fui assaltado ou sofri tentativas de assalto diversas vezes. Lá, eu me sinto ameaçado ao andar com telefone, relógio, notebook. Na Inglaterra, eu ando pra todo lado (ligado, claro, não é o paraíso) e não tenho medo de assalto o tempo todo. A possibilidade de violência existe sim, mas eu me sinto seguro.

Para completar, a piada tem outro contexto, se refere a Ronald Biggs, o ladrão que fugiu do Reino Unido aós roubar uma fortuna e foi morar no RIo. Virou até celebridade por lá. Fazer o quê? Não fizeram essa piada com São Paulo, nem com Salvador, muito menos com Santa Catarina (temos outras piadas para cada uma dessas cidades e mais dezenas para o Rio, mas não vêm ao caso agora, ehehehehe). Quem teve interesses econômicos feridos pode protestar, sim, porque tem negócios a proteger. Mas há outro trabalho mais complicado, de uma imagem pra limpar. Só que de nada adianta chiliques e protestos se no mundo real, longe dos escritórios das agências de publicidade londrinas, o Rio de Janeiro (como símbolo do Brasil) continua mergulhado em violência e desorganização, uma bagunça de dar dó.

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2 respostas para 'De onde tiraram isso?'

  1. “E precisa?” - URBe - OESQUEMA Diz:

    [...] sobre o assunto (onde felizmente sou citado dizendo que isso tudo é uma grande bobeira), e outros blogueiros comentaram o [...]

  2. Luiz Ricon Diz:

    O pessoal parece esquecer que isso não se refere ao descontrole da segurança pública no Rio, ou à imagem do Rio como uma “cidade sem lei”, mas sim ao fato concreto de que a Inglaterra não mantém acordo de extradição como Brasil.
    Como não interessa ao governo de Sua Majestade assumir essa reciprocidade, às vezes o feitiço vira contra o feiticeiro, como no caso do Ronnie Biggs.

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