A ironia e a tragédia

“Yeela Raanan says she would prefer not to know about the war in Gaza. She doesn’t want to see the pictures of dead children cut down by Israeli shells or read of the allegations of war crimes by her country’s army as it kills Palestinians by the hundreds.

But there is no escape. Raanan can hear the relentless Israeli bombardment by air, sea and land from her home, just three miles from the Gaza border. Hamas rockets keep hitting her community. And somewhere in the maelstrom of Gaza, her 20-year-old son is serving as an Israeli soldier.

If you do open your heart to the fact that 40 completely innocent people in a United Nations school were killed you have a very hard time. It’s difficult to open your heart to that place and also hold on to wanting the soldiers to succeed. It’s a very hard split in personality. I think it’s necessary but it’s a difficult thing to do.” Raanan says Israelis have dehumanised Palestinians to such an extent that they are no longer sensitive about who they kill. “It’s so difficult for them to put themselves in the place of someone who lives in Gaza. I guess you have to be able to dehumanise to be able to accept this type of war,” she said.”


Trecho do artigo, Why Israel’s war is driven by fear, do Guardian sobre o conflito em Gaza.

EU já vi esse filme tantas vezes. Dessa vez não postei nada aqui sobre o assunto, até agora. E leio sobre isso todos os dias em jornais do Brasil, dos Estados Unidos, da Espanha e da Inglaterra. Fico pensando no emaranhado de interesses, medos e ódios envolvidos nesse conflito absurdo e sem fim. Um conflito que levou um povo que sofreu uma das maiores violências do século passado, o Holocausto, a aprovar essas ações de seu exército.

Mas o fato é que não me considero aparelhado para ir além dessa constatação, dessa ironia triste.

As razões, de acordo com o interlocutor, vão variar imensamente. Algumas pessoas vão enxergar disputas religiosas, outras vão chamar atenção para o belicismo e expansionismo irsaelense ou para a absoluta irracionalidade do povo Árabe, que odeia os Judeus e pronto, num nível em que nenhuma negociação parece ser possível. E tem mais, muito mais. Mas é isso. Estou aqui na minha casa, tranquilo, no Brasil, enquanto as pessoas morrem ou têm suas vidas destruídas, suas famílias dizimadas lá longe, numa terra onde eu nunca pisei. Enquanto pessoas se desumanizam para evitar o sentimento de culpa pelas mortes causadas.

Eu só sei do conflito pelos relatos nos jornais e telejornais. Eu não estou lá e sei o (pouco) que sei por meio de um filtro chamado mídia, seja imprensa ou blogs. Daqui, tudo parece solucionável, né? Da minha poltrona, é um absurdo que as coisas não possam ser resolvidas com diálogo. Não são. Não vão ser. É a realidade. Haverá mais conflito, mais mortes. Um cessar fogo, um recuo. E, em alguns meses, outra tragédia, mais mortes e mais pressão. Até que algum fato novo se coloque no caminho. Espero, sinceramente, que esse fato novo seja algo bom e não um elemento externo de força e sangue. Espero, mas tenho poucas esperanças de que o que quer que aconteça não será algo ruim, que nos vai fazer lamentar antes de resolver qualquer coisa.

Conte para os amigos!