Sétimo dia, será o último?

O sexto ano de 24 Horas foi um desastre. Confesso que perdi a crença de que esses caras vão conseguir levantar a série no sétimo dia. Mas vá lá…

Agora é oficial, Tony Almeida está de volta como vilão. Óooooooooh! Sinceramente, nós não vimos isso no terceiro ano? Superagente foderex se revolta e ataca os EUA? Claro que ter Tony Almeida adiciona um toque de tragédia, de drama. Mas não é suficiente, não. Pior, dá aquela sensação de que os caras tiraram um negócio da manga.

Posso dizer que, em benefício dos roteiristas de 24, eles realmente não silenciaram o relógio no dia da suposta morte do Tony, algo que era uma tradição sempre que um personagem relevante morria. Isso, aliás, me impressionou. Achei curioso eles tratarem assim um personagem tão querido. Estou incrédulo, mas vou ver, claro. Vamos ver se eles se acertam e entregam uma grande temporada. Vamos lembrar que esse ano enfrentou vários problemas de roteiro e que Kiefer Sutherland chegou até a ser preso por dirigir bêbado. Sabe-se lá como isso vai influir no resultado da série.

Quem vence?

Por incrível que pareça, eu acompanhei toda a temporada deF1 e nunca falei nada por aqui. Eu sou um aficionado por fórmula 1, tenho dois jogos de tabuleiros ótimos, mas nunca fui um bom piloto nos videogames de simulação (que o Lewis Hamilton adora) porque não tenho a concentração que esses pilotos fantásticos têm. EU começava bem e, em algum momento, me entediava e desconcentrava. Direto pro guard rail. Tudo bem que isso tinha a ver com inventar aquelas corridas em tempo real, com 60, 70 voltas.

Bom, mas voltado ao que interessa. Torço pelo Felipe Massa, que demonstrou ser um piloto classe A total. Sempre entre os primeiros colocados. Mas o Hamilton é um fora de série e eu sempre adoro ver os gênios em ação. Hamilton vai obrigar todo mundo a se coçar na próxima década que vai dominar. Ele é bom demais, erra pouco e é ousado na medida certa.

Será que ganha hoje? Olha, são tantas as combinações favoráveis que ele pode acabar perdendo. Mas eu torço muito para que o estreante vença… …o campeonato. Essa corrida, eu queria pro Feliiiiiiiiiipe Massa do BrasiiiillllLL!!

Wii (atualizado)

Enquanto eu não blogava, comprei um Wii. Estou querendo comprar há tempos. A cada viagem de trabalho aos Estados Unidos, eu pensava em comprar, mas não achava nas lojas. Um dia, numa K-Mart de Los Ageles, eu achei o jogo, mas estava sem cartão e com pouco dinheiro no bolso. Implorei pra moça guardar o console pra mim, enquanto eu corria no hotel, mas ela falou que não podia.

Então, comprei no fim de semana passado. Uma delícia. Joguei o Wii Sports de praxe, Zelda (que quem não tem é ruim da cabeça ou tem bicho no pé!!) e me amarrei no Rayman contra os coelhinhos malucos e retardados. Show total. Joguei Heatseeker, de jato caça, e achei meio chato.

Delirei no Call of Duty 3. É bem tenso, porque você precisa mesmo apontar, atirar e fazer uns movimentos malucos pra lutar. Achei o Mortal Kombat meia-boca. Fiquei incomodado por ter que ficar fazendo gestos que não tem correspondência com golpes de verdade. Poxa, umas das graças do controle do Wii é você fazer movimentos que se parecem com os reais….

Uma surpresa de jogo foi o Kororinpa: Marble Mania. Simplesmente genial. O jogador tem uma bola de gude em cima de tabuleiros de madeira que ele vai condizindo pros lados de forma a mover a bola até um objetivo. Como esse controle do Wii virou um dos jogos mais bacanas até agora.

Quem joga Wii por aí, hein?

Da Paz

Fiquei imaginando a cena no comitê que decide quem recebe o Nobel da Paz:

- Caro colega, acho que deveríamos escolher esse ex-vice-presidente americano para o prêmio deste ano. Afinal, ele defende uma causa universal que pode unir o planeta. É um homem digno, correto e bem quisto em todo o mundo…

- Ih!! Só se for Al Gore!!!

E assim se decidiu o prêmio para o hômi.

