De onde tiraram isso?

A Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Rio acha que a propaganda do Burger King lá em Londres se refere ao Rio como refúgio de bandidos. Protestos, pedidos de retratação junto à embaixada e tudo mais, como o Bruno do Urbe previu.

Hum.

Ok. Vamos então processar nossos próprios jornais e todos os sites noticiosos do mundo por fazerem as pessoas terem a sensação de que o Rio é refúgio de bandidos também?

Não, não claro que não. Dei um exemplo ridículo e fora de proporção, comparando jornalismo com publicidade. Protestar contra algo que você acha que te prejudica é do jogo. Pode ser até ridículo, mas é válido e está no direito das partes envolvidas protestar e se defender. Não vou entrar nesse mérito. O pessoal do PR e do marketing do Burger King tem que se preocupar, sim, com a possibilidade de machucar sua marca com esse tipo de campanha. De novo, é do jogo do mercado também. A babaquice e o ufanismo também entram nas variáveis que todo estrategista de campanha de marketing tem que levar em conta. Afinal se eles usam isso a favor, têm que se preocupar quando pode se virar contra eles.

Ridículo é ficarmos ofendidos com o óbvio. No Rio, em 26 anos, eu fui assaltado ou sofri tentativas de assalto diversas vezes. Lá, eu me sinto ameaçado ao andar com telefone, relógio, notebook. Na Inglaterra, eu ando pra todo lado (ligado, claro, não é o paraíso) e não tenho medo de assalto o tempo todo. A possibilidade de violência existe sim, mas eu me sinto seguro.

Para completar, a piada tem outro contexto, se refere a Ronald Biggs, o ladrão que fugiu do Reino Unido aós roubar uma fortuna e foi morar no RIo. Virou até celebridade por lá. Fazer o quê? Não fizeram essa piada com São Paulo, nem com Salvador, muito menos com Santa Catarina (temos outras piadas para cada uma dessas cidades e mais dezenas para o Rio, mas não vêm ao caso agora, ehehehehe). Quem teve interesses econômicos feridos pode protestar, sim, porque tem negócios a proteger. Mas há outro trabalho mais complicado, de uma imagem pra limpar. Só que de nada adianta chiliques e protestos se no mundo real, longe dos escritórios das agências de publicidade londrinas, o Rio de Janeiro (como símbolo do Brasil) continua mergulhado em violência e desorganização, uma bagunça de dar dó.

Conte para os amigos!