Uma olhada na home da Globo.com dá nisso

Bando mexicano carregava o avião da fuga, mesmo assim foi pego.

Barack Obama. Um presidente forte. E com abdomem de tanquinho.

Acabou?

Jeff Jensen, da Entertainment Weekly, acha que estamos assitindo ao fim da era de ouro da TV. Se refere a produção de programas para o horário nobre. Já falo mais sobre isso.

Thundercats: um fã que tem a paciência além do alcance

Incrível o que um fã apaixonado com muita, muita paciência e talento pode fazer enfurnado em seu quarto por semanas e mais semanas. Um trailer falso de, uia!, Thundercats que usa imagens de Spy Kids, X-Men, Troia, Garfield e Pitch Black maquiadas com enorme habilidade no Photoshop, no After Effects e no Premiere mesmo. Resultado: filminho com Brad Pitt, Hugh Jackman e Vin Diesel, só pra começar.

Não sei por onde começar a elogiar. A escolha perfeita das cenas, a edição enxutinha (amadora, mas muito boa para o que é), a música e, por fim, a excepcional trucagem. Muito legal, hein.

Tchulla: 1992-2008

Tchulla

Eu sempre quis ter um cachorro quando era criança e minha mãe não autorizava. Cresci conformado até que, um dia, minha irmã apareceu com uma yorkshire já adulta lá em casa. O namorado de uma amiga tinha dado pra ela, a mãe da moça não quis a bichinha e a Anna resgatou pra nós. O nome era Tchulla.

Levamos no veterinário. Ela tinha por volta de quatro anos (isso significa que não sabemos a idade dela ao certo) e muito tártaro, otite, sarna, mais uma cicatriz de uma cirurgia. Talvez uma hérnia. Sabe-se lá o que foi. Adotamos a Tchulla e ela, no início, contava como cadelinha da Anna. Passou dias sem latir nem comer direito. Lembro dos primeiros passeios em que eu deixava ela me levar. Deixava ela me dizer a hora de parar. Eu tinha a sensação de que ela tinha passado por poucas e boas e merecia um desconto.

Nos primeiros dias, minha mãe, obcecada por limpeza, não queria a cadela passando da cozinha. Medo de ver xixi no carpete. Medo de ver cocô também, claro. Em poucos meses, Tchulla estava na casa toda. Em algum tempo mais, dormia com a minha mãe.

A história é típica. Um dia, eu fui embora pra São Paulo, minha irmã foi embora pro Canadá. Minha mãe ficou com a Tchulla e as duas foram ficando mais e mais ligadas. No meio do caminho, a Tchulla escolheu sua nova dona. Quando a Anna voltou e podia ter levado a Tchulla pra morar com ela e o Cris, já não fazia mais sentido. A dona dela era a minha mãe.

A Tchulla, com tantos anos, tem um monte de pequenas e grandes histórias. Um dia, quando eu já não morava mais lá, a Tchulla montou guarda na frente do banheiro de empregada por horas até minha mãe ficar intrigada. Quando o marido dela foi investigar e mexer ali, um rato apareceu e a foi a Tchulla que o espantou e o fez pular pela janela do segundo andar. Bizarro. Sabe-se lá como, um rato entrou no apartamento da minha mãe. Eu morei lá por 20 anos e nunca vi um nem de perto. Depois daquele dia, nunca mais se viu outro. Fiquei pensando se a Tchulla não tinha tramado aquilo para ficar bem com a família.

Tchulla se revelou também uma boa leitora de caráter. Um suposto amigo meu era sempre recebido com terríveis latidos pela Tchulla, que geralmente era tranquila com outras pessoas. Anos depois, ele se revelou um tremendo babaca com quem já não falo por quase uma década.

Ela e Sagan, meu maltesinho, tinham uma relação deliciosa. Foi Tchulla, aos 10, 11 anos, que tirou a virgindade dele. Deu uma de Mrs. Robinson. Ficamos com medo de que a Tchulla inventasse uma gravidez tardia. Mas aquele ato de luxúria acabou não rendendo frutos.

