A Poke é a Colméia londrina. E lá os caras sabem se divertir em grande estilo…
Monthly Archives: outubro 2008
Propaganda Eleitoral… Milionária (!)
O vídeo milionário de Barack Obama fez história ontem. Ele colocou essa peça de quase meia hora no horário nobre de três grandes redes de TV e mais alguns canais menores. O vídeo é muito, muito bem feito, como era de se esperar. Obama é muito bom no relacionamento com a câmera e realmente conduz o show com habilidade. E, pra piorar, o “documentário” é interessante de se ver. É entretenimento. De um jeito ou de outro, é um marco.
Tira a ferrugem
Quase todo dia, eu acordo, vou pra academia que fica a, sério, tres minutos do meu apartamento e faço pelo menos 30 a 40 minutos de esteira. Uma promessa que eu fiz pra mim foi me cuidar, comer vegetais todos os dias e não me deixar cair na dieta de “solteiro” solitário: macarrão instantâneo, comida congelada…
Assim, tenho orgulho de dizer que tenho feito carne moída, arroz, bife. Que tenho cozinhado brocolis e couve-flor, cenoura, abobrinha, pepino e vagenm. Me esforço para comer isso todos os dias. Mas é difícil resistir à batatinhas fritas sabor sal e vinagre. Eu descobri isso numa viagem anterior e me apaixonei. Mas acho que a fissura começa a passar.
Bom, o caso é que, com isso tudo, ainda não tinha jogado futebol. Hoje dei de cara com umas figuras se juntando no gramado aqui do lado da minha casa. Do lado mesmo, tipo dois minutos me arrastando no chão (kidding…). Cada um com uma camisa de time ou seleção. Virei um menino de novo e corri pro quarto pra colocar minha camisa da seleção brasileira. Mas, ops, estava frio demais. Coloquei ela por baixo da camisa quentinha e fui na direção do gramado pensando em como ia pedir pra jogar. Nem precisei. Eu me aproximei e os caras foram supersimpáticos. Me chamaram pra jogar imediatamente e eu estou simplesmente destroçado. Dói tudo. E amanhã, vai ser pior.
Eu estava há muuuuito tempo sem jogar futebol. Então foi uma experiência engraçada. Você quer fazer uma coisa, seu cérebro sabe o que é, mas seu corpo não responde. Além disso, eu tenho 36 anos e a molecada era toda na casa dos 22 a 26 anos. Já viu, né? Mas o prognóstico é animador. Enquanto eu tive fôlego (nos primeiros 10 minutos, shame on me!) eu até que me saí bem. Mas depois, eu me arrastava e chegava atrasado em tudo. Se a gente tiver a sorte de conseguir jogar toda semana, vou começar a me sentir normal já já. Isso, claro, com a ajuda da esteira diária. Futebol uma vez por semana não adianta nada pra forma física.
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Cante comigo!!
O primeiro mês
Saí do Brasil no dia 27 de setembro. Cheguei aqui na manhã do dia 28. Não preguei o olho no avião. Passei pelas formalidades de imigração e parei no aeroporto mesmo para tomar um café da manhã. Peguei um taxi, fiz check-in no dorm, paguei e entrei no apartamento vazio, semi-decorado: uma cama, cadeiras, armário, mesas, geladeira, fogão.
Hoje eu acordei num quarto cheio de livros, com a cozinha de panelas, pratos, copos, o armário cheio de roupas, o The Guardian de ontem em cima da mesa. Fui malhar, corri pra aula das 10h e segui tendo aulas até 19h. Saí e peguei uma chuva gelada. Entrei no meu quarto todo molhado, com cuidado para não estragar o carpete.
FOi quando o Will me disse, pelo gtalk, que eu estava com sorte. “Por quê?”. Está nevando, ué? Olhei pela janela e o gramado lá fora começa a ficar branco. Um monte de estudantes brinca no frio. Afinal, cada um é de um canto do mundo. Alguns deles estão vendo neve pela primeira vez. E mesmo para quem está acostumado, muitas vezes é motivo de um assombro gostoso.
Então, legal. Muito legal. Sabe como é. Comemoração do primeiro mês é assim mesmo.
União, errr, inesperada

Minha estante começa a ganhar graça.
