Buffy e Crepúsculo: Oportunismo é a alma do negócio

Quando eu digo que Buffy é um seriado genial, estou acostumado a receber aqueles olhares de desprezo e incredulidade. Já me acostumei a nem perder tempo. Ou você entende do que eu estou falando quando elogio a série ou não. O nome, a idéia que vem na superfície brincam justamente com os títulos bobos de pulps e filmes B. Por isso soam bobos. Algumas pessoas vão além dessa superfície. Outras se resumem a torcer o nariz. É mais feliz quem testou.

Como jornalista que viveu dez anos cobrindo TV e cultura (pop e nem tão pop assim), me acostumei a ver primeiro para falar depois. Tem um sofrimento nisso. Você vê muita porcaria. Muita mesmo.

Mas me desviei um pouco do assunto. Estou falando de Buffy e da leitura superficial que as pessoas fazem da piada (achando que é o conceito) porque estava lendo na Variety que querem fazer um filme de Buffy para aproveitar a onda de Twilight (Crepúsculo). Vampiros!!! Urru! Olhando pelo ângulo de negócios, a idéia é boa. Faz sentido aproveitar o momento para lançar mais produtos que vão interessar a esse consumidor.

Só que em vez de procurarem Joss Whedon, o cara que criou a personagem, a transformou num ícone e criou uma das séries mais bacanas das últimas décadas, não procuraram por ele (ainda). Buffy é um conceito tão sacana e tão irônico que sua primeira encarnação, num filme de 1992, com Kristy Swanson, Luke Perry, Hilary Swank e Donald Sutherland, foi um desastre. O script de Whedon foi tão terrivelmente mal intepretado pela direção que a idéia quase se perdeu completamente. O diretor pegou a piada, mas não sacou o que estava por trás.

Não por acaso, alguns anos depois Whedon reconstruiu o conceito do seu jeito na TV, uma mídia que dá mais ouvidos ao escritor e consegue se aproximar de suas idéias originais. Buffy terminou em 2003 na TV. Os DVDs ainda vendem bastante, há uma HQ ótima disponível nas lojas. A personagem está viva e até sua intérprete ainda é jovem e linda. Seriados de TV nunca foram tão respeitados e bem feitos. Então por que reinventar a roda, hein? Vai entender. Como o projeto ainda está na fase inicial, estou torcendo para que Whedon seja procurado e colocado no comando do projeto. Ia ser sensacional.

Meu companheiro de viagem

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Quando eu vim para a Inglaterra, uma das coisas que eu realmente verifiquei se era possível foi a possibilidade de trazer o Darwin, meu labrador, comigo. Digo, fiz uma verificação de garantia, porque sabia há algum tempo que as restrições inglesas para a entrada de animais na Ilha são severas. Seu cachorro precisa ficar seis meses em quarentena.

Seis meses.

Se ele vier da Europa e não do Brasil, são “só” três meses em quarentena num esquema mais simples, sendo observado por um veterinário e ficando em casa mesmo, na França, por exemplo. Mas o que importa é que, como eu ia ficar um ano, não fazia sentido submeter o Darwin a algo desse tipo. Assim, vim sozinho mesmo.

Muita gente acha que os animais vão ser uma dor de cabeça, mas pra mim cuidar dele sempre foi legal. Não é uma rotina simples e, no Brasil, eu tenho uma ajuda enorme da Luci, nossa assessora para assuntos domésticos aleatórios. Na Inglaterra, funcionaria como uma terapia ocupacional e um motivo para me manter em movimento. Eu sempre gosto de dizer que o Darwin me fez querer ser ativo de novo. Ter um amigo que está sempre pronto para correr e brincar contigo é um negócio sensacional.

Mas o fato é que ele ficou no Brasil e eu vim sozinho. Aí, comecei a obsessão. Comprei um labrador preto de pelúcia (!). Uma caixinha de Playmobil que tinha uma bonequinha de veterinária e um lab preto com caixa de viagem, comedores e um ossinho, estátuetas com labradores pretos e um maltês (eu acho que as estátuas são westies, mas eu digo que são malteses e quem vai me contestar?).

Agora, saio por Portugal com a Mônica e resolvi que, de alguma forma, ia levar o Darwin com a gente. Peguei aquele labrador preto de plástico da caixinha de Playmobil e decidi que ia fotografar suas aventuras conosco. Criei um set público no Flickr para guardar essas imagens. DIvirta-se.

É engraçado como isso é uma volta a forma como eu sempre brincava com as coisas quando era pequeno. Playmobil é um brinquedo pronto em que tudo vem na caixinha e você associa os múltiplos kits. Eu não era pobre, mas também estava muito, muito longe de ser rico e ter todos os brinquedos legais. Eu tinha uma ou outra caixinha com bonequinhos Playmobil, mas meus amigos mais sortudos tinha navez espaciais, casas, carros. Bom, eu brincava com eles, mas na maior parte do tempo, meus bonecos viajavam em naves espaciais feitas com caixas de sapato e ovo e eu criava uniformes e cenários com papelão, cola, tesoura e caneta colorida. Esse pequeno labrador de plástico não foi concebido para isso. Mas quando você vir as fotos, vai pensar que nunca viu um labrador de plástico tão à vontade…

De onde tiraram isso?

A Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Rio acha que a propaganda do Burger King lá em Londres se refere ao Rio como refúgio de bandidos. Protestos, pedidos de retratação junto à embaixada e tudo mais, como o Bruno do Urbe previu.

Hum.

Ok. Vamos então processar nossos próprios jornais e todos os sites noticiosos do mundo por fazerem as pessoas terem a sensação de que o Rio é refúgio de bandidos também?

Não, não claro que não. Dei um exemplo ridículo e fora de proporção, comparando jornalismo com publicidade. Protestar contra algo que você acha que te prejudica é do jogo. Pode ser até ridículo, mas é válido e está no direito das partes envolvidas protestar e se defender. Não vou entrar nesse mérito. O pessoal do PR e do marketing do Burger King tem que se preocupar, sim, com a possibilidade de machucar sua marca com esse tipo de campanha. De novo, é do jogo do mercado também. A babaquice e o ufanismo também entram nas variáveis que todo estrategista de campanha de marketing tem que levar em conta. Afinal se eles usam isso a favor, têm que se preocupar quando pode se virar contra eles.

Ridículo é ficarmos ofendidos com o óbvio. No Rio, em 26 anos, eu fui assaltado ou sofri tentativas de assalto diversas vezes. Lá, eu me sinto ameaçado ao andar com telefone, relógio, notebook. Na Inglaterra, eu ando pra todo lado (ligado, claro, não é o paraíso) e não tenho medo de assalto o tempo todo. A possibilidade de violência existe sim, mas eu me sinto seguro.

Para completar, a piada tem outro contexto, se refere a Ronald Biggs, o ladrão que fugiu do Reino Unido aós roubar uma fortuna e foi morar no RIo. Virou até celebridade por lá. Fazer o quê? Não fizeram essa piada com São Paulo, nem com Salvador, muito menos com Santa Catarina (temos outras piadas para cada uma dessas cidades e mais dezenas para o Rio, mas não vêm ao caso agora, ehehehehe). Quem teve interesses econômicos feridos pode protestar, sim, porque tem negócios a proteger. Mas há outro trabalho mais complicado, de uma imagem pra limpar. Só que de nada adianta chiliques e protestos se no mundo real, longe dos escritórios das agências de publicidade londrinas, o Rio de Janeiro (como símbolo do Brasil) continua mergulhado em violência e desorganização, uma bagunça de dar dó.

Surpresa: Maísa é uma criança!

Vi no Gafanhoto esse clipe da Maísa no Silvio Santos. Bom, nem vou entrar no mérito da escrotice dele induzir ela ao choro dessa forma e, como o programa é gravado, apresentar a situação em rede nacional de qualquer modo. Como ele é o Silvio Santos, se safa de ser condenado por esses absurdos. Mas o negócio é lembrar que ela é só uma criança. A gente sabe disso, mas até esquece que ela pode ter reações tão… infantis.

Turismo experimental

Não é novidade, talvez você já tenha ouvido falar disso. Um casal chega numa cidade separado e, sem poder se telefonar ou combinar, precisam dar um jeito de se encontrar. Um grupo de amigos resolve explorar Paris começando na Rue de l’Abbaye e termnando na Boulevard de la Zone. Uma pessoa passa 24 horas em um aeroporto. E por aí seguem os experimentos turísticos.

O turismo experimental virou um negócio mais ou menos organizado em 1990, quando o jornalista francês Joel Henry bolou essa modalidade que tenta bolar formas lúdicas de conhecer as cidades. E não confunda as coisas: o turismo convencional vai bem obrigado e é ótima diversão. O que Henry propõe é uma alternativa, experimentos divertidos para tentar em certos momentos. E, afinal, não é pra qualquer um. Bom, o fato é que o francês criou até uma organização em torno disso, a Latourex. Vá ver o site. É absurdamente simples, só com textos explicando os experimentos propostos e o endereço físico e o e-mail da, hum, organização. A inspiração de Joel Henry é nos movimentoso surrealista, dadaísta e sei-lá-mais-o-quê-ista do meio do século 20, que adoravam estabelecer regras arbitrárias para subverter a realidade de alguma forma.

Um outro dado interessante é que o conceito funciona muito bem pros europeus, que viajam bastante. Para a classe média brasileira, seria um desperdício (quase que uma maluquice mesmo) ir a Paris e resolver passar a viagem vendado (eu mando internar, juro). Mas para povos que viajam para esses lugares com passagens superbaratas, isso até faz algum sentido.

As reações são variadas. Tem gente que acha uma verdadeira babaquice. Há quem adore a idéia. Viajar o mundo deveria ser uma aventura por si só. Mas como eu sou fissurado em jogos, gostei da idéia que ficou cristalizada no livro chamado The Lonely Planet Guide to Experimental Travel.

