Português estranho

É impressão minha ou tem alguma estranha no estilo de redação do CineClick, um site do UOL. Hoje fui ler uma nota sobre Rambo 5 (!) e tinha construções como:

“Sim, estamos a fazer outro ‘Rambo’, mas o problema é saber se vamos fazê-lo na América ou em um país estrangeiro”, revelou o ator

No Brasil, não falamos assim. “Estar a fazer “é uma construção tipicamente lusa. E tem mais…

Sobre todas estas ideias, Stallone disse que “gostaria de aproveitar Rambo para outro gênero, experimentar um pouco com o personagem”, explicou. “Seria definitivamente não ser outro filme de guerra. Eu não posso ir mais longe do que aquilo com que eu tenha já feito”, finalizou.

Hello? Tem tantos erros de construção nessa frase que eu nem sei por onde começar. Eu hein.

Ilusionismo iluminista

Mágica pode aparecer de várias formas. Existem as ilusões feitas de pertinho, aquelas que parecem improviso total (e nunca são), as grandes ilusões, a matemágica e, no meio disso tudo, o mentalismo. É a capacidade de um performer de simular, por meio de truques e artimanhas, adivinhações diversas e poderes como telepatia ou telecinese.

Vejamos. David Copperfield é um ilusionista. David Blaine é um… Um… Bom, era pra ser um perito em sleight of hand (movimentos rápidos com as mãos) perfeitos pra mágica de rua. Mas resolveu virar batedor de recordes e perdeu o rumo. A lista poderia se estender aqui, mas vou ficar nos mais conhecidos. E aqui na Inglaterra o cara que está comandando o batatal é o interessante Derren Brown, que faz uma espécie de mentalismo moderno.

É preciso entender, antes de tudo, que mágicos são showmen. Eles inventam não só truques, mas atos, espetáculos inteiros. Truques, ilusões, são parte da equação. Embora sejam a parte mais popular.

Bom, eu tinha visto algumas coisa do Brown. A série Mind Control, episódios de Trick of Mind. Tinha ouvido falar de Roleta Russa, que causou controvérsia na Inglaterra. E ontem consegui ver The System.

O especial passou na TV britânica no dia 18 de fevereiro de 2008 e mostra um suposto sistema criado por Brown capaz de fazer uma pessoa ganhar seis vezes consecutivas apostas em corridas de cavalos. O espectador conhece Khadisha. Ela é uma mulher pobre que recebe dicas de Brown e começa a multiplicar seu dinheiro a cada vitória. Para provar que o improvável não é impossível, Darren Brown chega a mostrar que é possível jogar uma moeda dez vezes e cravar sempre cara. E não é que ele consegue? Sem cortes.

Na reta final, Khadisha pega dinheiro emprestado com familiares e aposta o que tem e o que não tem, confiando no poder do sistema de Brown. É quando ele finalmente resolve contar a verdade…

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Um prodígio da engenharia chamado Lost

Episódio 3 do quinto ano de Lost. Uau, uau, uaaaau! Será que alguém já fez na história da TV alguma coisa tão elaborada, bem bolada e encaixada como Lost?

Sim, porque, para quem está mais ou menos atento, esses episódios são um show de atenção dos roteiristas ao detalhe. Pecinhas mínimas soltas quatro temporadas atrás vão se encaixando de uma forma incrível.

Por exemplo, quando, láaaaaa na primeira temporada, Locke e Boone acharam o avião. Tudo se explica no episódio 2 do quinto ano, quando Locke é transportado pro momento em que o avião caiu e, ao chegar no local do acidente, toma um tiro de um dos Outros. Hum, então foi por isso que as pernas dele bambearam quando ele se aproximou do avião!! Click. Encaixou. Alpert o salva, entrega pra ele a bussola que, na temporada passada, ele levou até um jovem órfão chamado John Locke para testá-lo. É porque, no episódio dessa semana, Locke pede a ele que faça isso: “Eu vou nascer em dois anos. Vá lá pra conferir”. Click! E isso é só um exemplo.

Tudo vai se encaixando e o storytelling continua fluido. É bom demais. Ver Lost, assim como foi ver Sopranos, é assistir a um pedaço da história da boa TV sendo escrito. Aproveite.

BSG s04e12: tudo indo pro ralo

No episódio da última sexta, as peças começaram a se mover e já dá para sentir que vem um confronto complicadíssimo pela frente. Adama, Roslin e cia. se isolaram de tal forma que ficaram politicamente frágeis. Um golpe vindo dos civis, e intensamente infiltrado nos militares, é uma possibilidade palpável. E pior, não sei se o almirante e a presidente vão ligar para perder o poder.