Tchullinha sempre foi carinhosa. E foi doloroso vê-la emagrecer, perder todos os dentes, ficar com o pelo mais ralinho e rouquinha com o passar dos anos. Um dia, descobrimos uns tumores. Ela passou por uma cirurgia, extraiu os focos e nunca mais teve nada. Estava velhinha, bem debilitada pela idade, mas saudável. Até que entrou em colapso de uma semana pra cá.

Aí, foi a minha mãe que começou a me preocupar. Minha mãe já teve um infarto. Hoje, tem 63 anos. Eu me vi tentando deixar ela mais segura de que a eutanásia seria uma opção viável. Tchulla estava com, acreditamos, 16 anos. Mal conseguia andar. Estava cega, surda e nitidamente gagázinha. Começou a ter episódios noturnos em que gritava desesperada e depois ficava prostrada. Teve convulsões. Estava fraca e, os exames constataram, com uma infecção. Era a hora de abreviar o sofrimento dela e de proteger a minha mãe também. Eu falei com ela por telefone, pedi que ela levasse a Tchulla para fazer eutanásia. Desliguei e meus olhos encheram de lágrimas. Pensei em como tinha sido fácil dizer aquilo de longe. Eu em São Paulo, num shopping, ela sofrendo com a Tchullinha no Rio. E um monte de coisas passou pela minha cabeça.

Ontem, minha irmã levou a Tchulla ao veterniário. Ele procurou a veia, fez ela dormir. Depois, uma droga para parar o coração. Foi rápido.

Peço desculpas por soar piegas. Mas não consigo me controlar. Eu fico lembrando de novo e de novo daqueles primeiros dias quando ela nem latia ainda, de tão desconfiada e assustada. Quando eu peguei cada grão da ração e fui dando pra ela. E ela comia devagar, com uma mistura de medo e cautela. Tímida. Aquela primeira refeição dela foi mágica pra mim.

Eu não a via havia meses. E não vou vê-la nunca mais. Achei essa foto legal que eu tirei dela muito tempo atrás. Eu tinha, junto com meu cunhado, uma livraria num prédio comercial. Lá no térreo, abriram uma pet shop. Um dia qualquer, eu tirei essa foto dela. Tinha uma luz de meio de tarde, ela estava linda, tranquila. Quero que essa seja a foto oficial da minha primeira amiga canina de verdade. A que me ensinou a realmente amar os cachorros pelas suas virtudes enormes, claro. Mas também pelas suas deliciosas imperfeições. Ela foi a primeira em tudo. E, por isso mesmo, foi a minha primeira cachorra que morreu e deixou esse vazio estranho.

Não há palavras pra descrever isso. É o fim. É o fim. É onde acaba tudo. É só uma cadelinha. Nem sabia fazer truques. Mas ficamos todos arrasados. Eu fico ouvindo de novo minha mãe dizendo que “a nossa Tchullinha se foi”. Ela não sentava, não dava a patinha. Era só a mascote que abriu meu coração para o que viria depois. E esse depois – obrigado, Tchulla – , com o Darwin e o Sagan, graças ao que você me ensinou, foi sensacional.

O desdém a Buffy (e a outras criações a cultura pop) me dá sono

É engraçado. Eu não sou fanático. Aprecio vários tipos de entretenimento, sou um consumidor contumaz de filmes, livros, música e gosto de alguma coisa, desgosto de outras. Fora momentos em que brinco com meu interesse por esse ou outro produto cultural, sou uma pessoa razoável.

Então me canso um pouco quando vejo as pessoas falando bobagens a respeito de certas obras culturais. Você pode ver isso quando alguém desdenha de Jornada nas Estrelas, ignorando que foi um dos mais infulentes seriados de ficção científica da história. Como qualquer produto feito em série para uma indústria, tem altos e baixos. Mas seu conjunto da obra é relevante a despeito de implicâncias e opiniões pessoais.

Dos meus seriados queridos, o que eu mais vejo ser sacaneado é Buffy – A Caça Vampiros. E em 99% das vezes só ouço simplificações sem sentido. As pessoas que dizem que a série é uma bobagem na enorme maioria das vezes, viram um episódio. Fora de contexto. Quando viram. Humm. Dizem isso da série que entra sempre nas listas de melhores da história da TV de nove entre dez críticos.

