Os dez mais

Mais ou menos um ano e meio atrás, eu sentei com o pessoal da Globo Livros (a divisão de publicação de livros da Editora Globo) para debater idéias de produtos derivados da revista que eu então dirigia, a MONET. Entre as idéias discutidas, falamos em fazer um livro que se chamaria 10 Mais, baseado na seção de listas da revista. A pessoa certa para fazer o livro  seria o Denerval Ferraro Junior. Trabalho com ele desde 2000, quando sai da Folha para a Editora Globo, e, no curso destes anos todos trabalhando juntos, além de companheiros de trabalho afinados, nos tornamos bons amigos.

Desde o dia em que decidimos que o Jr. era o cara certo para o trabalho, muita coisa aconteceu. Ele saiu da MONET em abril de 2007, foi para a Época falar de cultura e celebridades e, desde fevereiro deste ano, está comigo na Época São Paulo, que estamos preparando para lançamento em breve. O livro saiu da asa da MONET e foi para a ÉPOCA. Depois de meses de produção, muito suor e cansaço, foi finalmente lançado nas livrarias. Hoje, teve noite de autógrafos na Saraiva do shopping Eldorado. Fiquei superfeliz de ver o amigo lançando seu filhote. Compre djá!

Existe almoço grátis, diz a Wired

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A capa deste mês da Wired  traz a esperada reportagem que é a base do novo livro de Chris Anderson (editor da revista e autor do livro A Cauda Longa): Free.

Fala de como rumamos para um futuro em que vários bens e serviços serão gratuitos, trocados por prestígio ou pela compra de outro produto. Ele explica a economia do grátis de forma inteligente e articulada e, sinceramente, fica difícil entender para que alguém deveria comprar o livro que sai no ano que vem… Bem, dizem que o livro será grátis, logo, essa discussão ficou estéril.

Entre os exemplos:

1. a Ryanair, que vende passagens a preços módicos, porque ganha dinheiro vendendo produtos nos aviões ou simplesmente a atenção de um passageiro aprisionado em uma aeronave por duas horas

2. O CD Planet Earth, do Prince, que veio de brinde com  a edição dominical do Daily Mail. O cantor ganhou dinheiro com venda de ingressos, que aumentou bastante depois que a sua música foi exposta a 2,8 milhões de lares londrinos. Foi a primeira vez que um superstar lançou material inédito desta forma.

Quer saber mais? Leia a reportagem.

Crime para quem?

Bruno Rafael Paulino, 25, foi preso porque, dizem a polícia e a Oi Telefonica, roubou sinal de internet. É um daqueles casos bizarros em que advogados de grandes empresas inventam um crime intangível que só interessa a eles e jamais ao usuário.

Vejamos. Bruno queria internet na sua casa, mas o Velox (da Oi) não entregava o sinal, provavelmente porque não via interesse em instalar numa zona de baixa renda. Só que ele teve uma idéia. Pediu uma conexão na casa de uma amiga, instalou lá uma antena e transmitiu o sinal até sua casa, a três quilômetros de distância dali. Em seguida, montou uma pequena rede e revende o acesso para moradores do local. É coisa pequena, o acesso do Bruno é de 300 kbps, dividido entre 10 computadores e mais alguns que usavam o acesso à rede nas residências ao redor. Como ele revende o acesso, virou criminoso. Foi preso e responde em liberdade.

Se você pensar bem, é a mesma coisa de uma pessoa alugar um filme na locadora e chamar os amigos para verem na casa dele, cobrando um ingresso de cada um. Lembrando que isso é crime também.

Mas crime? É. É sim. São esses crimes intangíveis que inventaram porque as corporações precisam proteger seus interesses e, se a gente não se mobiliza, só nos resta uma rotina de advogados e audiências com juízes. Os americanos inventaram o “uso justo” (fair use) de bens intelectuais. O mix tape, a exibição coletiva, são práticas não-criminosas porque não envolvem lucro. São trocas sociais informais.

Bruno cometeu uma infração porque vendeu o sinal, o que fere os termos de uso da Telefônica. Mas isso é crime onde mesmo (ok, deve ter alguma lei que diz que isso é crime, amigos advogados, socorro)? Eu compro dez litros de água, coloco numa mesinha no corredor do meu prédio e revendo para a vizinhança. Compro 30 pãezinhos no centro e revendo no meu prédio. Onde está o crime nisso, caramba? Mesmo que eu faça isso todos os dias.

Mas quando você faz isso com o sinal do Velox ou com o filme que alugou, fica em apuros. E todo mundo acha normal. Certas coisas são tão definitivas que viram verdades inquestionáveis. Mas quando foi mesmo que esses caras passaram a poder sufocar todo tipo de empreendedorismo, de inovação, de idéia que resolva um problema? Afinal, até onde eu sei, a Telefônica se recusava a distribuir sinal no local. Porque será que eles não fizeram algo parecido com o que o Bruno fez? De novo, porque eu já disse isso várias vezes, quando deixamos de ser cidadãos e viramos meros consumidores, nos entregamos aos lobos. Vamos tomar vergonha e resolver isso?

(A notícia que deu origem a este post foi lida na Folha de São Paulo)

Mulher biônica e o supercarro

Mulher Bônica Biônica já fracassou, coitada. A série tinha o pedigree de contar com cérebros que antes tinham me oferecido a sensacional Battlestar Galactica, mas o fato é que, depois do piloto, a coisa degringolou feio. Os episódios eram flácidos, sem graça, sem impacto nenhum De bom mesmo só a linda Michelle Ryan. Cancelada sem dó.

