Geopolítica 2

Incidentes de fronteira são comuns em nossa história, como lembra Miriam Leitão. A Colômbia já entrou em nosso território antes e tudo se resolveu com diplomacia. Simples assim. Ontem, quando cheguei em casa, vi a entrevista de Rafael Correa, presidente do Equador, ao repórter da Globo. No calor da conversa rápida, sua argumentação se desmonta sozinha: “Nossas fronteiras são porosas, todo mundo sabe disso. Pode haver bases das Farc no Equador da mesma forma que no Brasil!”

Ora. Mas se ele mesmo reconhece que as fronteiras são porosas e que é difícil controlá-las, como é que um incidente de fronteira pode virar uma crise com semi-declarações de guerra entre três países?

Difícil, no âmbito desta crise, é avaliar se foi erro ou acerto Bogotá revelar supostas provas do envolvimento da Venezuela e do Equador em relaçõs perigosamente amigáveis com os líderes das Farc. Ao fazer isso, em vez de simplesmente recuar e pedir desculpas, a Bolívia atacou quando devia ter ido para a defesa. Talvez, o melhor seria ter esperado a poeira abaixar  para, então, em outro contexto, revelar o envolvimento de Hugo Chavez e Rafael Correa. Ficou a sensação do marido que pega uma traição ao violar o e-mail da esposa. Justifica uma falta com outra e tudo acaba em um empate moral.

Mas talvez, ter ido ao ataque possa ter sido uma boa idéia. Coloca tudo em perspectiva e deixa Equador e Venezuela em maus lençóis com o resto do continente. Se for comprovado um esquema de fornecimento de dinheiro venezuelano às Farc, a situação de Chavez como um Reagan de esquerda fica indiscutível.

Conte para os amigos!