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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Editorial x Comercial

Eu já falei disso antes, mas sempre vale voltar ao assunto.

Uma das coisas que mais me impressionou no mundo dos blogs (em todos esses anos nessa indústria vital) foi a forma como muitos blogueiros trocaram os chapéus sem pestanejar. O que tornou os blogs fascinantes foi a forma como pessoas que não eram jornalistas nem comunicadores de formação passaram a ter a capacidade de projetar sua voz para o mundo sem precisar conhecer ninguém nem fazer parte da grande mídia. Só que, passado esse estágio inicial, o que se seguiu foi a necessidade dessas pessoas de continuarem fazendo isso e ganhar dinheiro no processo.

Estamos no meio dessa fase. Se iniciou uma corrida do ouro e, como em toda corrida do ouro, a coisa está ficando feia, porque disputada. Como não há modelos e, ao mesmo tempo, como existe uma tentativa de negação do que é estabelecido, a coisa ameaça sair do controle. Muitos blogs simplesmente passaram a vender sua integridade por qualquer trocado, assumindo que isso é normal. E não é.

Já conversei com várias pessoas que acham que as revistas e os jornais publicam reportagens pagas. Não, pessoal, não publicam. Pelo menos não os jornais e revistas sérios, de editoras idôneas, que prezam seus nomes. Publicidade e editorial são entidades separadas. E essa separação é imprescindível para preservar a integridade do editorial. Se alguma coisa está num espaço editorial, precisa ter saído do faro, da criatividade, da antena ligada de quem produziu aquele conteúdo. Precisa estar sintonizado com o assunto sobre o qual aquele veículo fala.

A separação entre publicidade e conteúdo editorial tem que ser clara. Nada de enrolação, nada de confundir o leitor em busca de um clique. Fazer isso é errado. É nosso dever, e dos publicitários de plantão, imaginar formas honestas de explorar a audiência conseguida pelos websites e pelos blogs. Tudo mais que não siga as regras básicas da boa separação entre conteúdo editorial e publicidade é enganação pura por uns trocados a mais.

Pensei muito antes de falar sobre isso de novo, porque é um assunto delicado. Alguns amigos meus podem ficar chateados comigo só porque eu estou tocando nesse tópico. Podem se sentir ofendidos e tudo. Mas nas últimas semanas eu contei umas cinco ou seis iniciativas que eu considero extremamente daninhas para a blogosfera que eu vi nascer e crescer nos últimos anos.

Fiquei fascinado em ver tantos escritores fantásticos surgindo. Tanta gente talentosa. E agora vejo que a falta de modelos está corroendo o que foi conquistado e ameaçando essa geração.

Hesitei em voltar a esse assunto e, subitamente, me toquei que, justo por ser motivo de hesitação, era hora de falar nisso de novo. Se há o constrangimento, o questionamento, é porque a necessidade surgiu. A blogosfera brasileira de primeira linha, esse grupo de pessoas talentosas que abocanhou uma audiência enorme com base em seu talento, em seu faro, em sua qualidade, precisa acordar para o que está sendo feito. Eu sou só um espectador privilegiado. Só posso observar e imaginar o que aconteceria se fosse diferente.

By the way: dada a repercussão dessa história, vale declarar que esse post não tem nada a ver com a não-polêmica dos “blogs de aluguel”. O buraco é muuuuito mais embaixo, pessoal.


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14 respostas para 'Editorial x Comercial'

  1. Eduardo Diz:

    Alexandre,
    De vez em quando surge o assunto da criação de um selo que ateste a conduta ética dos blogs. Claro que esse tipo de iniciativa só funciona se um núcleo sério e expressivo assine em baixo. O que você acha disso ?

  2. alexmaron Diz:

    Credibilidade é algo que se conquista aos poucos. Mas ajudaria muito ter uma espécie de código de ética, uma declaração de princípios que as pessoas assinassem embaixo. Não acho que estejam sobrando trambiqueiros. O que falta é padrão, é modelo a ser seguido do que é certo e do que é errado.

