Sexta foi meu último dia como diretor de redação de Época São Paulo. Esta semana, entro em férias e aproveito para resolver os últimos detalhes da minha ida a Londres, no sábado que vem. Na semana que vem, começo o curso.
Foi um dia estranho. Em muitas coisas, igual a vários outros. Mas a cada um que ia embora com o fim do fechamento da edição, vinha um abraço apertado. No fim do dia, sobramos eu e o Furquim, editor de arte. Eu desliguei o computador, peguei minha mochila e ia saindo. Aí me toquei, de um jeito meio bobo, é verdade, que era a última vez que eu fazia aquilo. Olhei para trás uma última vez, saquei o celular e tirei uma foto.

O último ano foi intenso nesses fins definitivos. Estou com 36 anos e acho até que essa sensação demorou pra chegar forte. Saí da casa da minha mãe em 1997. Quando vou lá, reconheço algumas coisas. Mas meu quarto não existe mais. O da Anna, também não. Os móveis mudaram, o piso mudou. Em O Portão, de Roberto Carlos, “Tudo está igual como era antes, quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei, e voltei”. Na minha vida, eu, a casa, tudo mudou.
Aqui em SP, me mudei para um apê em 2001 e fiquei lá até dezembro de 2007. FOi quando a “tempestade” se instalou. Mudei de casa, de revista, de redação. Em janeiro, enquanto minha redação nova não ficava pronta, eu me mudei duas vezes de mesa, telefone. Enquanto isso, não tinha casa definitiva, porque a papelada rolava na compra do apartamento novo. Depois, veio a notícia da bolsa de estudos quando a ÉPoca São Paulo já estava engrenada. Ir ou não ir? Tô indo. No meio disso tudo, comprei o apartamento, me mudei em junho e, mal me acostumo com isso, estou indo pra outro lugar. Então, estou aqui organizando as fotos e olhando pra imagens de duas mesas diferentes que não existem mais: a da São Paulo e a da MONET. Olho pra uma foto do Darwin e do Sagan na sala de estar do apartamento que vendemos no ano passado e que foi completamente reformado pelo novo dono. Vejo o Sagan pequenininho no meu velho quarto da casa da minha mãe, que só pertence ao passado. Está tudo novo. Tudo seguindo seu caminho e eu sinto… medo.
Nada é hoje o que foi ontem. E amanhã. Caramba. Como será?