Em geral, dizem isso por causa do nome. Buffy. Caça. Vampiros. Buuuuu! Diz-se esse tipo de bobagem ignorando, claro, que o nome é exatamente uma piada com o gênero dos filmes B de terror. Buffy é a clássica mocinha loira que, invertendo as expectativas, revida os ataques dos monstros. É a vítima clássica que vira algoz. Ao fazer isso, desmembra e discute os arquétipos da adolescência, da entrada na idade adulta e do papel da mulher na sociedade. Não diz isso em um único episódio. Diz tudo isso no conjunto da obra, na união dos temas explorados ao longo de seus sete anos. É a natureza das séries, e das boas séries de TV fazer isso. É assim que elas vão além e que se tornam relevantes.

Aliás, na cultura pop, serializada, fragmentada, essa pulverização do sentido ao longo do corpo total da obra é muito comum. Da mesma forma, certas franquias que vão longe demais correm o risco de se perder, de não saber mais do que estão falando. Mas o fato é que, não importa que Jornada nas Estrelas, ou Homem-Aranha, ou Super-Homem tenham ido longe demais. Eles não perdem seu lugar na história por isso. E ainda, podem ser refinados e ajustados para novos tempos.

Buffy foi objeto de livros e teses acadêmicas. Mas, bom, vamos dizer que isso não é o suficiente para provar sua relevância. Provavelmente, há teses e livros sobre seriados ruins. Deve haver alguma coisa falando de Baywatch (SOS Malibu). Mas, bem, a crítica especializada sempre categorizou Baywatch como lixo. Ainda assim, podemos encontrar sentido lá. Mesmo que seja o sentido da imbecilidade e do lixo.

Provavelmente, a maioria dos fãs nem percebe o que está acontecendo e por que Buffy se tornou icônica para eles. Está na missão da crítica (oh, sim, a crítica tem essa missão. A crítica tem uma missão, sabia?) entender esses processos, acusá-los e identiíficá-los. Hoje eu estava lendo mais uma crítica de cinema sobre Crepúsculo, na Folha. Nem sei se o filme é bom, porque ainda não vi. Lá no meio, estava um comentário sobre Buffy. Como de costume, completamente equivocado. Fora de contexto. Me deu sono. Dormi na frente do monitor. Um pouquinho mais de esforço da próxima vez, por favor.

A qualidade da experiência no Submarino… láaa no fundo

O Submarino é uma daquelas vergonhas nacionais. É ruim, mal desenhado, os preços não são grande coisa, a entrega costuma falhar e atrasar. Mas vamos pensar mais especificamente na interface horrorosa. Eles tiveram, o que?, quase uma década para acertar esse site dos infernos. Anos e anos depois, o sistema é canhestro. Qual a desculpa? Na pior das hipóteses, façam uma cópia tosca do sistema da Amazon que já tem uma década.

O site da Amazon é tão bom, mas tão bom, que eu usei intensivamente na pesquisa da bibliografia inicial do meu mestrado. Você faz uma pesquisa de um livro, ele entrega vários no mesmo tema, sugere o que as pessoas que compraram aquele livro estão pesquisando, oferece dicas de novos livros. Se você monta uma wishlist, ele rastreia seus gostos e te oferece dicas interessantes do que você poderia se interessar.

Essas funcionalidades agora começam a aparecer na mal desenhada página do Submarino. E conseguem oferecer informações relevantes? Por que me sugerir livros de auto-ajuda quando eu nunca comprei nada do gênero? De onde eles tiraram que eu quero ler Aparecida Liberato e saber mais sobre numerologia?

Mas como você acha essas sensacionais dicas? Bem, clique em “Confira Sua Página Personalizada”. Aí entra uma outra página com dicas supostamente baseadas nas suas compras e pesquisas anteriores. Ali, no meio das opções, na barra da esquerda, você acha a sua lista de desejos. Tudo que na Amazon leva um, dois cliques, leva quatro no Submarino. Nem copiando eles acertam?

