Adote uma… linha de código

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Estou aqui virando a noite fazendo a apresentação de um business plan e chegam vários e-mails do Brasil o tempo todo. É que, com o fuso horário de quatro horas, o pessoal tá dando aquela navegada final antes de deitar e, pra mim, são quatro da matina. Dureza, fio.

Mas vai daí que chegam duas mensagens. Numa, me oferecem labradores pra adoção. Lindos, fofinhos. Eu olho, penso em como faria para dar conta do Darwin, do Sagan e deles e já desisto. É loucura, penso. Passo pro e-mail seguinte e é um outro pedido de adoção. Só que mais incomum.

Os criadores do Miró, uma espécie de itunes com bit torrent open source e gratuito, estão precisando de dinheiro para seguir com o desenvolvimento do programa e tiveram uma idéia tão maluca que pode até dar certo: você adota uma linha de código do programa (são mais de 46 mil) e vira um patrocinador do desenvolvimento. São US$ 4 por mês por tempo indeterminado. O cara propõe que você pague de coração pelo desenvolvimento da ferramenta.

Muito legal, muito engraçado. Mas vamos à frieza dos números. US$ 4 por mês dá US$ 48 por ano. Não é pouco. Uma assinatura pro do Flickr custa US$ 14 por ano. Sinceramente, eu acho que a idéia foi boa, o preço é que é maluco. Mas vamos ver se cola…

Mágica com realidade aumentada

Vai ter gente querendo me bater por dizer isso, mas eu acho Marco Tempest um mágico meia boca em termos de habilidade que tem boas idéias em truques com tecnologia. E só. Ele manipula mal as cartas, você consegue ver movimentos espertinhos aqui e ali.

O que ele tem de melhor é um olhar sobre como usar esses objetos e tecnologias para criar truques surpreendentes, mas não necessariamente brilhantes. Esse com realidade aumentada eu achei interessante. Mas, de novo, como ele é um mágico meia boca, a coisa parece meio solta, com uma lógica meio estranha. E a desculpa vai ser que a performance é de teste e coisa e tal. Mas mesmos performances finais dele parecem feias meio nas coxas, sei lá. Falta alguma coisa nas ilusões dele que você não vê faltando nas performances de quem é do primeiro time de verdade.

Vírus e anti-vírus

Nos últimos anos, pra mim, viral era vídeo, idéia, meme. Ontem caiu a ficha pra mim de que num mundo globalizado viral continua sendo o que sempre foi: vírus que se espalha como… como uma gripe… suína.

Uma pessoa com a suspeita da gripe está aqui no hospital do lado do campus em que eu estou morando. Logo ali. Eu vejo o hospital sempre que saio do apartamento.

Alguns meses atrás, foi lançada aqui uma série chamada Survivors. Era baseada num seriado dos anos 70 e mostrava o que aconteceria se 90% da população mundial fosse aniquilada por uma variante mortal da gripe. A Inglaterra entra em colapso e, nos seis episódios, um grupo de pessoas tenta se estabelecer nesse ambiente desolado.

Voltemos ao mundo real, onde coisas terríveis como pandemia de gripe e aviões derrubando torres em grandes cidades são eventos que não acontecem (?). Como a Inglaterra é uma ilha, as autoridades ficam muito atentas a qualquer movimento desse tipo. Uma doença que se espalhe muito rápido num país com sistemas de transporte eficientes tem mesmo potencial para quase dizimar um país com essas características. As regras para, por exemplo, trazer um animal para a Inglaterra são extremamente rígidas. Seis meses de quarentena, atestados e tudo mais. Por conta disso, nem pude pensar em trazer o Darwin comigo. Acredite, eu teria dado conta dele e teria sido sensacional com esses parques que eu tenho aqui perto.

Os medos não são infundados. Basta andar no metrô, basta circular pelas insuportavelmente lotadas Oxford street, Regent street, Picadilly Circus, Leicester Square. Ali, todo mundo é de fora. Milhares de pessoas vindas de todos os cantos do mundo. Num lugar como esse, espalhar uma doença intensamente contagiosa como uma gripe é brincadeira de criança. Contra isso, todas as câmeras, todos os policiais e regras não valem nada. Mais um motivo pro típico morador das grandes cidades ter medo, muito medo.

Mas, e tem sempre um mas. Voltando ao início deste texto, estamos na era em que os virais são mais do que virus biológicos. São idéias, informação. Então, é hora de pormos isso a nosso favor. Todos têm internet, celulares, TV. Como eu disse, câmeras e guardinhas não adiantam muito. Mas, de novo, a multidão, tão propícia a pegar vírus e se aniquilada, pode ser a solução. A informação sobre como se proteger ou a identificação rápida de focos possíveis de contaminação podem evitar uma tragédia. A informação, o compartilhamento, podem ser o anti-vírus que a gente precisa contra um vírus letal. E ler esse post (que eu descobri com a ajuda do @doni, no Twitter) também ajuda muito.

Passarinho desafinado

Já tem alguns dias que isso está por aí, mas eu só ouvi hoje de manhã. Primeiro, eu pensei: “putz, pegaram a passagem de som da mulher, onde ela provavelmente podia estar até rouca e não dando a mínima e colocaram na internet como se ela estivesse completamente sem voz”. Coisas da internet, onde as camadas de star power são normalmente demolidas sem dó.

Mas no meio da audição você diz: “não há a menor chance de ela ser ruim desse jeito”. Tem que ser fake. No caso, como eu só vi isso hoje, ainda tive a sorte de já saber que, ao que parece, é fake mesmo. Uma mente sacana com um protools faz coisas incríveis! :)

Por que eu (ainda) amo a Wired

Fale o que quiser, mas poucas revista conseguem se manter como a janela do futuro como a Wired. A revista se vendeu a bobagens como fazer capas conectadas com lançamento de filmes, coisas que eu acho que não combina com ESSE tipo de revista, sempre olhando pra frente.

Na edição de maio, eles convidaram J.J. Abrams para ser editor convidado e contribuir com idéias para uma edição cheia de mistérios, pistas e quebra-cabeças. De alguma forma é atual, talvez atual demais em vez de estar à frente. Mas poucas revistas conseguiriam fazer isso tão bem e estar tão em sintonia com seu leitorado. A Wired pode se dar esse luxo como nenhuma outra revista.