A inevitável decepção

É impossível ficar completamente satisfeito com qualquer coisa depois de esperar por ela por 19 (!) anos. Ou 15. Ou mesmo 10. Então acho que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não tem como vencer nosso mau humor coletivo.
Não. Peraí. Eu estou esperando o filme de coração aberto. Sou um filho do cinema pipoca. Eu me apaixonei por cinema e aprendi a gostar de cinema vendo os filmes americanos dos anos 80. Sou uma cria de Steven Spielberg que se soltou do rebanho. Comecei com ele, vi um monte de porcarias achando tudo lindo e maravilhoso e, quando notei, tinha mudado meu gosto. Mas a paixão inicial, a alfabetização. Eu devo a ele.
Fora os últimos meses, em que minha frequência cinematográfica caiu radicalmente, diversifiquei meus gostos, minhas expectativas e interesses. Quando vi, os filmes de ação não faziam mais o mesmo efeito. Eu não ficava eletrizado como antes. Mas eu continuo tentando, buscando aquela sensação gostosa de sair do cinema com um sorriso, um “uau”. No outro dia, vendo Homem de Ferro. Tive um lampejo disso.
Essa é uma espécie de anti-resenha de Indiana Jones 4. O filme foi exibido para a imprensa e eu não pude vê-lo. Estava atolado de trabalho. Agora, editando outra revista que não é de cultura pop, ver filmes e seriados não é mais minha atividade fim como jornalista. Mas tenho lido as resenhas e, pelo que vi, o resultado é meio cá, meio lá. Ninguém odiou o filme, mas não amou também.
Se você pensar, a expectativa virou um problema extra numa era em que diversas franquias com fãs apaixonados por décadas estão sendo reprocessadas por Hollywood. E a própria máquina hollywoodiana, usando a internet, se encarrega de criar mais interesse e expectativa ao divulgar o filme antes mesmo de produzi-lo.
Diante disso, qualquer filme chega, pelo menos para o público mais ávido, com uma expectativa irreal. É claro que a grande maioria mal sabe que o filme foi feito, nunca ouviu falar do personagem em questão e não se importa com essa máquina de divulgação. Só vê a caixinha na locadora e manda ver. Descobrir um filme bom -e desconhecido- numa prateleira é um prazer que eu nem sei mais como é.
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21/05/08 às 12:53
Me lembro quando assisti “Alien, o oitavo passageiro” no cinema, há uns trocentos anos atrás. A sala estava lotada, mas ninguém, eu inclusive, sabia o que esperar, já que a única coisa divulgada foi o trailer misterioso, que não entregava nada. Nem precisa dizer o impacto fulminante que foi, que com certeza seria bem menor se eu já estivesse entupido de informações, fotos, vídeos, spoilers, etc.
A internet tem seus prós e contras, mas o lance da surpresa, do inesperado nos filmes é, com certeza, uma coisa que ela está matando. O lado bom da coisa é que através dela temos informações sobre filmes (ou acesso aos próprios) que jamais chegariam por estas bandas.
22/05/08 às 12:04
É, realmente a expectativa quebra um tanto da graça do filme. Lembro que ouvi tantos comentários sobre Juno que entrei na sala do cinema esperando um filme espetacular, não menos. Saí de lá com a sensação de ter perdido o dia assistindo sessão da tarde.
Mas as vezes acontece, sabe? De ir ao cinema ou alugar um filme sem antes ler a sinopse e gostar muito, muito mesmo. Aconteceu recentemente com XXY e há algum tempo atrás com Transamérica e Contra Parede. Já “experimentou” estes?
[Venho sempre, mas este é o primeiro comentário.]
22/05/08 às 22:24
Sim. Experimentei e comprei Transamérica, depois.