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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Atrasado, mas sem perder a ternura

Essa polêmica entre a Veja e o John Lee Anderson, biógrafo do Che Guevara, com revistas como The New Yorker no currículo, é muito, muito interessante. Demorei para postar aqui por pura falta de tempo de coletar todos os links. Mas foi até bom, porque os desdobramentos foram até o dia 18 de novembro.

A revista publicou uma capa algumas semanas atrás tão alucinada e histérica que até eu que nunca fui fã de Che Guevara fiquei chocado. Aliás, a Veja simplesmente tomou por hábito chamar as pessoas de fedorentas e sujismundas, como se esse tipo de qualificação fosse discussão para a maior revista semanal do Brasil. O título da “reportagem” (assim, com aspas) é “Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”. Aproveite para ver uma reportagem da mesma Veja feita dez anos atrás. Diz muito a respeito do que a revista se tornou.

Começa quando Pedro Doria  mostra a carta de Lee Anderson para Diogo Schelp, da Veja.

Em seguida, surgem a resposta de Schelp e os gritos histéricos de Reinaldo Azevedo.

Logo surge a tréplica de Lee Anderson, demolidora.

O comentário de Doria, logo em seguida, é irretocável.


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11 respostas para 'Atrasado, mas sem perder a ternura'

  1. MaGioZal Diz:

    Olha… nem vou me alongar muito aqui no comentário (uma vez que não quero me meter em discussões infinitas nem queimar minha língua), mas perguntar não ofende:

    Se a IstoÉ, Carta Capital ou Caros Amigos fizesse uma reportagem chamando Margaret Thatcher de “porca fedorenta”, o tamanho da gritaria estaria sendo o mesmo?

    Nem estou questionando a reportagem da VEJA, que aliás nem li pois nem fiquei com aquela vontade de ler — apesar de ter acompanhado, meio que involuntariamente, o imbroglio pós-matéria (já visitava os blogs de Pedro Doria e Reinaldo Azevedo antes da coisa toda estourar).

    Anyway, Ernesto por Ernesto… eu prefiro o Ernesto Varella.

  2. Vivien Diz:

    Bacana, vc organizou toda a parada, vou ler tudo.
    Veja, ah, a Veja… a merda da Veja.
    bj.

  3. alexmaron Diz:

    Se um número significativo de pessoas lesse a Isto É ou a Carta Capital e visse isso, talvez rolasse algo do tipo. :o) Eu, pelo menos, ia ficar irritado.

    A Veja é a maior revista do país. Tem mais leitores, mais assinantes e mais peso.

    Há também o fato de que Carta é uma revista lida somente pelo pessoal de esquerda, que provavelmente não iria nem notar a distorção gratuita e absurda. A Veja é uma revista que, além de atingir um público mais amplo, foi sofrendo uma mutação assombrosa. Quando eu era estudante, muito tempo atrás, tinha uma vontade imensa de trabalhar em Veja. Com o tempo, isso foi se apagando e quando eu saí da faculdade de jornalismo, mesmo depois de ter feito um estágio lá, não conseguia mais ver a revista com os mesmos olhos. De lá para cá, piorou muito.

    Vale dizer que Caros Amigos também fez um artigo sobre Che que eu não li. Mas quem lê Caros Amigos?

  4. Junior Diz:

    Acho que no comentário você mostrou bem a diferença de repercussão sendo diretamente proporcional à tiragem da revista.
    Veja há um bom tempo não entra mais aqui em casa nem pra forrar a gaiola do meu passarinho, é gritante a queda de qualidade aliada a histeria desenfreada que tomou conta dos colunistas e se alastra pelas matérias altamente editorializadas.
    Antes o uso do “ah, li na veja que…” era um bom início de conversa,. Hoje eu (e mais uma penca de pessoas) ao ouvir isso já saio correndo o mais rápido possível..

  5. run Diz:

    eu não gosto de che um cara maluco que pousa nas fotos com metralhadora. Belo exemplo para os jovens.

    .

  6. dawalibi Diz:

    Não vou nem entrar aqui nessa polêmica de publicações de direita e esquerda. Também não acredito nessa história de “mídia conservadora e golpista”, urdida pela imprensa evangélica (leia-se Paulo Henrique Amorim). A coisa para mim resume-se simplesmente no seguinte: reportagem da Veja é simplesmente mau jornalismo. A reportagem é até mesmo pueril. Alguns dos “defeitos” apontados em Che são simplesmente características que o tornam humano. Não me consta que o vaticano cogite canonizá-lo. Achar, assim, que seus admiradores gostam dele por pensar que ele era 24 horas por dia altruísta e devotado é de uma imbecilidade digna de quem assina a reportagem (vá lá que alguns até pensem assim, mas creio que são poucos). Veja partiu de um pressuposto errado: quis equiparar Che Guevara a Padre Cícero. Ridículo.

