Acabou, mas volta

Caminhos do Coração chega ao fim. É uma novela mal escrita, mal dirigida, com atuações horrorosas, efeitos pedestres, trama inexistente. Ainda assim, é um enorme sucesso. Desde que eu falei da novela da Record, no ano passado, é ó tópico mais visitado do meu humilde blog. Recebo todos os dias manifestações de ódio (a mim ou à novela, depende).

Eu sempre defendo a cultura pop e a inteligência do espectador. Mas neste caso, fiquei pregando sozinho. Para gostar de algo como Caminhos do Coração, é preciso exigir muito pouco, ter um padrão de qualidade muito baixo. A julgar pelo dialeto falado pelas pessoas que comentam no post original, estamos falando de gente semi-analfabeta, incapaz de articular as idéias mais elementares. Esse é o Brasil que assiste novelas em geral e Caminhos, em particular.

Muito preocupante.

Não precisa ser muito esperto pra notar que estamos falando de uma salada de cópias de tudo que se pode imaginar em termos de pulp: vampiros, mutantes, lobisomens surgem de todos os lados, sem motivo ou lógica. Não há nenhuma preocupação com uma linha narrativa. Tudo é pensado para chamar o espectador de imbecil e ele aceita. E eu nem vou perder mais tempo elaborando minhas impressões sobre esse desastre da dramaturgia. Vou ficar só nos adjetivos mesmo.

Até Caminhos do Coração 2, ou seja lá o nome maluco que eles deram para esse lixo.

E, já que falei de games… o Wii Fit



O Wii dá uma surra humilhante nos outros consoles. Enquanto X-Box 360 e PS3 só lançam aquele “novo first person shooter ou a milésima versão de jogo esportivo, o único gameplay inovador está vindo do Wii. A plataforma traz os best sellers de sempre, mas não deixa de quebrar barreiras. Como diz uma amiga minha: gêee-niii-ô!.

Os quebra-cabeças do PSP

Desde que minhas viagens de trabalho pararam, diminuí muito o uso dos eletrônicos portáteis, principalmente do PSP. Agora, de casa nova, com uma rotina mais regrada e o meu espaço definido, acho que vou retomar o hábito.

Adoro os jogos de ação do PSP são beeem legais. Adoro os Burnouts e fiquei impressionado com o Syphon Filter. Mas gastei horas e horas e horas com coisas geniais como Crush e Exit. A novidade da turma é o Echochrome…



Aí, logo em seguida. Demos dos geniais:

Exit:

Crush:

Patapon:


Este último tem um daqueles gameplays geniais. Você precisa acertar o ritmo dos tambores para fazer a tropa avançar. De enlouquecer qualquer um… e muito divertido.

Indiana Jones e as caveiras de cristal

Eu adoro Indiana Jones. Fui assistir de coração aberto e gostei. Me diverti mesmo.

Só que eu envelheci e não consigo engolir essa moral de que há mistérios que não podem ser descobertos. Indy sempre chega na beira do conhecimento, sempre descobre o mais difícil e aceita fechar os olhos ou fugir quando o bicho pega. Só por isso escapa sempre. Porque, na beira da verdade, ele vira os rosto. No fim, apesar de cruzar o planeta, de enfrentar mil mistérios, nunca faz nenhuma descoberta verdadeira além de “puxa, a Arca da Aliança existe!! Legal!!”.

Spielberg e Lucas falaram bastante do McGuffin, que é um termo Hitchcockiano para algum objeto ou pessoa, qualquer um, que é o “tesouro” buscado pelos personagens. Assim, Indy não é um arqueólogo a espera da próxima descoberta, mas sim do próximo McGuffin para o qual vai virar os olhos.

Mas, como eu disse, me diverti bastante. O filme não deixa nada a dever aos outros. É bem executado, eletrizante, engraçado, assustador e cria a possibilidade de uma continuação. Quem sabe os caras não fazem uma segunda trilogia?

Vai, Speed! Vai!

Você fica repetindo a frase acima e Speed Racer nunca se acha. Uma pena. Mas me diverti bastante com as sequências de ação executadas com inventividade. Digo. Quando eu entendia o que estava acontecendo. Em Matrix, os irmãos Wachowski tinham aperfeiçoado uma coisa sensacional: cenas de luta que a gente conseguia entender. Eles faziam paradas dramáticas, giravam a câmera, davam um zoom e você sempre sabia onde estava. Aqui, em alguns momentos, eu não sabia o que tinha acontecido, mas, pela trilha e pela reação dos personagens, imaginava que tinha sido algo incrível. Azar o meu por ser um velho e não conseguir sacar.

Os irmãos Wachowski estão verdadeiramente obcecados com essa história de indivíduo motivado e de coração puro que enfrenta as megacorporações ou o sistema corrupto… Matrix não era mais do que isso sendo contado sob uma ótica cyberpunk. Speed acrescenta a família como um valor extra, enquanto em Matrix a família de Neo era formada por seus amigos. Talvez eles devessem fazer um filme sobre dois irmãos que lutam para não ser esmagados por uma supermegahipercorporação chamada Warner Bros.

É um filme pra crianças. Ou pros pais verem com os filhos pequenos, vá lá. É bem executado. Mas, não sei, soa oco. Valeu meu ingresso.

A inevitável decepção

É impossível ficar completamente satisfeito com qualquer coisa depois de esperar por ela por 19 (!) anos. Ou 15. Ou mesmo 10. Então acho que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não tem como vencer nosso mau humor coletivo.

Não. Peraí. Eu estou esperando o filme de coração aberto. Sou um filho do cinema pipoca. Eu me apaixonei por cinema e aprendi a gostar de cinema vendo os filmes americanos dos anos 80. Sou uma cria de Steven Spielberg que se soltou do rebanho. Comecei com ele, vi um monte de porcarias achando tudo lindo e maravilhoso e, quando notei, tinha mudado meu gosto. Mas a paixão inicial, a alfabetização. Eu devo a ele.

Fora os últimos meses, em que minha frequência cinematográfica caiu radicalmente, diversifiquei meus gostos, minhas expectativas e interesses. Quando vi, os filmes de ação não faziam mais o mesmo efeito. Eu não ficava eletrizado como antes. Mas eu continuo tentando, buscando aquela sensação gostosa de sair do cinema com um sorriso, um “uau”. No outro dia, vendo Homem de Ferro. Tive um lampejo disso.

Essa é uma espécie de anti-resenha de Indiana Jones 4. O filme foi exibido para a imprensa e eu não pude vê-lo. Estava atolado de trabalho. Agora, editando outra revista que não é de cultura pop, ver filmes e seriados não é mais minha atividade fim como jornalista. Mas tenho lido as resenhas e, pelo que vi, o resultado é meio cá, meio lá. Ninguém odiou o filme, mas não amou também.

Se você pensar, a expectativa virou um problema extra numa era em que diversas franquias com fãs apaixonados por décadas estão sendo reprocessadas por Hollywood. E a própria máquina hollywoodiana, usando a internet, se encarrega de criar mais interesse e expectativa ao divulgar o filme antes mesmo de produzi-lo.

Diante disso, qualquer filme chega, pelo menos para o público mais ávido, com uma expectativa irreal. É claro que a grande maioria mal sabe que o filme foi feito, nunca ouviu falar do personagem em questão e não se importa com essa máquina de divulgação. Só vê a caixinha na locadora e manda ver. Descobrir um filme bom -e desconhecido- numa prateleira é um prazer que eu nem sei mais como é.