O astro de artes-marciais que não briga mais

Eu não lembro mais quantos anos faz que eu vi o último filme de Steven Seagal (sim, eu vi filmes dele. No plural). Dez? Quinze anos? Foi quando ele ainda fazia filmes pro cinema e não para vídeo, como agora. Vai daí que eu estou na HMV e vejo que ele protagoniza um filme em que é um caçador de vampiros.

Juro.

O nome é Against the Dark. Olha, eu não tenho nada contra filmes de vampiros. Adoro o gênero. Aliás, pelo contrário. Justamente por ser um filme de vampiros, acabei reencontrando Steven Seagal. Tá. Mentira. Eu pressenti que ia ser uma trasheira enorme e me interessei pensando nas risadas. Nem isso, amigo. Nem isso.

O filme é um desastre. Ponto final. Mas foi o estado do homem que me assustou. Ele está gordo, completamente desajeitado, usando um casaco de couro preto apertadinho. Todos os movimentos de luta são trucados com cortes. Ele, que já não chutava direito, agora mal consegue levantar as pernas e nem os velhos golpes de aikidô usa mais. É mais do que constrangedor, é deprimente.

Humilhante: Dan and Dave Buck

O mundo da mágica sempre teve grandes manipuladores de cartas com movimentos incríveis. Mas nunca houve ninguém como Dan e Dave Buck. Eles são irmãos gêmeos, dois moleques, e o que eles fazem com as cartas é absolutamente inacreditável.

Ontem, por apenas £10 eu pude curtir duas horas de seminário deles ao vivo. E os caras são realmente impressionantes. EU estava ali na primeira fila vendo os movimentos a pouco mais de um ou dois metros e com ângulos desfavoráveis e ainda assim era tudo… mágico. Aí, eles páram e mostram o movimento em “câmera lenta” e você não acredita que eles fizeram aquilo tudo numa fração de segundos.

Mais interessante é que todos os movimentos são releituras de clássicos. Eles vão citando o tempo todo de onde veio cada rotina (como bons nerds, dizem até a página do livro), mas sempre adicionam um toque especial, um refino. Bom, é isso que se espera deles.

O ponto desfavorável do nível absurdo deles é que a platéia não consegue acompanhá-los. Sério. Um monte de mágicos profissionais e amadores na sala simplesmente não consegue repetir a maior parte dos movimentos. Mesmo os mais simples. Em princípio, isso é compreensível, porque cada movimento requer prática mesmo. Você vê como é ali e vai pra casa passar duas semanas treinando aquela rotina até sua mão entender como se faz aquilo. Um dia, do nada, você entende. A coisa fica natural e você mal consegue explicar por quê.

Mas ali, fora eu que sou bem fraquinho nesses movimentos absurdos, eu esperava mais fãs dos Buck que tivessem visto os DVDs e usassem o encontro para tirar dúvidas e tietar. Parece que havia mais gente na minha liga do que eu imaginava.

Uma outra coisa interessante é que muita gente despreza os dois como se eles fossem meros malabaristas em vez de mágicos. Bobagem. Intriga. O que eles fazem é impressionante. Fazer uma carta mudar diante dos seus olhos, a um metro de distância, é um negócio impressionante. Não é uma carta especial. Não é um maço de cartas trucado. É instantâneo. É uma das coisas mais próximas de mágica de verdade que você vai experimentar.

Blog do Kombato

O Kombato é um conjunto de técnicas e práticas voltadas para segurança pessoal que inclui artes marciais, autodefesa e filosofia de segurança. O criador, Paulo Albuquerque, é meu amigo há uns bons 20 e poucos anos.

Agora, é óbvio que eu não concordo com tudo que o Paulo pensa e prega. Mas pra mim o que importa é saber que as motivações são nobres. O resto se discute caso a caso. E ficou mais fácil, porque ele está blogando regularmente sobre segurança, Justiça, violência etc. Assuntos levinhos. Coisa polêmica e que gera discussão longa em qualquer situação.

Lost S05e06: Eu voltei!

Mais uma semana, mais revelações, mais perguntas que vão surgindo. Mas Lost, sem dúvida, entrou numa fase fantástica, em que não há espaço para enrolação. Todo episódio traz alguma novidade, algum pequeno pacote de informação que satisfaz alguma necessidade dos fãs. É aquela recompensa emocional que desapareceu no meio do terceiro ano, quando a série estava com seu futuro indefinido. Depois da revelação do acordo que definiu o fim da série para 2010, os autores aprumaram e a série nunca mais decepcionou.