  3. MaGioZal Diz:

    Talvez o buraco seja mais embaixo. O fato é que essa mistura de notícias com publicidade e a modulação da notícia pela publicidade é ainda bastante espalhada nos veículos aqui no Brasil — basta pegar um jornal de bairro ou sintonizar um rádio AM popular para conferir. Claro o controle para se evitar isso é maior nos grandes nomes dos veículos da imprensa, mas é aquela coisa: o público-alvo deles são a classe A/B com nível universitário completo, isto é, uns 15-20% da população.

    O Brasil, como se pode ver hoje em dia pelas decisões de TSE da vida, ainda não tem uma tradição definida de liberdade de expressão e isenção jornalística. Somos democráticos há menos de 20 anos, e as décadas de getulismo e arenismo moldaram pensamentos e práticas nos âmbitos públicos e privados que são difíceis de mudar.

    Em suma: essa comercialização dos blogs me espanta muito pouco. E suponho que ela só não aconteceu antes porque os anunciantes privados ainda não se interessavam tanto nos blogs brasileiros como vitrines de anúncio.

  4. Cristiano Dias Diz:

    Eu concordo, mas só acho que os tais jornais e revistas sérios têm conteúdo editorial e publicitário bem separados não porque seus editores são pessoas sérias e iluminadas que lutaram por essa separação mas sim porque, sei lá quantos anos atrás, veículos que misturavam mais as coisas perderam a credibilidade e sumiram do mercado (ou foram jogados em um canto).

    A própria televisão começou com a propaganda mais misturada e até coisas chamadas Repórter Esso, mas no fim o comercial de 30 segundos acabou ganhando como o modelo ideal no cruzamento entre os interesses do anunciante, espectador e criador de conteúdo. Falta inventar o comercial de 30 segundos dos blogs, sendo que a internet e os Tivo-like-devices estão matando o comercial de TV.

    O que eu sempre defendi é que os blogs que exagerarem nos tais “conteúdos publieditoriais” (palavra mais ridícula do que afro-descendente), que enganam os leitores vão acabar sumindo. É o velho chavão: reputação é algo difícil de construir e fácil de perder.

    Mas um problema que temos é que os blogs sempre tiveram um caráter pessoal. Com o Twitter isso se multiplica por mil. Então é totalmente normal eu escrever no meu blog ou Twitter “fui no Burger King e comi um sanduíche delicioso” e isso não ser propaganda. Afinal de coisa nós consumimos produtos todos os dias. É nessa área cinza que a publicidade está tentando entrar e pode sim dar merda.

  5. Dauro Veras Diz:

    Oi Alexandre. Seu texto é bastante pertinente e toca num assunto da hora. A separação entre editorial e comercial é importante pros blogs que querem atuar com “monetização” (eita palavrinha horrível) sem perder a credibilidade. Agora, quando você fala na necessidade de uma espécie de código de ética ou declaração de princípios que as pessoas [blogueiros] assinariam embaixo, tenho minhas dúvidas. Seria mais ou menos como uma pessoa registrar em cartório um documento dizendo “eu sou honesto”. Quem garante, o cartório? O signatário? Bom, de qualquer forma é super válido debater essas coisas. Abraço!

  6. Artur vecchi Diz:

    Alex

    Li o seu post e logo em seguida apareceram dois exemplos que conteudo e promoções duvidosas. CAraca, isso que se chama Monetização do conteudo do Blog e não Monetização do Blog.

    Aqui está ocaso da NIke - http://www.futepoca.com.br/2008/02/o-marketing-viral-e-nike.html

    e aqu está o caso do livro da Maitê -
    http://www.viniciuscosta.org/blog/index.php/2008/06/17/blogs-e-responsabilidades/

    Neguinho é sem noção, não só o blogueiro que aceita, que muitas vezes não tem o discernimento para ver a grand ebobagem que está fazendo por uns trocados, mas tb do profissional de marketing, em principio alguem instruido e com educação superior da área, que está colocando outros valores na frente do bom Marketing.

    Você conhece mais algum desses casos recente?

