Humor engraçado. Dã!

Meu primeiro contato com o Terça Insana foi por meio do DVD que eles lançaram uns três anos atrás. Todo mundo riu muito, menos eu. Achei as piadas óbvias, repetitivas, simplistas. Em contraste, fui ver o show do Clube da Comédia no domingo, no Bleecker, e ri muito, muito mesmo.

São estilos diferentes e, provavelmente, o stand up tem mais a ver comigo, hoje. Eu realmente adoro o gênero. Fui a vários comedy clubs nos Estados Unidos rir de uns caras que nunca vi e nem vou ver nunca mais. O triunfo dos anônimos.

O stand up não pode se dar ao luxo de ser auto-indulgente, porque a platéia não perdoa. E quer rir. Muito. O stand up é um tipo de comédia que limita consideravelmente os recursos do humorista, que se segura em timing, tom de voz e algum histrionismo. Não há lugar para figurinos, musiquinhas, nada. É o comediante e a platéia. Já vi shows constrangedores.

Mas há fenômenos engraçados. Marcela Leal, por exemplo, do Clube da Comédia. Não entendi o cartaz dela. Vi alguns vídeos, assisti à participação dela no Jô e depois vi sua performance ao vivo. Ela é simpática, bonita, mas não é engraçadíssima. Não é sem graça. É engraçadinha. Você dá um sorriso, mas não cai na gargalhada. Aliás, ela comete um erro irritante: conta a piada e ri, quase que te avisando que é a sua vez. Aí, meu amigo, você passa…

Danilo Gentili traz piadas ótimas, mas esbarra na voz e no jeito de falar, que incomodam um pouco. Oscar Filho é beeem engraçado também, embora exagere um pouco nas ceninhas. Mas eles conseguem fazer o que se espera de um humorista: levam o público às gargalhadas.

No Terça Insana, que, dizem, tem boas e más semanas, eu fiquei impressionado com a falta absoluta de graça. Fora um esquete com o motoboy (Marco Luque), um com um palestrante inspirado em Lair Ribeiro (Guilherme Uzeda) e outro com uma brasileira esnobe que mora em Miami (Agnes Zuliani), o resto era constrangedor. Os esquetes mais ridículos (no mau sentido) eram justamente os dos líderes do Terça Insana, Grace Gianoukas e Roberto Camargo. Este último faz um índio péssimo e um antropólogo francês chatérrimo.

Aí, vale falar do novo programa da Band, Custe o que Custar, que estreou na segunda debaixo de uma enorme expectativa minha. Afinal, comandando pelo Marcelo Tas, trazia os caras mais engraçados do Clube da Comédia, entre eles o Rafinha Bastos.

Espero que eles se acertem, mas o fato é que precisam comer muuuuito feijão com arroz ainda. Quando você resolve se inspirar no jeito Pânico de fazer segmentos engraçadinhos, em vez de copiar o Daily Show ou o Colbert Report, alguma coisa está muito errada. E olhe que eles importaram o formato de um programa argentino.

O que não pode é rolar é um assassinato como o que foi feito com “reportagem” da poluição na represa. A idéia é ótima, tem sacadas geniais do Rafinha, mas a edição é inacreditavelmente frouxa. Façam o programa ter meia hora, caramba. Fica mais enxuto e bem resolvido. Em vez disso, alongam o segmento além da conta e ficam inventando gags visuais com computação gráfica. E eu esperava tanto deles. Tudo bem, segunda, 22h15, eu volto pra conferir a evolução.

Humor tem que ser engraçado. Vamos combinar?

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