Marley e…

Acabei de ver Marley e Eu, baseado no livro homônimo. Filme feito pra família. Engraçado, divertido, tocante. Vou apanhar por isso, mas o filme supera o livro ao usar o pior cachorro do mundo como uma forma de discutir a família, as escolhas o envelhecimento, a felicidade escondida numa vida mais simples, medíocre até. Ao fazer isso, tornou a história ainda mais universal. A gente pode dizer que esses temas estavam também no livro. Mas ficavam escondidos atrás de todos os relatos de como Marley fez isso e aquilo. No meio dessas narrativas, os questionamentos de Grogan sobre suas opções ficavam meio que perdidos.

Da mesma forma, no filme alguns momentos marcantes a respeito de como Marley se comportava se perdem, não têm a mesma força. Por exemplo, o dia em que ele fica quietinho consolando Jenny (Jennifer Aniston). No livro, com o poder e o tempo da prosa, Grogan pode sublinhar o fato de que Marley, que nunca parava, ficou completamente diferente naquele segundo. Ou ainda o dia em que uma vizinha é esfaqueada e Marley age como um cão de guarda, ficando de peito estufado a vigiar a entrada da casa. Tudo isso se dilui na fluência do filme. O diretor David Frankel (de O Diabo Veste Prada) se recusa a usar o recurso deselegante do narrador além do necessário. No fim, achei uma decisão acertada.

Para isso, o roteirista Don Roos (que escreveu e dirigiu filmes bacanas como O Oposto do Sexo) usou alguns truques que podem incomodar quem leu o livro. Criou um personagem que faz as opções opostas às do protagonista. Um solteirão convicto, bem sucedido profissionalmente, que é tudo que Grogan (Owen Wilson) queria ser. Além disso, temos menos cachorros e mais seres humanos na história. Mas não deixa de ter labradores fofinhos. E também tem um fim triste. Não sobrou nenhum olho seco no cinema.

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