Quem joga sapatos?

Seguindo com a história dos sapatos lançados em cima do presidente Bush, um artigo do Times explica que, embora a ofensa tenha parecido patética para nós, tem lá seu peso para a cultura local. O artigo é mais engraçado do que bom, mas tem alguns momentos bacanas.

De qualquer modo, uma observação importante é que, se o tal sapatudo tivesse feito algo parecido durante a era Saddam Hussein, provavelmente teria sido trucidado.

(Eu falei sobre isso nos comentários do post anterior, mas vale repetir aqui. Como jornalista, me incomoda muito que um “colega” tenha quebrado o protocolo da profissão e tenha feito isso. Para que a imprensa possa ser livre e trafegar em todo tipo de ambiente, capaz de trazer informações para o público, é preciso cultivar a neutralidade a todo custo. Jogar sapatos e outros gêneros de protestos são um absurdo. O trabalho dele era ter feito uma pergunta decente, ter deixado o presidente em uma saia justa, eventualmente. Isso seria fazer seu trabalho como jornalista. Sapatadas são engraçadas e geram repercussão, mas não são parte da missão da profissão.)

Bons reflexos, hein!

Eu ia fazer, atrasado, claro, a piadinha sobre como o presidente Bush tem bons reflexos. Mas quando fui procurar o video no You Tube pra embutir aqui vi que todo mundo já falou disso.

Eu fico pensando na raiva do Iraquiano. O presidente foi lá e invadiu o país dele. Nem quando o cara está por baixo, quase saindo enxotado da Casa Branca, ele consegue o que seria um momento histórico para seu povo. Porque ia ser uma imagem histórica o vídeo do sapato gasto de um iraquiano pegando em cheio a cara de um presidente americano que ordenou a invasão do seu país usando justificativas falsas e infundadas. Mas ele errou. Ou melhor, Bush se esquivou. De mais uma.

Férias

De volta ao Brasil para um mês de esbórnia (nem tanto, com todos os trabalhos que eu tenho pela frente, mas o que importa é a intenção) já tomei meu primeiro porrezinho regado a caipiroska, linguiça com molho de maracujá e caldinho de feijão. Até torresminho, que eu não sou fã, eu comi.

Que “comida” boa…

Professor Layton desaparece em Londres (atualizado)

Há algumas semanas, saiu para o Nintendo DS, o jogo Professor Layton and the Curious Village (mais na Wikipedia e tenha uma idéia da reação da crítica no Game Rankings. EU li sobre e me interessei imediatamente. Um professor e seu assisitente são convidados a visitar uma viúva milionária e ajudá-la a resolver um enigma deixado por seu marido. Na aldeia, todos são apaixonados por quebra-cabeças e enigmas. O jogo oferece mais de 100 desafios intercalados por animações e interações bem sacadas. Tudo embalado numa direção de arte primorosa e numa trilha sonora inspirada. Eu tinha acabado de jogar Hotel Dusk, um jogo para lá de bacana e simplesmente me apaixonei por este. Os caras têm um senso de ritmo impressionante. O jogo nunca pára. A história avança em velocidade, propondo mais e mais desafios. Uma delícia.

Resultado? O jogo desapareceu das prateleiras. Sério. Por semanas, era impossível encontrar. Nada. Precisei da ajuda de uma amiga que comprou o jogo para mim na Alemanha. E lá, ela disse, achou o jogo na primeira loja em que parou.

Curioso. Será que tem alguma coisa a ver com a paixão dos ingleses por livros, filmes e jogos de mistério? Afinal, aqui temos a Murder One, uma livraria especializada em livros de mistério, imagens de Sherlock Holmes nas paredes da estação de Baker Street e até uma estátua do maior detetive do mundo na rua, em frente à mesma estação. Porque o jogo desapareceu aqui e é facilmente encontrável na Alemanha?

Para você sentir o drama do quanto o negócio é sensacional, dê uma olhada no trailer em japonês:

ATUALIZAÇÃO: E curta o trailer em inglês e, em seguida, um maluco que filmou os primeiros minutos de gameplay…