Um dos temas recorrentes da série tem sido essa tendência ditatorial dos personagens. Adama concede poder aos civis, mas está sempre dobrando as regras quando acha mais conveniente. Roslin, então, nossa! Claro que, como estamos acompanhando os bastidores do poder, sabemos que eles sempre tomam as decisões por conta de motivações justas ou nobres. Mas não é assim que funciona. Um líder precisa ser transparente porque não há como, de longe, o povo ao qual ele deve prestar contas, saber onde começa a virtude e termina a trapaça. Uma das coisas que eu adorei foi quando, no ano 3, eles foram julgar o Baltar pelos seus crimes de guerra e Apollo o defendeu justamente endereçando essa mania da presidente e do almirante de fazer as coisas do jeitinho deles.

Mas voltando ao presente… Adama propõe uma aliança permanente com os cylons rebeldes e parece que é isso que vai levá-lo a sofrer uma ameaça de deposição, com o antes fiel Felix no centro. A coisa vai piorar muito antes de melhorar.

Antes que eu me esqueça, outro momento interessante foi a descoberta do Tyrol de que ele não tem um filho que seria um outro híbrido cylon-humano. O pai é outro. Uia! SIgnifica que Tyrol vai ficar menos e menos “humano”. Ou não?

Magicoterapia

É engraçado se ver longe de todo mundo, numa situação que não se parece com nada que eu vivi até agora. Eu comecei a trabalhar regularmente com 17, emendei na faculdade, depois no trabalho (que comecei antes de concluir a faculdade e acabou me atrasando na formatura) em que fui emendando uma coisa na outra e agora estou fazendo o mestrado aqui em Londres. Pela primeira vez em não sei quantos anos, não estou trabalhando regularmente. Tenho um monte de leituras pra fazer, trabalhos que me mantém ocupado e tudo mais. Mas é claro que me sobra algum tempo livre.

E nisso, retomei algumas paixões que abandonei sabe-se lá por que. Comprei uma caixa de Lego e gasto algumas horas por semana montando modelos. Uma delícia. Estou retomando algumas leituras de quadrinhos que parei em 2007, quando minha vida ficou tão complicada e confusa com mudanças de emprego, casa e tudo mais. Assim, estou concluindo a leitura de Y – The Last Man, que é genial.

E, ah, mágica. Sempre adorei. Quando era molequinho, fiquei meses namorando um kit de mágicas chamado Stelco Magie, que vinha com uma cartola e tudo. Mais velho, devorei alguns livros e em algum momento nos meus 20 anos, simplesmente abandonei completamente o assunto. Nem tanto… Quando estava na Folha de São Paulo, fui eu o repórter que desmascarou o Mister M, sabia? Fiz uma pesquisa mala, liguei pra todo mundo, achei uma revista com uma foto dele e fui, também, o primeiro a entrevistá-lo. Hoje parece bobagem, mas quando o assunto estourou lá nos EUA e aqui no Brasil, a coisa foi grande.

Quando fui a Las Vegas, em 2005, vi um show fantástico de David Copperfield que terminava com essa ilusão incrível.

Em 2006 comprei uns truques e me interessei de novo pelo assunto. Em 2007, fui acompanhar um truque do Chris Angel (que eu acho um mala sem alça) em Nova York, a convite do canal que exibe o programa dele no Brasil. No mesmo ano, vi um kit bacana numa loja nos Estados Unidos e comprei. Trazia uns truques legais. Comprei também um livro chamado Hiding the Elephant, que contava a história da era de ouro do Ilusionismo, que se desenrolou principalmente aqui em Londres. Mas veio a mudança, umas caixas foram pra um depósito por engano e só voltei a tocar nessas coisas em junho, quando tudo foi colocado no apartamento novo. Aí, em setembro, vim pra cá e… esqueci o kit e o livro.

E daí? Aqui tem umas lojas muito melhores do que as brasileiras, uns sebos com livros por preços ridículos e, afinal, existe a internet. Mergulhei no assunto como uma forma de relaxar de management, marketing, operations… Virou minha nova obsessão. Sei lá, uma coisa divertida pra eu levar daqui. Sem distrações, eu posso ficar teinando o uso do baralho, das moedas. Vira uma higiene mental.

Entre as coisas que eu aprendi a fazer estão truques simples como o da moeda na garrafa e esse aqui que é beeem legal:

Ontem, fui fazer o truque com algumas cervejas nas idéias e errei um passo. Paguei mico, claro. Bárbara e Hiro, gente boa que são, nem me sacanearam. Hoje, meus amigos indianos acharam o máximo. Fazer mágica virou uma terapia, um experimento social.

Banco Central… da Lua

Vi no Matias, que viu no Warren Ellis, que pescou no English Russia.

Assim como a Europa resolveu um monte de problemas com o Euro, imagine um mundo com apenas uma moeda? Tipo um Banco Central e uma central de impressão na Lua e nada de dor de cabeça com câmbio. Puxa, se fosse simples assim… O English Russia apresenta uma série de designs de notas imaginárias de um mundo com o Lunar (que o Ellis diz que são tiradas de uma idéia de realidade alternativa na qual os russos colonizaram a Lua, mas o blog russo não toca nesse assunto). Muito legal. Não deixe de olhar o blog russo, porque eles mostram um monte de outras notas lindas. Aqui, eu resolvi colocar Julio Verne.