  7. MaGioZal Diz:

    Bom, eu não consigo ver “heroísmo” num sujeito que além de ter coordenado a chegada de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, fez beicinho quando Khrushchev decidiu dar meia-volta para evitar a III Guerra Mundial pois ele queria mesmo era jogar os mísseis em cidades norte-americanas para matar milhões de pessoas.

    Alberto Korda pode ter sido um bom fotógrafo, muito daquela corajosa juventude romântica dos anos 60 pode ter se embebedado de Cuba Libre, e aquela estampa num biquínini colocado na Gisele Bündchen pode ter feito uma boa combinação de cores. Mas encarar Che Guevara como uma espécie de Tiradentes latino-americano cujo nome e memória não devriam ser blasfemados é algo que não me desce pela garganta.

    Sorry.

  8. Urls Sinistras » Blog Archive » del.icio.us entre 19/11/2007 e 26/11/2007 Diz:

    [...] Atrasado, mas sem perder a ternuraEssa polêmica entre a Veja e o John Lee Anderson, biógrafo do Che Guevara, com revistas como The New Yorker no currículo, é muito, muito interessante. [...]

  9. alexmaron Diz:

    Poxa. Não tem “sorry”. As pessoas não precisam pedir desculpas pelas opiniões delas. Quem frequenta esse espaço aqui sabe que isso é inegociável. Só não gosto que as pessoas briguem e fiquem trocando ameaças e palavrões.

    Mas, opiniões políticas a parte, pessoal. Pra mim, e eu estou sendo muito sincero, uma reportagem assim sobre Margareth Tratcher ou George Bush seriam horríveis também. Isso é ponto pacífico.

    Certamente, parte da polêmica tem a ver com a adoração de várias pessoas por Che Guevara. Não tenho dúvida de que leram essa reportagem e, com uma lágrima nos olhos, milhares de pessoas disseram: a Veja vai ver só. Provavelmente, para essas pessoas, JL Anderson virou herói.

    Mas esse não é o ponto. Eu não tenho laços afetivos com Che Guevara. O problema é que a reportagem foi feita com o único intuito de demonizar o personagem. O pior tipo de editorialização. Se alguém me disser que a revista apenas fez o contraponto de milhares de textos evangelizadores produzidos pela esquerda, terá errado de novo o alvo. Afinal, a maior revista do Brasil diz que faz jornalismo e não contrabalanço dos textos da esquerda.

  10. MaGioZal Diz:

    Tudo bem, Alex… mas o ponto que eu queria focar com mais exatidão é o seguinte: dentro de um regime de liberdade de expressão, gosto-se ou nào, achando-se mau jornalismo ou não, a VEJA tem todo o direito de publicar a matéria que publicou — assim como as pesssoas têm a liberdade de expressar que achou a matéria toda um lixo e que não vai mais confiar na revista, vai cancelar a assinatura, etc.

    Mas o fato é que a VEJA de forma alguma deveria ser “impedida” de publicar a sapiência ou a besteira que quiser. A imprensa e a produção jornalística da Grã-Bretanha não seria o que seria se não houvessem a The Economist, o The Times, o Daily Mirror e a Smash Hits, por exemplo.

    Qunato ao lance da demonização, poderia-se até advogar que “matérias como essas não deveriam nem ser publicadas” devido a seu caráter supostamente difamatório. Poderia-se talvez até concordar, caso a pessoa em questão estivesse ainda viva. Mas o fato é que Che Guevara está morto há mais de quarenta anos.

  11. alexmaron Diz:

    Mas isso nunca esteve em questão. A Veja publica o que acha melhor, e as pessoas têm, também, todo direito de opinar sobre a qualidade da reportagem.

    Pra mim, matérias como essa não deveriam sair de uma revista deste porte. Não por que deveriam ser censuradas (essa palavra está fora de questão), mas porque causam embaraço à biografia da revista. Mas essa decisão, obviamente, tem que sair da redação da revista. Se ela quer fazer isso e quebrar seu “contrato” com o leitor, azar o dela, que derrete sua imagem uma semana após outra.

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