Eis que no último domingo os gênios lançaram uma nova versão da Supermáquina, produzida por Doug Liman. Sabe como é, como Liman é o criador da franquia Bourne e dirigiu o sucessão Sr. e Sra. Smith, alguém cismou que ele sabe a linguagem dos jovens. Não por acaso, ele é o responsável pelo filminho de ação Jumper, que os marketeiros apelidaram de cruzamento de Matrix com Bourne.

Se Jumper presta eu não sei ainda. Não vi. Mas o fato é que esse Supermáquina novo é de uma ruindade enervante. Bobo, bobo, bobíssimo. Será que vira série mesmo? Ai, ai.

Atrasado: Indiana Jones

Ando trabalhando demais mesmo. Mas o que são algumas semanas de atraso diante de uma espera de 20 anos?

Boa desculpa para só ver o teaser trailer do novo Indiana Jones. Eu não sou fãzoco de Star Wars (err… pra mim, é Guerra nas Estrelas), mas meu coração bate mais forte quando eu ouço o panananã-pananãaaaaaa. Demorei um ano e tanto pra comprar a caixa com a trilogia original de SW. Comprei a de Indiana Jones no dia em que chegou nas lojas e vi tudinho de novo. Minha caixa de SW? Intocada, porque eu tinha visto os docs na casa do Cris.

Ok. Uma digressão… O fato é que o trailer mostra que o filme vai brincar com Indy e seu envelhecimento, mas sem chamá-lo de véeio. Afinal, ele é foda e pronto. Adorei a cena em que a gente vê a silhueta colocando o chapéu (típica sacada visual do Spielberg), ou a outra em que ele usa o chicote, erra o salto e cai no caminhão errado. Ou ainda, quando LaBeouf pergunta: “você é um professor?” E ele responde: “Meio período.” Puro Indiana Jones.

O que? Você não viu ainda? Conseguiu demorar mais do que eu? Corrija o erro agora!!

É passado

A prova de que uma idéia ou venceu ou foi muito bem difundida é a sensação de que não há vida sem ela ou fora dela. Na minha realidade, conceitos como democracia, teoria da evolução, respeitar o outro, entre outros, são realidades incontestáveis.

Mas a verdade é que é tudo cultura, decisões morais (ou lógicas, ou éticas) de um grupo que muitas vezes são ignoradas por quem pode delas abrir mão.

Então, como eu ia dizendo, uma sociedade não aberta, é, pra mim, impensável. É o princípio pelo qual eu sempre achei Fidel Castro um personagem bizarro. De acordo com a pessoa de esquerda ou de direita que você tem a sua frente, os relatos vão mudar. Tem o amigo que foi a Cuba e diz que lá é uma sociedade linda. Tem o que foi e diz que lá eles vivem como miseráveis. Aí, o hipotético amigo de esquerda diz pro de direita que a miséria não tem nada a ver com comunismo, mas com o embargo americano. E a coisa segue sem fim, como o AD (amigo de direita) dizendo que é uma pena o embargo americano, porque criou essa desculpa esfarrapada para a má administração cubana.

Bom. Tem alguma coisa estranha quando uma pessoa se perpetua por 49 anos no poder. Fidel apenas criou as condições para um desmonte inevitável de… de… sua… obra(?).

Ok. Aqui entram de novo meus amigos. O AE e o AD. Fidel matou. Fidel fez o que era necessário. Fide isso e Fidel aquilo.

Quarenta e nove anos depois, Fidel já foi tarde. Tchau.

24 em crise, chame um novo chefe

O homem que cuida do rumo criativo (?) de 24 Horas é Howard Gordon, mas o chefão por trás da série é Joel Surnow. Ops, desculpe, era. Ele abandonou o barco. Mau sinal, pessoal…

Pois à luz disso, o pessoal do Television Without Pity especula como ficaria a série nas mãos de alguns criadores famosos:

Chris Carter (Arquivo X)

Com Chloe virando mamãe e Jack desaparecido por conta de uma disputa contratual de Kiefer Sutherland, Carter muda o casal central da outrora comentada série da Fox. Agora, a superagente imprevisível Doreen Helfer (Mimi Rogers) se junta ao geek sem traquejo social Howard Rizzuto (Chris Owens) para encarar uma ameaça terrorista do porão da CTU – mesmo quando figurões como o Vice-Presidente John Steele (Terry O’Quinn) e o Secretary of Defense (William B. Davis) não querem que eles vençam. Juntos, Helfer and Rizzuto pode fazer qualquer coisa, menos amarrar as pontas soltas do roteiro.

Tim Kring (Heroes e Crossin Jordan)

Depois de sugar a mitologia dos quadrinhos para Heroes e afirmar que não era um fã de HQs, Kring vai tomar o controle de um 24 Horas, que continua roubando descaradamente idéias de videogames como Grand Theft Auto, Max Payne, Hitman, and Half-Life. Kring vai jurar que não sabe nada sobre videogames.

Dick Wolf (todos os Law & Order)

Exceto pela promoção de Jack Bauer’s a Secretario de Segurança Doméstica (Homeland Security), 24 continua praticamente o mesmo em termos de formato por mais uns 10 anos. A mudança será na grade da programação da Fox, que logo estréia 24 Horas: Combatentes, 24: Segurança Doméstica e 24: Reino do Terror. Os spinoffs mantém o relógio na tela, mas tem pouco em comum entre si além das aparições de Richard Belzer como o Agente Especial John Munch.

Tem mais…