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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Seis meses depois

Mais ou menos seis meses atrás eu me mudei para um apartamento temporário enquanto esperava a papelada do meu financiamento na Caixa Econômica Federal se resolver. As coisas se complicaram e eu tive que desfazer o negócio. Recomecei do zero a busca por um apartamento e acabei comprando outro imóvel no mesmo prédio do primeiro.

Nesse meio tempo, ficamos dividindo o apartamento com um amigo. Maior medão de dar errado, mas o Daniel, nosso roomate, é um cara tranquilo. Tudo podia ter dado errado dada a convivência com os nossos cachorros e os dele. Só que foi, fora os pelos e as babas, um período divertido. Sinto que entrei no apartamento com uma amizade e acabamos virando uma pequena família. Vou realmente sentir falta das nossas conversas de fim de noite e dos passeios noturnos com o Darwin e a Paçoca. Mas a vida segue seu rumo.

No dia 23 de junho de 2008, entrei oficialmente no apartamento. Ainda tinha cheiro de tinta, estava uma zona, mas já era o meu novo espaço. O lugar onde eu planejo viver pelo menos pela próxima década com a minha mulher, meus cachorros e meus filhos que ainda vão nascer.

Estou esgotado depois de emendar o fechamento do número três da Época São Paulo com essa reforma-mudança e ainda alguns problemas pessoais. No meio disso tudo, acabei, pela primeira vez em anos, não indo nenhum dia ao Fashion Week. Mas, realmente, minha vida virou de cabeça pra baixo.

No meu primeiro fim-de-semana instalado, fiquei consertando um monte de pequenas coisas, arrumando meu escritório, jogando coisas e mais coisas fora. Começa a ficar com jeito e gosto de casa. Depois de tanto tempo, temos nosso teto novamente. E tudo parece ter rolado num piscar de olhos. Esse é o defeito e, ao mesmo tempo, a virtude do passado. É mais fácil rir das dificuldades que já foram. O presente, no entanto, com suas reviravoltas, com suas escolhas muitas vezes traiçoeiras, é o que nos consome. No presente, eu perco noites de sono, assaltado pelo estresse. O passado vai sendo comprimido, ajuntado, transformado numa grande massa de lembranças.

Eu olho para trás e mal consigo lembrar dos meus anos de faculdade. Das minhas experiências em outros empregos. Tudo vira um resumo com poucos detalhes. Os nomes, os dias vão perdendo o peso. E a gente segue em frente sem olhar para trás. Ao mesmo tempo, eu lembro com riqueza de detalhes de momentos da minha infância. É como se, depois de uma certa idade, eu tivesse entrado em um modo de apreensão do mundo e da realidade que é menos atento, menos ligado. Enquanto que, na minha infância e parte da adolescência, eu estava atento a tudo.

Sei lá. É meu primeiro post sentado na nova escrivaninha do novo apartamento. Você me perdoa a digressão?


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Uma resposta para 'Seis meses depois'

  1. Salo Diz:

    Parabéns cara!

    Mas pode ficar tranquilo que se eu voltar a ir a São Paulo, vou fazer como da última vez e ficarei em hotel, tem o F1 e o Ibis, que são bonzinhos. Aliás, o gozado é que são mais baratos fim-de-semana. Demorei a entender a lógica disso.

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