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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos. E, se gostar do que leu, assine o RSS desse blog.

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O fim de uma era

Eu adoro passeios culturais. Então, mergulhei nos museus aqui de Londres ou simplesmente escolho um tema e vou ver esse ou aquele lugar batendo o pé mesmo. Mas, para quem cresceu numa cultura de consumo, ir a certas lojas também é uma forma de diversão. Pra mim, passear na Virgin sempre foi uma delícia. Cada vez que eu ia aos Estados Unidos para fazer qualquer coisa, rolava uma parada obrigatória na Virgin local (sem nenhum trocadilho, por favor). Em Londres, a mesma coisa.

Quando cheguei aqui em setembro, vi que a Virgin tinha sido vendida e virado Zavvi. Do vermelho, saiu pro verde e preto. Uma pegada forte em videogames e DVDs, seguido de camisetas e outros acessórios e com os CDs coadjuvando forte.

Ainda assim, tinha gosto e cheio de Virgin. Tirei meu cartão de estudante, que me dava 10% de desconto, e aproveitei algumas promoções. Mas, essencialmente, o que eu adoro é ficar bisbilhotando as prateleiras e lendo as caixas. Só isso. Acabo descobrindo uns fimes obscuros, uns documentários estranhos e umas bandas bizarras. Mais do que isso, me reencontro com muitas coisas que, na corrida vida digital, passam por você, rola aquela promessa de voltar naquele assunto e nunca mais. Pois encontrar fisicamente, ler a caixa… Coisa de velho, eu sei. Mas eu sempre adorei.

Voltei na segunda, mergulhei num trabalho que tinha que entregar hoje e não tinha tido a oportunidade de dar um passeio na cidade. Hoje, depois de entregar o trabalho, fui passear um pouco. Vi a Zavvi da Picadilly Circus e rumei pra lá para ver que estava… Fechada. Na véspera do Natal, a empresa entrou em administração de emergência e fechou um monte de lojas. Ao fechar, demitiu vários funcionários que eram atendentes. Hoje, já contam 300 e tantas demissões.

Dito isso tudo, o quanto eu curtia as visita às lojas, essa parte romântica e saudosa, vamos ser francos. Depois da visita, eu raramente levava alguma coisa. Comprei várias caixas de seriados ingleses que eu queria conhecer e pronto. O resto, virava lista de downloads. A verdade é que, por mais que eu adore o ambiente, sentia também uma sensação inquietante de que os dias daquilo ali estavam contados.

O comércio de produtos culturais, como conhecemos, está vivendo uma transformação brutal. De um lado, lojas físicas não têm a menor condição de concorrer em preço com a Amazon. É sempre humilhante ver que os vendedores não têm autonomia pra baixar um preço. Eu digo tchau, entro na Amazon e compro o item com frete grátis. De outro, as pessoas se interessam cada vez menos por ter as coisas. Pra falar a verdade, isso é bom. Eu é que sou maluco com meus milhares de livros e DVDs. Para que tudo isso? Basta ter um HD. Não estou nem falando de cópias ilegais, não. Falo de arquivos comprados legitimamente mesmo, oras.

Dos grandes varejistas de cultura pop, pelas minhas contas só sobrou a HMV. Por quanto tempo? Talvez seja mesmo o caso de que só há espaço para um grande varejista do gênero. O público menor vai naturalmente ocupar esse espaço e manter a empresa funcionando. Ou não. E vamos ficar sem HMV (e Cultura, Saraiva, Fnac…). O que virá a seguir?

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3 respostas para 'O fim de uma era'

  1. Trabalho Sujo » Arquivo » De portas fechadas - OESQUEMA Diz:

    [...] me cutucou ontem no Gtalk, pasmo, para dizer que a Virgin de Londres tinha sido fechada. Assim, do nada. Ele foi dar uma passada e, quando menos esperou, a loja havia fechado as portas. E [...]

  2. stanley Diz:

    putz, ontem na Picadilly tomei. . .o mesmo susto! Caraio. . .A VIRGIN QUEBROU. . .Virgen Maria. . .como pode? Qual sua teoria?

  3. Marcelo K. Diz:

    Realmente lamentável. Muito trágica esta notícia para mim.
    Nunca viajei ao exterior, e se um dia vier a viajar, jamais conhecerei a loja Virgin, que não sobrevieu à crise financeira e ao surgimento destas novas mídias eletrônicas que também até há pouco mais de uma década anterior (acho) já tinham feito quase que desaparecer por completo as mídias anteriores – falo do VHS. Hoje difícil de se achar VHS; só no Mrercado Livre, ou no centro da cidade (isso em Recife).
    E lemmbro ainda quando diziam que quando o VHS surgisse, o VHS iria acabaria com o cinema; o que na prática não aconteceu; foi o contrário. Daqui há pouco, Cds Dvds terão o mesmo destino…
    O IPOD veio pra ficar junto com outras mídias – e que devem durar por muito tempo…
    Só recentemente descobri que a Virgin não era apenas de grandes
    games 2D – que marcaram minha infânci, em games como Prince of Persa e Mortal Kombat – mas também de músicas trilhas para filmes, cds, dvds, etc.
    Apesar da tecnologia atual, acho que pioraram os filmes (principalmente em TV aberta; que bons tempo os filmes na sessão da tarde; hoje (séc XXI) só tem lixo quase…; mesmo em cinemas alguns deixam a desejar, games (que só interessa hoje são games 3D) e músicas, pois hoje em dia é tudo com efeito de bate-estaca e digitalizado.
    Várias lojas em Recife de música (como a Mega Store) e a Vivace (está última fecha esta semana no Shopping Plaza em Recife) já foram fechadas; a Livro 7 fechou há tempos. Só espero que a livraria Cultura não feche, pois é um dos últimos locais onde ainda se vende desde livros a CDS e DVDS de músicas. Mas do jeito que está uma bela hora há de fechar também, ou então, deve parar de vender CDS e DVDS e partir pra vendam de outras mídias como IPOD, Blue Ray, etc.
    É o fim os tempos…

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