Arthur Clarke (16.12.1917-19.03.2008)

Ele morreu e, como meus maiores ídolos (Sagan, Asimov…), não quis funeral religioso.

É bom, porque adoram inventar que grandes ateus da história humana ficaram religiosos perto do fim. O que não é verdade.

Arthur Clarke foi grande. Mudou minha vida, junto com alguns outros autores relevantes de ficção e divulgação científica. Quando eu era adolescente, cheio de idéias subversivas de que o mundo não era exatamente como andavam me dizendo que era, foram ele, Asimov, Sagan, Stephen Jay Gould e alguns outros cientistas e escritores que me ajudaram a entender que eu não estava só. Que aquelas idéias não eram tão estranhas e absurdas. Tendo sido criado numa família católica, eles foram minha vela na escuridão.

Todos foram embora. Ontem foi a vez de Clarke, o último deles. Deixou um legado indiscutível.

Humor engraçado. Dã!

Meu primeiro contato com o Terça Insana foi por meio do DVD que eles lançaram uns três anos atrás. Todo mundo riu muito, menos eu. Achei as piadas óbvias, repetitivas, simplistas. Em contraste, fui ver o show do Clube da Comédia no domingo, no Bleecker, e ri muito, muito mesmo.

São estilos diferentes e, provavelmente, o stand up tem mais a ver comigo, hoje. Eu realmente adoro o gênero. Fui a vários comedy clubs nos Estados Unidos rir de uns caras que nunca vi e nem vou ver nunca mais. O triunfo dos anônimos.

O stand up não pode se dar ao luxo de ser auto-indulgente, porque a platéia não perdoa. E quer rir. Muito. O stand up é um tipo de comédia que limita consideravelmente os recursos do humorista, que se segura em timing, tom de voz e algum histrionismo. Não há lugar para figurinos, musiquinhas, nada. É o comediante e a platéia. Já vi shows constrangedores.

Mas há fenômenos engraçados. Marcela Leal, por exemplo, do Clube da Comédia. Não entendi o cartaz dela. Vi alguns vídeos, assisti à participação dela no Jô e depois vi sua performance ao vivo. Ela é simpática, bonita, mas não é engraçadíssima. Não é sem graça. É engraçadinha. Você dá um sorriso, mas não cai na gargalhada. Aliás, ela comete um erro irritante: conta a piada e ri, quase que te avisando que é a sua vez. Aí, meu amigo, você passa…

Danilo Gentili traz piadas ótimas, mas esbarra na voz e no jeito de falar, que incomodam um pouco. Oscar Filho é beeem engraçado também, embora exagere um pouco nas ceninhas. Mas eles conseguem fazer o que se espera de um humorista: levam o público às gargalhadas.

No Terça Insana, que, dizem, tem boas e más semanas, eu fiquei impressionado com a falta absoluta de graça. Fora um esquete com o motoboy (Marco Luque), um com um palestrante inspirado em Lair Ribeiro (Guilherme Uzeda) e outro com uma brasileira esnobe que mora em Miami (Agnes Zuliani), o resto era constrangedor. Os esquetes mais ridículos (no mau sentido) eram justamente os dos líderes do Terça Insana, Grace Gianoukas e Roberto Camargo. Este último faz um índio péssimo e um antropólogo francês chatérrimo.

Aí, vale falar do novo programa da Band, Custe o que Custar, que estreou na segunda debaixo de uma enorme expectativa minha. Afinal, comandando pelo Marcelo Tas, trazia os caras mais engraçados do Clube da Comédia, entre eles o Rafinha Bastos.

Espero que eles se acertem, mas o fato é que precisam comer muuuuito feijão com arroz ainda. Quando você resolve se inspirar no jeito Pânico de fazer segmentos engraçadinhos, em vez de copiar o Daily Show ou o Colbert Report, alguma coisa está muito errada. E olhe que eles importaram o formato de um programa argentino.

O que não pode é rolar é um assassinato como o que foi feito com “reportagem” da poluição na represa. A idéia é ótima, tem sacadas geniais do Rafinha, mas a edição é inacreditavelmente frouxa. Façam o programa ter meia hora, caramba. Fica mais enxuto e bem resolvido. Em vez disso, alongam o segmento além da conta e ficam inventando gags visuais com computação gráfica. E eu esperava tanto deles. Tudo bem, segunda, 22h15, eu volto pra conferir a evolução.

Humor tem que ser engraçado. Vamos combinar?

Radar POP novo

O Radar POP voltou, de novo. Esforço do Cris que, sem minha ajuda, convocou o Marcelo Forlani, do site Omelete, e a Bruna Baunilha, do Smelly Cat. Hum… E ficou tão bom sem mim… :’(

Não era para ser um mundo melhor?