O marco da virada, pra mim, foi o episódio em que mataram o personagem de Rodrigo Santoro. A partir dali, a série entrou num modo de contar multiplas histórias ao mesmo tempo, diminuindo a quantidade de episódios em que só uma linha narrativa acontecia e que dava a sensação de que a trama não avançava.

Então Lost é uma série quebra-cabeça, sim. As perguntas e os mistérios são uma parte enorme da diversão. Mas ninguém compra um quebra-cabeça e deixa ele na caixa (ou pelo menos não devia fazer isso). Parte da graça está em montar a coisa toda. E o grande cenário está começando a se formar. Ainda falta um monte de pedaços, mas a gente já tem uma parte enorme da moldura. E a figura geral me parece muito, muito legal.

Mas falando do episódio dessa semana…

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Escondidos debaixo do seu nariz

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Já tenho meu reality show preferido: Delocated.

É assim. Uma família que participa do programa de proteção a testemunhas do departamento de Justiça americano resolve mostrar seu cotidiano em Nova York.

Legal, né? Mas, como eles são uma família no programa de proteção de testemunhas, a gente não pode ver seus rostos, nem saber seus nomes. Logo, eles usam uma máscara de esquiador 100% do tempo.

Isso!!! Não é genial? E as vozes deles foram alteradas cirurgicamente para que os espectadores não tenham como reconhecê-los.

É uma das coisas mais absurdas que eu já vi na TV em um bom tempo. A idéia maluca só podia ser uma comédia para o Adult Swim, claro. A série é insana, com direito a “Jon” (assim mesmo, com aspas) comendo um sanduíche e você vendo a máscara sujinha com molho. Ri bastante do primeiro episódio. Mas falta saber se a série se sustenta.

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The Beast

No fim-de-semana, assisti aos dois primeiros episódios de The Beast, a série protagonizada por Patrick Swayze. Considerando a situação do ator, com um câncer no pâncreas, era de se esperar que os roteiristas dessem ao personagem dele menos peso. Mas surpreendentemente, não é o que acontece.

Na trama, Swayze é um agente federal veterano que trabalha no escritório de Chicago e está treinando um agente mais jovem e inexperiente. Ele quebra e torce as regras o tempo todo para conseguir seu intento, como virou regra em programas do gênero. As cores de Chicago estão saturadas, a edição é picotada. A série é extremamente bem produzida, mas não tem a densidade de outros programas que trataram com mais densidade temas como corrupção e mesmo redenção (como The Shield).

A progressão natural é que o personagem de Swayze, que é suspeito de corrupção e está sendo investigado pelo Bureau, vai dar espaço ao do seu aprendiz e que a série é uma espécie de rito de passagem. Mas pelo menos nessa primeira leva de episódios, ele é central, imprescindível. O problema para essa transição, essa passagem de bastão, está na figura do novato treinado pelo personagem de Swayze.

No final do primeiro episódio, Swayze fala como a Besta (do título) vai comendo sua vida e tudo ao seu redor e que você precisa de algo puro guardado em algum lugar para se manter vivo. Isso vindo de um homem que está morrendo fica ainda mais tocante e o ator dá o tom certo à fala. Mas ao seu lado, seu “aprendiz” é o insuportável Travis Fimmel, incapaz de ao menos parecer entender o que seu mestre está dizendo. Cheio de maneirismos, caras e bocas, fala como se estivesse mastigando e lembra um Mario Gomes jovem. Com um ator limitado e sem carisma como ele com a missão de manter a série funcionando depois da infelizmente inevitável saída de Patrick Swayze, os prognósticos de The Beast não são os melhores. A série é mais do mesmo. Sem um protagonista de peso, desaparece na multidão.

Dollhouse S01e01: potencial

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Echo durante uma missão…

Uma pena que a estréia de Dollhouse não aconteceu com um daqueles episódios duplos. O piloto é promissor e deixa a gente vislumbrar um novo universo cheio de possibilidades.

É o que se espera de um seriado assinado por Joss Whedon, o criador por trás de Buffy, Angel e Firefly. Uma trama maior, um tema e personagens tridimensionais e interessantes.

Vejamos, então, o que Joss nos oferece no piloto de Dollhouse. Mostra que Echo (Eliza Dushku) é uma jovem que faz parte de um tipo de programa secreto em que pessoas têm algum erro (crime?) apagado de suas vidas desde que ofereçam seus corpos e mentes por cinco anos para uma curiosa prestação de serviços…

Eles recebem as lembranças e conhecimentos de uma ou mais pessoas formando uma personalidade que vai realizar uma missão. Pode ser uma temporada de sexo selvagem e diversão ou uma situação de risco em que “vestem” o conhecimento específico de um expert.

