A imbecilidade

Eu olho nos seus olhos e te conto meu maior drama. O evento que me assombra todas as noites, que me faz acordar suado. O evento que eu revivo em pesadelos, que eu fantasio sempre o que seria da minha vida se aquilo não tivesse acontecido, se eu tivesse feito diferente, se, se, se…

Guilherme Fiuza, jornalista-blogueiro contou em seu blog o drama que viveu em 1990, quando seu filho morreu ao cair do oitavo andar. Ele revelou isso justamente para jogar alguma luz sobre a estupidez, a imbecilidade de pessoas que acham que conceitos básicos da civilização, como o princípio da presunção da inocência até prova em contrário, são absurdos. A investigação sobre a morte de Isabella está longe do fim. Há muito chão a se cobrir antes que o pai e a madrasta sejam considerados culpados ou inocentes, se é que serão indiciados. É só a mais pura ignorância condená-los sem conhecimento de causa, dos fatos, com base apenas em um delegado que gosta de aparecer e em uma imprensa sensacionalista e irresponsável.

Mas diante de tudo, diante do relato duro de Fiuza, há quem tenha tido a cara de pau de mandar comentários como “foi mal, mas você foi negligente com seu filho”. Não vou nem entrar em mais detalhes. É preciso ter um QI muito baixo para, diante dos fatos, fazer um comentário como esse. Além de ser inadequado falar algo assim, simplesmente porque é, a pessoa ainda diz isso sem saber nada sobre o fato. Fiuza não diz em que condições seu filho morreu. Ainda assim, um imbecil, um ignorante, um sei lá o quê, consegue fazer um comentário desses. Eu fico pensando se pessoas assim diriam isso na lata, olho no olho. Ou se, talvez, isso seja mais um subproduto da anonimidade dos fóruns dos blogs e websites.

E esse tipo de pessoa insuportável, ignorante, ignóbil ainda faz uma obsevação de que a suposição de inocência salvo prova seria uma bobagem, porque apenas ajuda criminosos a escaparem. Nessas horas, eu só consigo pensar que preciso ir morar numa bolha, numa ilha deserta, num lugar no qual não precise viver no mesmo planeta que gente assim. Nem respirar o mesmo ar.

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