O bicho-papão vai te pegar!

A Inglaterra é um lugar curioso. Aqui eu realmente me sinto vigiado o tempo todo. Nunca vi tantas câmeras. Fui obrigado a me registrar na polícia, tudo gera uma identidade com uma foto. A gente pode argumentar as vantagens das câmeras como uma forma de “viagem no tempo” que ajuda a resolver um crime, por exemplo. Ou ainda pensar que as câmeras, mesmo não funcionando, desencorajam o crime. As pessoas se sentem vigiadas e fazem as coisas bonitinhas. De um jeito ou de outro, com as vantagens na mesa, continuo achando a coisa toda assustadora.

Mas a publicidade da TV Licence é uma espécie de quebra da falsa harmonia do argumento pró-Big Brother. É o momento em que o véu de normalidade e proteção cai por terra e eles revelam o espírito opressor.

A TV Licence é a taxa que todo mundo que tem uma TV é obrigado a pagar aqui no Reino Unido. Esse dinheiro é o que sustenta a BBC, um dos mais honestos, orgulhosos e sérios serviços jornalísticos do mundo. Sim. O jornalismo, o quarto poder, aquele que alimenta a democracia e a liberdade de expressão. Acho que a ironia é indiscutível. Veja mais um exemplo de como funciona a publicidade opressora da TV Licence nessa sequência que apresenta um anúncio num website.

tvlicence01

tvlicence02

tvlicence03

tvlicence04

Eu já tinha falado disso antes, quando vi um cartaz no metrô. Não tenho TV em casa e, por isso, não pago a TV Licence. Um dia, a qualquer momento, um fiscal do governo, pode bater na minha porta para ver se eu tenho ou não um aparelho. É bizarro. Todos os meus amigos dizem que nunca viram nem ouviram falar de ninguém processado por conta de uma licença de TV. Ou seja, é o bicho-papão!!

Eu queria ter uma TV para jogar video-game, mas confesso que fico intimidado. E se um fiscal bate aqui e eu tenho que explicar que a TV não funciona para pegar sinal de canais de televisão? Eu posso ser processado e ter que pagar pelo menos £1000 em multa, fora custos com advogados. Você pode checar meu armário pra mim? Ah! E olha embaixo da cama, por favor. Obrigado.

Conte para os amigos!