Conhecemos alguns dos personagens. Boyd é o seu agente de apoio. Ele está sempre por perto para garantir que Echo não será descoberta e parece ter uma forte bússola moral que vai reder-lhe problemas nas próximas histórias. Sua chefe é Adelle, que parece ser a pragmática gerente da operação (pelo menos em Los Angeles).

O projeto Dollhouse (que, vale esclarecer, é o termo “casa de bonecas” em inglês) está sob investigação do agente Paul Ballard, do FBI. Mas Ballard está meio em baixa, porque não consegue provar nada a respeito de sua obsessão.

Tudo muito interessante. Eu, que sou fã de Whedon, tenho todas as caixas de Buffy, Angel e Firefly. Pra mim, as pequenas pistas deixam claro que Joss plantou um monte de pequenas sementes em seu episódio de estréia. Mas eu sou parte de um grupo muito pequeno de fãs.

Minha sensação foi de que o episódio ficou meio desigual para quem queria apenas assistir à uma nova série de aventura. Tem ótimos momentos que lembram o bom e velho Joss. A fusão da Echo emocionada depois de salvar uma criança para o rosto sem emoção após ter suas memórias apagadas é um daqueles momentos simples que dá um enorme significado ao drama e aos dilmeas aos quais os personagens serão submetidos. Há um monte de pontas soltas que incomodam o espectador que não está comprando um novo jossverso. As cenas em que Echo surge discutindo com Adelle no princípio do episódio, ou a luta entre Paul Ballard com um brutamontes em um ringue ficam perdidas. Ou ainda o que Paul estava fazendo com o Russo no banheiro de um club. Não é que eu ache que alguns desses temas não vão ser explorados nos próximos episódios. EU acho que são. Mas é que parece que temos arestas mal aparadas, como se o capítulo inicial tivesse sido cortado meio às pressas para caber na metragem necessária. Há uma simetria narrativa que não é respeitada aqui e que pode significar tensões mal administradas nos bastidores.

No final, fica a pista de que alguém tem o interesse de alimentar Paul com pistas sobre o passado dos agentes da Dollhouse. Um homem que parece ter matado os pais de Echo. Um agente fugitivo? Afinal, o que Echo fez para querer abrir mão de cinco anos de sua vida? Será que Boyd vai conseguir se controlar minimamente ou vai se meter em alguma confusão? E será que Dollhouse chega pelo menos a exibir seus primeiros 13 episódios? Espero que a Fox americana deixe Joss trabalhar em paz.

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…E depois, com as memórias apagadas e sem personalidade

O pensamento mágico

Em O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan conta que, quando era pequenininho, estava conversando com sua mãe e ela disse que estava acontecendo uma guerra do outro lado do oceano Atlântico. Ele apertou os olhinhos e disse: “Ih! Eu tô vendo eles brigando, mãe!”. Ela, carionhosamente, cortou a viagem dele. “Não, filho. Não está. É impossível ver o que está acontecendo do outro lado do oceano.”

É uma forma de Sagan dizer que sua mãe nunca criou um mundo mágico pra ele.

Pois hoje eu tive um momento sui generis. Um dos meus colegas de mestrado, indiano, veio até o meu apartamento estudar comigo. Estamos sentados à mesa de trabalho, trocando arquivos nos nossos macs via rede sem fio e ele olha pra um dos meus livros sobre mágica. Pensa um pouco e pergunta. “Então. Esses shows de mágica… É tudo truque mesmo? Não tem nada de sobrenatural?”

Fiquei surpreso com a pergunta sincera dele. Meu amigo é inteligente e articulado. Se destaca numa turma com 45 pessoas de todos os cantos do mundo. Mas para ele, mesmo um mágico, o proverbial farsante profissional, poderia ter poderes… mágicos.

Peguei um maço de cartas, fiz um truque rápido em que ele escolhia uma carta e eu embaralhava o maço, cortava pra todos os lados e a carta ia aparecendo em cima, no meio em todos os lugares. Seu rosto se iluminou com fascínio. No final eu avisei: Isso foi um truque. Eu não sou capaz de adivinhar sua carta, nem de movê-la com a força do pensamento. Eu uso uma técnica para fazer isso.

Fiquei fascinado com o pensamento mágico do meu amigo. Como isso é possível?