O pensamento mágico

Em O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan conta que, quando era pequenininho, estava conversando com sua mãe e ela disse que estava acontecendo uma guerra do outro lado do oceano Atlântico. Ele apertou os olhinhos e disse: “Ih! Eu tô vendo eles brigando, mãe!”. Ela, carionhosamente, cortou a viagem dele. “Não, filho. Não está. É impossível ver o que está acontecendo do outro lado do oceano.”

É uma forma de Sagan dizer que sua mãe nunca criou um mundo mágico pra ele.

Pois hoje eu tive um momento sui generis. Um dos meus colegas de mestrado, indiano, veio até o meu apartamento estudar comigo. Estamos sentados à mesa de trabalho, trocando arquivos nos nossos macs via rede sem fio e ele olha pra um dos meus livros sobre mágica. Pensa um pouco e pergunta. “Então. Esses shows de mágica… É tudo truque mesmo? Não tem nada de sobrenatural?”

Fiquei surpreso com a pergunta sincera dele. Meu amigo é inteligente e articulado. Se destaca numa turma com 45 pessoas de todos os cantos do mundo. Mas para ele, mesmo um mágico, o proverbial farsante profissional, poderia ter poderes… mágicos.

Peguei um maço de cartas, fiz um truque rápido em que ele escolhia uma carta e eu embaralhava o maço, cortava pra todos os lados e a carta ia aparecendo em cima, no meio em todos os lugares. Seu rosto se iluminou com fascínio. No final eu avisei: Isso foi um truque. Eu não sou capaz de adivinhar sua carta, nem de movê-la com a força do pensamento. Eu uso uma técnica para fazer isso.

Fiquei fascinado com o pensamento mágico do meu amigo. Como isso é possível?

Conte para os amigos!

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