Vou simplificar o que todo mundo quer complicar.

Quando o pessoal fala em blogs, em nova mídia e tudo que vem com ela, uma dos motivos de festa sempre foi o de que todo mundo ia ter voz num mundo em que a tal velha mídia não tinha mais a mesma credibilidade.

Aí, surgem os anúncios, os posts pagos e o pessoal corre atrás de centavos como o burrico tentando pegar a cenoura. Não dá, né, pessoal. Tem que ser diferente. É preciso lutar por algo melhor do que isso. Me deprime ver blogueiros bons, com textos ótimos, vendendo os temas de seus textos a quem pagar mais.

Podem espernear, podem reclamar, podem chamar quem torce o nariz de purista. O fato é que não foi com isso que a gente sonhou. Um mundo sem posts vendidos é bem melhor. Ou vocês vão continuar fingindo que não é?

E então? O que você faz quando pode fazer qualquer coisa? Os melhores blogs? Os mais inovadores? Com os melhores textos e idéias? Ou apenas aquilo que seus, hum, patrocindadores permitem?

Vamos em frente? O meio blog quer mais do que estamos entregando.

Contagem regressiva

Falta menos de um mês pro fechamento da nova revista, a Época São Paulo, que sai em maio. Na quarta, ela será lançada para o mercado publicitário, com pompa e circunstância. É muito excitante. Eu fico repassando todos os dias o que está sendo feito e pensando em como falta pouco, no quanto ainda temos que fazer. Estamos sendo ambiciosos em cada detalhe. Não se mede esforços. A rotina de trabalho é puxada, com todo mundo saindo por volta das 20h todos os dias e esperando que a coisa piore nas próximas semanas.

Por agora, há algumas perguntas essenciais:

1. você prefere que um guia gastronômico de São Paulo seja organizado por cozinha ou por área da cidade?

2. Quando você pensa em sair pra comer, prefere achar um bom restaurante mais próximo ou isso não é importante?

3. Você sempre está disposto a cruzar a cidade atrás de um bom prato?

Acredite. Isso está consumindo horas e horas de debates da nossa equipe.

Começou, de novo, outra vez, novamente…

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Mais um desenho do Homem-Aranha. Começa tudo de novo. O personagem está novamente na escola, Gwen Stacy está viva, Mary Jane nem namorada é e Norman Osborn não virou o Duende Verde ainda. Me incomoda um pouco que, a cada novo desenho, tudo é refeito, recomeçado e as coisas nunca vão à frente. Mas este novo é beeeeeeem bacana. A direção de arte é ótima, o design dos personagens é lindo e até a musiquinha é cool. Estreou lá nos Estados Unidos na semana passada. Quando chega por aqui? Hum, talvez só a Baunilha e o pessoal da MONET saibam. :)

Falando de sexo com Fernanda Colavitti

Fernandinha é repórter da revista Galileu, da Editora Globo. Ela resolveu libertar seu lado Sue Johansen e começou a fazer um blog sobre sexo. Uuuuh! Hot!

Aproveitando o ensejo, indico também o blog do Eds… Digo, da cadelinha do Edson Franco, editor também da Galileu, a Clementina.

Esse pessoal da Galileu joga nas 11.

Eu vi a menina correndo

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No fim-de-semana, fui ao casamento do meu primo em Teresópolis. Vai daí que cada saída é uma desculpa para ver a minha sobrinha sorrindo, brincando, chorando, fazendo dengo. É uma coisa meio que “vamos ver como a Clarinha vai reagir a isso ou aquilo”.

E, olhando para as fotos, eu lembro das que eu tirei quando era pequenininho e do que eu sinto quando olho pra elas hoje. E fico imaginando quando a Clarinha estiver olhando pra elas, em 20 ou 30 anos. Ou mais.

(ah, sim! A foto é do papai Cris)

Não compre o Treo 750

Ele é pouco intuitivo, lento e vem com uma bateria que dura pouco.

O sistema é Windows Mobile. Meia-boca total para quem se acostumou à estabilidade de um bom Symbian.  Para rodar Java, em tese, você precisa fazer uma gambiarra mortal que dura horas de vai e vem. E nem sempre funciona. Ai, ai, ai.

Não gostei. Nunca mais compro um Treo. Meu N95 era tão bom antes da Paçoca comê-lo…

(ir)relevância

É duro. Você quer falar das séries bacanas, dos filmes, dos problemas políticos do mundo, das descobertas científicas. Mas seus posts mais comentados são sobre aquela novela horrorosa da Record e a famigerada Brastemp (que inexplicavelmente foi parar aqui!).

Ai, ai…