
Echo durante uma missão…
Uma pena que a estréia de Dollhouse não aconteceu com um daqueles episódios duplos. O piloto é promissor e deixa a gente vislumbrar um novo universo cheio de possibilidades.
É o que se espera de um seriado assinado por Joss Whedon, o criador por trás de Buffy, Angel e Firefly. Uma trama maior, um tema e personagens tridimensionais e interessantes.
Vejamos, então, o que Joss nos oferece no piloto de Dollhouse. Mostra que Echo (Eliza Dushku) é uma jovem que faz parte de um tipo de programa secreto em que pessoas têm algum erro (crime?) apagado de suas vidas desde que ofereçam seus corpos e mentes por cinco anos para uma curiosa prestação de serviços…
Eles recebem as lembranças e conhecimentos de uma ou mais pessoas formando uma personalidade que vai realizar uma missão. Pode ser uma temporada de sexo selvagem e diversão ou uma situação de risco em que “vestem” o conhecimento específico de um expert.
Conhecemos alguns dos personagens. Boyd é o seu agente de apoio. Ele está sempre por perto para garantir que Echo não será descoberta e parece ter uma forte bússola moral que vai reder-lhe problemas nas próximas histórias. Sua chefe é Adelle, que parece ser a pragmática gerente da operação (pelo menos em Los Angeles).
O projeto Dollhouse (que, vale esclarecer, é o termo “casa de bonecas” em inglês) está sob investigação do agente Paul Ballard, do FBI. Mas Ballard está meio em baixa, porque não consegue provar nada a respeito de sua obsessão.
Tudo muito interessante. Eu, que sou fã de Whedon, tenho todas as caixas de Buffy, Angel e Firefly. Pra mim, as pequenas pistas deixam claro que Joss plantou um monte de pequenas sementes em seu episódio de estréia. Mas eu sou parte de um grupo muito pequeno de fãs.
Minha sensação foi de que o episódio ficou meio desigual para quem queria apenas assistir à uma nova série de aventura. Tem ótimos momentos que lembram o bom e velho Joss. A fusão da Echo emocionada depois de salvar uma criança para o rosto sem emoção após ter suas memórias apagadas é um daqueles momentos simples que dá um enorme significado ao drama e aos dilmeas aos quais os personagens serão submetidos. Há um monte de pontas soltas que incomodam o espectador que não está comprando um novo jossverso. As cenas em que Echo surge discutindo com Adelle no princípio do episódio, ou a luta entre Paul Ballard com um brutamontes em um ringue ficam perdidas. Ou ainda o que Paul estava fazendo com o Russo no banheiro de um club. Não é que eu ache que alguns desses temas não vão ser explorados nos próximos episódios. EU acho que são. Mas é que parece que temos arestas mal aparadas, como se o capítulo inicial tivesse sido cortado meio às pressas para caber na metragem necessária. Há uma simetria narrativa que não é respeitada aqui e que pode significar tensões mal administradas nos bastidores.
No final, fica a pista de que alguém tem o interesse de alimentar Paul com pistas sobre o passado dos agentes da Dollhouse. Um homem que parece ter matado os pais de Echo. Um agente fugitivo? Afinal, o que Echo fez para querer abrir mão de cinco anos de sua vida? Será que Boyd vai conseguir se controlar minimamente ou vai se meter em alguma confusão? E será que Dollhouse chega pelo menos a exibir seus primeiros 13 episódios? Espero que a Fox americana deixe Joss trabalhar em paz.

…E depois, com as memórias apagadas e sem personalidade