Resenhas deliciosas na Amazon

Eu falei aqui, alguns meses atrás, das resenhas destrutivas na Amazon a respeito do jogo Spore. Pois esses dias, com muito atraso, descobri as sensacionais resenhas da Bic Cristal na Amazon britânica. São simplesmente sensacionais. Tem um cara que reclama que uma caneta Bic furou seu olho. Outra é de um “sequestrador” que afirma que resolveu, por conta dos métodos de identificação via teste de DNA, parar de mandar cartas escritas com sangue para pedir resgate.

“Being a career criminal, extortionist, and blackmailer, i take great pride in the threatening letters I dispatch to my victims and their immediate family. For years I have used my own blood, because it’s always handy. Recently however, advances in DNA profiling have meant that I’ve had to consider other mediums as an alternative writing material.”

Uma mais brilhante e espirituosa do que a outra.

Aí, basta puxar o fio e vão surgindo as resenhas como esta da… Bíblia:

“This book doesn’t work. I’ve tried the “praying” method to get a new Porsche 996 delivered but to no avail. There’s nothing in the instructions about not wanting German sports cars but I tried praying for less ambitious things. I gave up when it didn’t even get me a Big Mac. In the early part there’s a bit about people crossing the desert and being sustained by manna from heaven, so you’d think that it would be able to manage at least a hamburger. “

Do leite integral toscano:

“With Tuscan, you feel the love of every dairyperson involved — from the somewhat sad and deranged farmhand shovelling steaming cowpies to the bored union milk maiden dreaming of leaving this soul crushing life behind for a job waiting tables for obnoxious American tourists in Siena. But not too fast — sip gently, slowly, or one is in danger of not only missing the subtleties of the milk’s texture and its terroir, but — if chilled too long — also of giving oneself a blinding ice cream headache. Nay, savor the goodness that only dairymen and dairywomen working at the apex of their craft can deliver. Tuscan is best drunk young — no, no, don’t cellar this gem — I guarantee you’ll be sorry if you do. I recommend pairing with freshly baked macadamia nut scones. Milk Expectorator gives this one a 92. “

É oficial: virei fã do gênio Garth Marenghi

Garth Marenghi é um gênio. Um autor de romances de terror que, nos anos 80, vendeu uma série para o Channel 4 chamada Dark Place. É o nome de um hospital (você iria num hospital com esse nome?) em que trabalha Dr. Rick Dagless, um médico completamente obcecado pelo oculto. A série foi arquivada nos anos 80 por ser considerada, segundo Marenghi, muito ousada e inovadora.

Alguns anos atrás, durante uma terrível crise de conteúdo, o Channel 4 resolveu ir buscar material do passado e teve a coragem de exibir a série. Como era uma reliquia perdida dos anos 80, eles tiveram a manha de adicionar comentários de MArenghi e seu agente e parceiro de crime, Dean Learner. Abriu a Caixa de Pandora…

Na série, escrita, dirigida e protagonizada pelo genial e multitalentoso Marenghi, uma porta para o inferno se abre no hospital e o Dr. Rick tem que lidar com os fenômenos estranhos… e com os efeitos absurdamente ruins, as interpretações toscas, a direção e edição inacreditáveis… que são propositais.

Dark PLace é uma série humorística genial que teve apenas seis episódios e virou cult na internet. EU achei o DVD por uma barganha e trouxe para casa. Bom, posso dizer que eu ri como se não houvesse amanhã. Os cenários são propositalmente terríveis, a edição de som é abaixo de qualquer crítica, as atuações são de chorar de tão ruins. Tudo milimetricamente calculado para ser terrível. E por isso mesmo, soa incrível.

Bom, você pode conferir o genial primeiro episódio aqui, em inglês.

E pode saber mais sobre a série na Wikipedia ou no site oficial do “gênio” Garth Marenghi

De quem é a culpa?

(Vídeo dica do CrisDias)

Se o Brasil é um país capitalista, com um mercado livre, é certo proibir certo tipo de propaganda? Bom, eu volto sempre ao tal contrato social. Há que se ter regras para decidir o que é ético e o que quebra princípios básicos. Então, propaganda de cigarros era mesmo uma aberração. Ou será que não? Afinal, temos propaganda do Mac Donalds, cujos produtos causam hipertensão e apenas contribuem para a epidemia (ou pandemia?) de obesidade. Temos propaganda de cerveja, não é mesmo? Temos propaganda de remédios, que, se usados de forma irresponsável, podem fazer mal. Bom, mas remédios e comida têm outra função: curar e alimentar. Cigarros, noves fora o prazer que proporcionam, apenas fazem mal. Há que se ter uma lógica a permear essas decisões. Há que se ter um princípio justo. E há que se ter, é claro, discussão.

Eu não sei se o princípio desse documentário está certo. Mas, putz, isso me preocupa e eu sou, pelo menos em princípio, favorável ao estabelecimento de regras para a veiculação de publicidade desse tipo. Acho ridículo proibir simplesmente, porque brinquedos são o que são, brinquedos. Não têm função destrutiva. E os fabricantes têm o direito de avisar ao público, por meio de publicidade, que estão vendendo este ou aquele produto. É um princípio básico e inalienável do livre mercado. É tão simples que muitas pessoas esquecem.