  7. Eduardo Diz:

    Dauro,
    Eu voto por exemplo no Vilago para nosso cartório de boas intenções, desde que ele embarque nessa roubada…

  8. alexmaron Diz:

    Não precisa estar registrado em cartório. Não precisa ser assinado. Mas o que acontece é que o blogueiro pode, por exemplo, declarar que segue o código tal. Daí, temos uma régua para julgar as ações dele.

    Estava lendo um texto de um blogueiro dizendo que blog não é jornalismo, é entretenimento e, por isso, não segue as regras do jornalismo. Faz sentido. Não é esse o ponto, mas faz algum sentido. Só que até entretenimento busca credibilidade.

    O fato é que o “mercado”, essa entidade amorfa à qual parecemos sempre dispostos a nos curvar, vai decidir quem vai e quem fica. Mas eu tenho a convicção de que as chaves são relevância e credibilidade.

  9. Nicole Diz:

    A questão, como o Cris expôs, é que blogs são um fenômeno bastante recente em termos de mídia/fonte de informação, e blogs patrocinados/com anúncios são mais recentes ainda. Acho que todo meio de comunicação requer um período de adaptação até que os padrões ‘aceitáveis’ de separação entre conteúdo editorial e publicidade sejam atingidos. Meu blog é só um espaço onde posso falar qualquer bobagem e manter contato com família e amigos que não podem acompanhar meu dia-a-dia aqui na Inglaterra, e recusei várias propostas de gente querendo usá-lo como espaço para propaganda…

  10. Rafael Diz:

    Como o (a, hehe!) Cris Dias falou. A propaganda sempre irá existir em blogs/twitters pois eles foram criados para serem pessoais. Sempre haverá a mensagem “Fui no Mc e comi um número 4 delicioso!”. Agora que as agências publicitárias voltaram seus olhos para esse meio de comunicação, cabe ao dono do blog aceitar ou não fazer a propaganda. O que esperamos (rogamos!) é que seja sincero. Se bem que duvido que algum candango falará mal do objeto que está sendo veiculado, dependendo do que ganhou em troca.
    A questão é: Por fazer isso você será considerado um vendido? E quem o considerar tal, estaria sendo invejoso ou seria a sua opinião sincera?
    É a velha história do poder e da transformação…
    (Pareço confuso?)

  11. alexmaron Diz:

    Quando eu expresso uma opinião pessoal minha sobre algum produto, isso é legítimo. Se for bom, ótimo. Se for ruim, azar. Eu falo o que quero, bem ou mal. Quando eu falo bem porque me pagaram pra falar… Humm. O que seria isso?

  12. Rafael Diz:

    Mas e se quando você falar bem, de verdade, mesmo que tenha ganhado algo em troca, você acreditaria nesta pessoa?
    Fazemos propaganda de coisas o tempo inteiro e falamos mal de coisas o tempo inteiro. O que não funciona neste “negócio” é que se eles te pagarem antes da sua opinião e você falar mal do “produto/coisa”, os “caras” sairão perdendo. E é neste ponto que tudo dá errado! As grandes empresas não aceitam perder. E, se essa moda pegar, novamente só nos resta rogar que quem diga a verdade continue a fazê-lo!
    O que quis dizer é que não temos como controlar se o blog estará dizendo a verdade ou não. Pode soar muito “teoria da conspiração”, mas é a pura verdade. Quantas pessoas você conhece que depois de um tempo conseguiu uma melhor posição na empresa, ou na vida e não fala mais com você, ou não luta pelos ideais de antes?

  13. alexmaron Diz:

    Rafael

    É uma relação de confiança. O blogueiro tem um enorme e relevante trabalho de construção da credibilidade dele com base em seus textos, atitudes e opiniões. É uma relação importantissima com seu leitor. Quem fizer certo, vai se dar bem. Quem se vender…

  14. Rafael Diz:

    É isso aí!
    Nós sabemos quem realmente merece credibilidade e fala a sério. O que será muito triste é se a moda da campanha i9 pegar e agências começarem a distribuir produtos, fazer propaganda a torto e a direita em blogs meia-boca, aí é nossa reputação que está em jogo. E isso não é legal.

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