Magicoterapia

É engraçado se ver longe de todo mundo, numa situação que não se parece com nada que eu vivi até agora. Eu comecei a trabalhar regularmente com 17, emendei na faculdade, depois no trabalho (que comecei antes de concluir a faculdade e acabou me atrasando na formatura) em que fui emendando uma coisa na outra e agora estou fazendo o mestrado aqui em Londres. Pela primeira vez em não sei quantos anos, não estou trabalhando regularmente. Tenho um monte de leituras pra fazer, trabalhos que me mantém ocupado e tudo mais. Mas é claro que me sobra algum tempo livre.

E nisso, retomei algumas paixões que abandonei sabe-se lá por que. Comprei uma caixa de Lego e gasto algumas horas por semana montando modelos. Uma delícia. Estou retomando algumas leituras de quadrinhos que parei em 2007, quando minha vida ficou tão complicada e confusa com mudanças de emprego, casa e tudo mais. Assim, estou concluindo a leitura de Y – The Last Man, que é genial.

E, ah, mágica. Sempre adorei. Quando era molequinho, fiquei meses namorando um kit de mágicas chamado Stelco Magie, que vinha com uma cartola e tudo. Mais velho, devorei alguns livros e em algum momento nos meus 20 anos, simplesmente abandonei completamente o assunto. Nem tanto… Quando estava na Folha de São Paulo, fui eu o repórter que desmascarou o Mister M, sabia? Fiz uma pesquisa mala, liguei pra todo mundo, achei uma revista com uma foto dele e fui, também, o primeiro a entrevistá-lo. Hoje parece bobagem, mas quando o assunto estourou lá nos EUA e aqui no Brasil, a coisa foi grande.

Quando fui a Las Vegas, em 2005, vi um show fantástico de David Copperfield que terminava com essa ilusão incrível.

Em 2006 comprei uns truques e me interessei de novo pelo assunto. Em 2007, fui acompanhar um truque do Chris Angel (que eu acho um mala sem alça) em Nova York, a convite do canal que exibe o programa dele no Brasil. No mesmo ano, vi um kit bacana numa loja nos Estados Unidos e comprei. Trazia uns truques legais. Comprei também um livro chamado Hiding the Elephant, que contava a história da era de ouro do Ilusionismo, que se desenrolou principalmente aqui em Londres. Mas veio a mudança, umas caixas foram pra um depósito por engano e só voltei a tocar nessas coisas em junho, quando tudo foi colocado no apartamento novo. Aí, em setembro, vim pra cá e… esqueci o kit e o livro.

E daí? Aqui tem umas lojas muito melhores do que as brasileiras, uns sebos com livros por preços ridículos e, afinal, existe a internet. Mergulhei no assunto como uma forma de relaxar de management, marketing, operations… Virou minha nova obsessão. Sei lá, uma coisa divertida pra eu levar daqui. Sem distrações, eu posso ficar teinando o uso do baralho, das moedas. Vira uma higiene mental.

Entre as coisas que eu aprendi a fazer estão truques simples como o da moeda na garrafa e esse aqui que é beeem legal:

Ontem, fui fazer o truque com algumas cervejas nas idéias e errei um passo. Paguei mico, claro. Bárbara e Hiro, gente boa que são, nem me sacanearam. Hoje, meus amigos indianos acharam o máximo. Fazer mágica virou uma terapia, um experimento social.

Conte para os amigos!