Só acho que os próprios publicitários deveriam se mexer e estabelecer seus princípios. O que acontece em geral é que o governo geralmente se mexe quando o abuso passa muito dos limites. E o que estamos vendo é um problema duplo: pais que se omitem e deixam a TV cuidar dos filhos e uma publicidade predatória. Então, só atacar o problema regulando a publicidade não vai resolver nada. Mas fazer alguma coisa, é melhor do que ficar assistindo. Esse princípio básico de agir a despeito de não ser a solução perfeita é o que norteia diversas campanhas. O argumento a favor da omissão só serve aos publicitários, que continuam fazendo a festa. A pressão de uma legislação é exatamente o dispositivo social que causa as mudanças. Não que funcione sempre, mas é alguma coisa.

O fim de Vic Mackey (com spoilers)

Falta só mais um episódio. Eu tenho a impressão de que Vic Mackey vai morrer no final. Essa temporada foi sensacional. Sen-sa-cio-nal. Do meio para cá, a coisa ficou mais desesperadora. Vic perdeu o distintivo e passou a perseguir seu ex-amigo Shane, que está há vários episódios fugindo com a mulher grávida e o filho pequeno. Como ele é um perfeito imbecil, só fez uma besteira depois da outra, claro.

No episódio de ontem, Vic conseguiu um acordo com os federais que lhe dá imunidade por todos os seus crimes. Mas não conseguiu incluir o parceiro Ronnie Gardocki no acordo. A cena em que Mackey confessa todos os seus crimes é terrível. É o momento em que você, o espectador que meio que se pegou torcendo por ele em vários momentos entende que Vic se tornou um monstro, um homem completamente sem moral. No fim, ele, o defensor da lealdade absoluta entre seus amigos, acaba entregando Ronnie, a única pessoa que lhe foi absolutamente fiel, para salvar sua ex-mulher, que ele não sabe que o traiu.

The Shield virou o mais complexo e impressionante retrato da degradação moral da polícia, do governo, de qualquer um. É uma crítica ao “só dessa vez”, ao “tudo bem, eu sei o que estou fazendo”, aos fins que justificam os meios. O que a série retrata é a forma como o vale tudo vai corrompendo de forma assustadora e os heróis perdem o rumo e se tornam monstros. Numa cena alguns episódios atrás, a ex-mulher de Vic diz com um olhar nostálgico que ele era um homem até doce, quando mais jovem.

Quando você vê Vic contando seus feitos terríveis, você sofre. Ele começa hesitante. Em poucos momentos, vai mudando o tom, e começa a falar sem sentimentos, sem emoção. Em seguida, está quase se gabando. Nem preciso dizer que Michael Chiklis merecia um Emmy por esse personagem. Por essa cena. Quando termina, a agente que o ajudou a conseguir o acordo, sem saber a extensão dos crimes cometidos por ele, está enojada, revoltada. “Você tem noção do que me fez fazer?”, ela pergunta. “Eu ja fiz coisa muito pior”, ele diz pra ela, comuma expressão dura. Fim do episódio.

Semana que vem, teremos a resolução de toda trama. Pra mim, Vic morre pelas mãos de Ronnie. Não consigo imaginar uma situação em que o personagem saia vivo. Não há mais saída, não há redenção, não há nada. Nada.

Eu acredito em fazer o bem. E você?

Dica da Baxt, essa organização prega tolerância religiosa MÚTUA.

Eu sou ateu. E daí? Sigo as regras de ouro. Simples assim. E você. Está preparado para fazer isso, seja qual for sua religião? Já faz isso? Que ótimo!

Sem cinismo. Esse tipo de iniciativa pode parecee cafona, inocente até. Mas pensar de forma tolerante é algo completamente válido acima da ironia e do sarcasmo. É básico.

Ai, ai, ai… (atualizado)

EU estava conversando com uns amigos no outro dia sobre como o capitão Kirk foi um dos meus heróis de infância. Quando conheci William Shatner no ano passado, o achei um verdadeiro babaca. Mas Kirk, putz, Kirk era o cara.

Ele, Kirk, parece estar prestes a voltar com tudo.

(Veja com legendas e uma apresentação do J.J. Abrahms no Omelete)

Sacrifício único

O G1 conta que a fila para carregar bilhete único certas vezes demora mais do que a viagem do metrô. Mais um exemplo de sistema implantado do típico jeito meia-boca no qual nós brasileiros somos experts. O bilhete único é um caminho sem volta, então temos que tomar vergonha e implantar o negócio direito. Estações de recarga autiomática, recarga pela internet, recarga no banco eletrônico. Chega desses quiosques toscos nas estações e dessa única opção tapa-buraco de recarga na lotérica. Não tem desculpa. É incompetência pura.

Preciso dizer que aqui em Londres é muuuito diferente? Que a classe média usa o metrô em peso (o que no Brasil é diferente, e uma vergonha) e todo mundo tem seu cartãozinho, o Oystercard. No meu caso, eu entrei no website, preenchi um formullário, enviei uma foto minha por upload e recebi um cartão de estudante que me dá 30%. Caramba, a tecnologia e o knowhall estão todos disponíveis para nós. Não é nada fora do comum. Mas tem que querer mudar as coisas. Alguém quer?

É da sua conta?

O Diário de Bordo aponta para esse fantástico vídeo do Keith Olbermann, da MSNBC. Fantástico, emocionado, talvez longo demais para a TV, mas muito legal. Ele fala da proposition 8, que baniu o casamento gay da Califórnia. É simplesmente inaceitável, inacreditável que alguma pessoa tenha a coragem de achar que pode dizer o que uma outra pessoa poderia ou não fazer com sua vida pessoal. Esse é um ponto que eu nem aceito mais discutir. E olhe que eu conheço algumas pessoas assim. Tenho dó da cegueira alheia.

O Pablo Villaça ainda teve a manha de colocar uma transcrição traduzida no site. Vale uma lida.