Não é só engraçado, é muito bem feito
O tal vídeo em que Obama e Mc Cain se “enfrentam” numa batalha de dança (com uma participação especial de, claro, Sarah Palin) não é só engraçado. É que é muito legal, muito bem feito. Bacanérrimo.
A trucagem, mesmo caseira, é muito bem executada, considerando o orçamento ridículo. Tudo foi feito com câmeras digitais e sistemas de pós-produção caseiros: sejam eles Premiere, FInal Cut ou qualqer genérico do After Effects que exista por aí. Se você não viu, vá dar uma olhada, porque vale.
Fritura
O Friars Club é um clube privado de Nova York onde rola, todo ano, o roast de uma personalidade. E o que é um roast? É um evento em que amigos e fãs se empenham em sacanear o homenageado de todas as formas, possíveis, contando todo tipo de piada absurda. Na verdade, é uma homenagem tida como uma enorme honra. E o evento, justamente pare ser sem censura (no sentico de que qualquer piada é válida), é fechado à imprensa. Nada de fotos nem gravações.
Este ano, foi a vez de Matt Lawer. Ele é desconhecido por aqui, mas vale saber que é o cara que “nocauteou” Tom Cruise com aquela famosa entrevista sobre cientologia e a psiquiatria. Junto com o mico no sofá da Oprah, parece ter danificado seriamente a carreira de Cruise, até então uma espécie de midas.
A Entertainment Weekly apresenta um sensacional relato do roast de Lawer, que contou com Cruise fazendo mil piadas e depois sendo sacaneado. De alguma forma, parece que tudo que ele faz para ser visto como cool, para recuperar o mojo, se volta contra ele. Incluindo a participação especial em Trovão Tropical, o filme bacana, mas irregular, de Ben Stiller.
Johnny Mad Dog

Não estou conseguindo ver tantos filmes quanto eu queria, mas estou lutando com unhas e dentes, ehehhehe.
Na sexta, vi Johnny Mad Dog. Eu sei que é maldade ficar fazendo que nem os americanos e imediatamente associar um filme a outro pra ajudar a rotular. Bom. Desculpe, mas eu vou fazer isso e pronto.
Johnny Mad Dog é o Cidade de Deus dos franceses (e belgas e liberianos).
Feita essa comparação simplista, vamos em frente. O filme conta a história de um pelotão de soldados-crianças, os Death Dealers, em um país africano que, no filme não tem nome, mas no livro original é o Congo. Você acompanha aqueles garotos fazendo todo tipo de atrocidade e vai ficando sem fôlego, sem esperança. Você entende que aquilo é desesperadoramente real.
É engraçado aqui ver como é possível fazer um filme desses, ter estilo e não cair na armadilha que, por exemplo, Tropa de Elite se deixou entrar: o de soar como filme de ação. Johnny Mad Dog não se deixa soar irreflexivo (e, meses depois, com dor no coração, tenho que dizer que Tropa de Elite, em vários momentos, soa irreflexivo, sim), nem adiciona nenhum glamour ou tensão lúdica (isso TE tem, e muito. É do que eu estou falando) ao que está acontecendo em cena. O que rola é tristeza mesmo, é uma miséria e uma ignorância de valores sociais básicos.
E o truque aqui é simples e está em uma informação que eu omiti na primeira descrição do filme, logo aqui em cima. Ele não conta só a história de Johnny e seu pelotão. Metade do foco é dedicadoa uma menina que tem sua vida tocada pelas atrocidades da guerra quando os Death Dealers invadem a sua cidade. Ela vai desesperadamente tentar salvar o pai e o irmão mais novo. É graças à ela que o filme ganha uma bussola moral, uma reflexão, um questionamento. É ela quem vai arrematar a história e dar sentido ao roteiro. Quando ela é caçada ou ameaçada, o tom não é de suspense, de tensão. Não é naaada lúdico. É só terror, um medo de que ela vá morrer. Porque, em filmes como esse, a absoluta falta de qualquer base moral dos personagens faz todos os personagens estarem em constante risco de morte.
O filme ganhou uma menção honrosa em Cannes e foi visto aqui com enorme interesse, sala cheia e tudo mais. Acho que ainda vai dar o que falar, porque é bom mesmo.