Eu esbarrei nesse conceito em 2005, naquela Borders da Third Street Promenade, em Santa Mônica, que nem existe mais. Não comprei o livro, mas passei umas duas horas lendo um monte de coisas e achando o diletantismo da idéia muito engraçado.

E as idéias são bem malucas. Um outro site, o Roadjunky não hesitou em dar uma boa sacaneada nesse conceito e bolou uma lista de 101 idéias de viagens experimentais. Alguns são verdadeiros absurdos. Outros, são achados que eu gostaria de executar. No fim, é só mais uma forma de curtir.

The Square Root of 3

I fear that I will always be
A lonely number like root three
A three is all that’s good and right,
Why must my three keep out of sight
Beneath a vicious square root sign,
I wish instead I were a nine
For nine could thwart this evil trick,
with just some quick arithmetic
I know I’ll never see the sun, as 1.7321
Such is my reality, a sad irrationality
When hark! What is this I see,
Another square root of a three
Has quietly come waltzing by,
Together now we multiply
To form a number we prefer,
Rejoicing as an integer
We break free from our mortal bonds
And with a wave of magic wands
Our square root signs become unglued
And love for me has been renewed.

Do filme Harold and Kumar Escape from Guantanamo Bay, que eu só vi hoje. O poema foi escrito por um colega de escola dos roteiristas.

Somos mais iguais do que gostaríamos

Os brasileiros têm um problema de auto-estima bem curioso (Ok, todo mundo tem o seu, mas eu sou brasileiro, então vou falar do nosso, ok?). A gente acha que algumas coisas (erradas) só acontecem no Brasil e adora dizer “Rá! No (coloque aqui seu país de Primeiro Mundo) isso não acontece!! Legal, legal. Mas acontece.

Aqui tem mais infra-estrutura, mais tradição e um cidadão com um nível educacional superior, na média. E a média é só a soma de todo mundo, dividido pelo número de pessoas. Uma boa infra-estrutura permite que os fora de série se sobressaiam. Uma estrutura ruim os enterra num canto qualquer onde eles pode nunca ser notados.

E aqui (surprise, surprise) também tem muita bobagem. Um monte de erros grosseiros e roubo. Isso mesmo, o pessoal do Primeiro Mundo rouba. Muito. Eu sei, eu sei. Não é novidade, você deve saber que não é. Mas as pessoas insistem em fingir que eles são perfeitos e nós somo lixo, então é bom relembrar isso de vez em quando. Aqui, como no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, os políticos usam mal o dinheiro do contribuinte. Eles deixam o governo pagar as coisas pra eles!! Nossa!

E essas barbaridades acontecem na França, na Itália, no Japão…

No momento, o pau está comendo aqui porque os parlamentares são cheios de mordomias e abusam. Nossa, mas isso não era algo que só acontecia no Brasil? Hum. Não. As empresas estão quebrando, negócios que daí de longe parecem coisas grandiosas são micro-empresas de fundo de quintal iguais as nossas e eles cometem erros grosseiros de organização todos os dias. Minha amiga alemã disse que, para ela, a Inglaterra parece um país em desenvolvimento.

Comece a aceitar que eles não sabem direito o que estão fazendo. Só fingem melhor do que a gente.

Longa vida ao novo Kirk

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Kirk (Pine) e Spock (Quinto): perfeitos

Eu nunca contei isso aqui. Mas me lembro bem de quando via Jornada nas Estrelas no final dos anos 70 em algum canal que eu não lembro mais qual era. Empolgado com o capitão Kirk, eu colocava uma calça de pijama e a meia por cima da calça pra imitar a bota do traje dos meus heróis (o que eu posso fazer? Ganhei uma fantasia de Batman… amarela! Então você já vê que eu não era muito apegado a detalhes).

Hoje eu saí do cinema sério, afinal sou um menino grande agora. Mas por dentro, eu pulava que nem o moleque das meias por cima da calça do pijama. Que filme legal esse novo Star Trek. É cinético, simpático, afetuoso com a mitologia da série. Achei a história um nó cego, dando voltas com paradoxos temporais, mas o storytelling é fantástico.

A nova geração é mais ativa, a câmera se move de um jeito incrível e você sente que está vendo uma série realmente reimaginada e atualizada. O roteiro faz uso inteligente do fato de que os personagens têm uma história sólida, enorme. Então, embora todos que não se chamem Spock ou Kirk tenham direito a momentos breves sob holofotes, toda a história deles conta a favor. Quando Sulu tira uma espada para lutar, Chekov resolve um problema (e se enrola com o inglês) ou Scotty arranca uma performance extra da Enterprise, você vibra porque entende de onde esses personagens vieram. Se não tem contexto especial, tudo bem. Você se diverte também, mas num nível mais superficial.

O novo Kirk (Chris Pine) é perfeito. O novo Spock (Zachary Quinto) também, mas é um vulcano com um toque gay. Bones (Karl Urban), caramba, animal.

Ah. E Eric Bana, como sempre, é de uma mediocridade ímpar. Personagem sem graça. E a participação do Nimoy é absolutamente crucial.