Johnny Mad Dog

Não estou conseguindo ver tantos filmes quanto eu queria, mas estou lutando com unhas e dentes, ehehhehe.

Na sexta, vi Johnny Mad Dog. Eu sei que é maldade ficar fazendo que nem os americanos e imediatamente associar um filme a outro pra ajudar a rotular. Bom. Desculpe, mas eu vou fazer isso e pronto.

Johnny Mad Dog é o Cidade de Deus dos franceses (e belgas e liberianos).

Feita essa comparação simplista, vamos em frente. O filme conta a história de um pelotão de soldados-crianças, os Death Dealers, em um país africano que, no filme não tem nome, mas no livro original é o Congo. Você acompanha aqueles garotos fazendo todo tipo de atrocidade e vai ficando sem fôlego, sem esperança. Você entende que aquilo é desesperadoramente real.

É engraçado aqui ver como é possível fazer um filme desses, ter estilo e não cair na armadilha que, por exemplo, Tropa de Elite se deixou entrar: o de soar como filme de ação. Johnny Mad Dog não se deixa soar irreflexivo (e, meses depois, com dor no coração, tenho que dizer que Tropa de Elite, em vários momentos, soa irreflexivo, sim), nem adiciona nenhum glamour ou tensão lúdica (isso TE tem, e muito. É do que eu estou falando) ao que está acontecendo em cena. O que rola é tristeza mesmo, é uma miséria e uma ignorância de valores sociais básicos.

E o truque aqui é simples e está em uma informação que eu omiti na primeira descrição do filme, logo aqui em cima. Ele não conta só a história de Johnny e seu pelotão. Metade do foco é dedicadoa uma menina que tem sua vida tocada pelas atrocidades da guerra quando os Death Dealers invadem a sua cidade. Ela vai desesperadamente tentar salvar o pai e o irmão mais novo. É graças à ela que o filme ganha uma bussola moral, uma reflexão, um questionamento. É ela quem vai arrematar a história e dar sentido ao roteiro. Quando ela é caçada ou ameaçada, o tom não é de suspense, de tensão. Não é naaada lúdico. É só terror, um medo de que ela vá morrer. Porque, em filmes como esse, a absoluta falta de qualquer base moral dos personagens faz todos os personagens estarem em constante risco de morte.

O filme ganhou uma menção honrosa em Cannes e foi visto aqui com enorme interesse, sala cheia e tudo mais. Acho que ainda vai dar o que falar, porque é bom mesmo.

Conte para os amigos!

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