O fim (de The Shield) está próximo


Chiklis (que interpreta o Coisa em Quarteto Fantástico -ugh!) encarna Vick Mackey, o anti-herói de The Shield

Alguns anos atrás, numa viagem de trabalho a Los Angeles na qual o ponto alto foi a visita ao set de 24 Horas, eu comprei a caixa com a primeira temporada de The Shield. Tinha lido um artigo elogiando o programa e o preço estava tão bom que eu resolvi arriscar.

O protagonista é o detetive Vic Mackey, interpretado pelo formidável Michael Chiklis. Veja só, Michael tinha feito comédia antes. Ninguém acreditava que ele poderia interpretar um personagem tão denso e complicado. No primeiro episódio, Mackey, que deveria ser o policial-herói, mata um outro policial da corregedoria que o estava investigando. Esse evento marcante é o que vai perseguir o personagem e seus colegas policiais corruptos por toda a série. É o momento em que Mackey, definitivamente, de forma inapelável, vira um criminoso. Todo o bem que fizer depois, não compensa esse mal. Para tentar escapar de uma punição ele vai se afundando mais e mais.

Ao mesmo tempo, uma das grandes virtudes de The Shield é a complexidade, ambiguidade, profundidade dos personagens. Walter Goggins, que interpreta o odioso Shane Vandrel, é fantástico. Um ator incrível que dá vida a um dos caras mais insuportáveis que eu já vi na TV. Cada expressão, cada sorriso, cada hesitação têm um motivo para estar ali. É técnica misturada com intução. Um trabalho impressionante. É como se Shane existisse na vida real. Como se você pudesse cruzar com aquele desgraçado por aí.

Tem também o incrível Jay Karnes, o detetive Dutch Wagenback. É o mais exemplo perfeito do macho beta. É inteligente, sensível, brilhante. Se veste mal, não tem muita sorte com as mulheres e quando uma delas corresponde suas desajeitadas investidas, é completamente inábil. Jamais seria o protagonista, embora você goste tanto dele que deseje vê-lo estrelando uma série. É aquele cara que você adora, mas que vai ficar no pano de fundo. Vem aqui, brilha um pouco. Mas precisa voltar para trás para que o alfa, no caso Vic, brilhe intensamente.

E, claro, um seriado como esse é o resultado de um time de escritores inacreditavelmente bom. As tramas vao se sucedendo de forma orgânica, pequenos detalhes viram grandes, enormes problemas meses depois de terem acontecido. Fantasmas do passado ressurgem. É, de novo, como a vida real. Só que mais emocionante, mais turbinado e dramático.

Ano passado, eu fui para os Estados Unidos fazer entrevistas com os elencos de vários seriados e um deles era The Unit. Prazer enorme falar com Shawn Ryan, o criador de The Shield. EU, claro, dei um jeito de sair de The Unit e puxar assunto sobre uma das minhas séries prediletas. Ryan é um apaixonado por esse caráter épico dos bons seriados. Só ali você pode contar uma trama gigante que vai se espalhar por, no caso, sete anos. Dentro de algumas semanas, acaba o sétimo e último ano. Estou ansiosíssimo. Vou finalmente saber o destino de Vic, de Vandrell, de Dutch. Quem morre, quem vai preso, quem segue com sua vida. E vou ficar com muitas saudades de poder espiar a vida desses personagens sensacionais.

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