JCVD: Van Damme, sem cortes

EU falei de JCVD aqui algumas semanas atrás. Comecei a ver no outro dia, terminei hoje. Bom filme. Idéia interessante, mas o que mata a pau mesmo é o desempenho de Jean Claude Van Damme. Na abertura, ele faz uma cena de luta longa, sem cortes, cheia de golpes, explosões e dublês pulando e caindo por todos os lados. Depois do que parece durar uns três minutos, ele começa a perder a força e a precisão. É isso mesmo. ELe termina a cena e reclama com o diretor: esse take é muito longo. Eu não consigo fazê-lo de uma vez. Não tenho mesmo fôlego, não sou mais um menino.

O que segue é Van Damme enfrentando uma disputa judicial pela guarda da filha e, financeiramente quebrado, tendo que aceitar um papel numa continuação porcaria. Em Bruxelas, na Bélgica, ele entra num banco para tentar tirar algum dinheiro e acaba no meio de um assalto com reféns.

Se fosse um típico filme de Van Damme, ele desceria o braço em todo mundo e resolveria a parada. Mas estamos no terreno da metalinguagem, da autorreferência, no pós-reality show. Esse é o Jean Claude Van Damme de verdade, que tem medo de morrer. Que não sabe como resolver essa situação.

No terceiro ato do filme, ele entrega uma cena mais densa, mais complexa do que aquela do início. Não tem luta. Ele está sentado. Parece teatro. É um monólogo de cortar o coração, olhando para a câmera. Falando sobre seus erros, as drogas, amor e a fantasia dos filmes. Genial. Vale o filme. Se falhou na abertura, essa cena ele entrega lindamente. Em um longo e doloroso take.

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