A profecia concretizada

pauloautran.jpgPouco menos de um ano atrás, em um almoço de trabalho, Hector Babenco falou de seu filme, depois de mostrar algumas cenas, e fez uma observação que me incomodou profundamente: “Este pode ser o último filme de Paulo Autran, porque ele está tão velhinho. Eu fiz tudo pra trabalhar com ele. Era um sonho.”

É óbvio que Babenco queria falar de seu carinho pelo ator e da sensação que tinha de ter trabalhado com ele. Mas soou tão, sei lá, seco, deselegante profetizar a morte de uma outra pessoa que fiquei com uma impressão ruim por meses. Quando Autran morreu ontem, confesso que tive uma raiva meio irracional de Babenco, como se ele fosse culpado do câncer do ator. Mas é que aquela afirmação, aquela sentença, ficou martelando no meu cérebro.

De Paulo Autran só tive a sorte de ver duas peças: Visitando o Sr. Green e O Avarento, seu último trabalho. Adorei a primeira e fiquei um pouco entediado com a segunda. Já vi montagens mais inspiradas de Moliére por aí e, afinal, não era o ator na potência máxima. Mas mesmo claramento cansado e sem mobilidade, aos 85 anos, era por ele que estavam todos naquela sala

Por fim, uma referência que ele provavelmente jamais aprovaria. Uma das coisas que eu adoro no John Constantine dos quadrinhos é aquela prática de rir da morte e de aproveitar tudo que a vida lhe dava. Constantine recebe um novo pulmão e, nos quadrinhos, aproveita a deixa para fumar. Afinal, se o grande motivo pra não fumar seria ficar doente, não precisava se preocupar, zerou tudo. No filme, feito pela Hollywood antitabagista, larga o cigarro. Autran fez pontes de safena e, no último ano, lutou contra um câncer de pulmão. Diante da proximidade da morte, se recusou a abandonar o prazer que, provavelmente, o matou. Fumou e fumou, porque a vida é curta. Mesmo para um gênio de 85 anos.

No Porto, esperando a hora de partir

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São 9h45 da manhã e estou no aeroporto Francisco Sá Carneiro, na cidade de Porto, em Portugal, esperando a conexão para São Paulo.

Eu conheci Porto em 2004, mas cheguei aqui de trem. Esse aeroporto é uma daquelas construções que não tem nada a ver com a cidade que o originou. Porto é, sim, uma cidade grande para média nos padrões portugueses. Mas ainda assim, é minúscula, com aquele jeito de quem não percebeu o tempo passando.

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Esse aeroporto é uma imensa caixa de aço e vidro. É clean, espaçoso, de um jeito que me fez imaginar qualquer outra cidade, menos essa de igrejas históricas e senhorinhas de vestido e tamanquinho brigando na rua. Não sei. ELes devem ter o maior orgulho desse lugar, achá-lo moderno, especial, uma prova de que evoluíram e de que Porto é parte do século 21. Mas eu achei sem personalidade, embora bonito, desprovido de identidade.

Deve ser o sono.

Soterrado por livros

 Quando eu viajo, a Mônica não tem medo que eu leve coisas caras pra casa. O que ela teme mesmo é a enxurrada de livros. Agora, andando pelas ruas de Londes, já comecei a compra de livros legais. Ai, ai. Vou apanhar quando chegar em casa.

I Am Legend (já virou filme três vezes. Marcou minha infância como A Última Esperança da Terra, com Charlton Heston. A nova versão será com Will Smith. Essa edição barata tem a bordinhas arredondadas, um charme)

Soon I Will be Invincible (Eu tinha lido o início da ediçao americana uns meses atrás e não comprei porque não tinha como carregar nem mais uma folha de papel. A edição inglesa tem capa do Bryan Hitch, ai, ai)

Reading Comics (Crítico do New York Times explica que os quadrinhos são muito legais, tá?)

Super Crunchers (A Psicohistória existe. Só que ainda melhor e mais precisa do que a inventada pelo Isaac Asimov. Li o primeiro capítulo e fiquei intrigado.)

Everything Is Miscellaneous (Um livro sobre a nova forma de organizar e entender o mundo na era digital. Li dois capítulos na livraria mesmo)

99 Ways to Tell a Story  (Esse eu já devorei quase todo. A mesma historia em quadrinhos contada de 99 formas diferentes. De vez em quando, parece que o autor está só tentando se livrar de mais uma página. Em outros momentos, beira o brilho).

Eva Longoria e sua fita comprometedora

Depois da mania das sex tapes (dizem que há uma bombástica da Britney Spears, como se ela pudesse ir mais fundo), Eva Longoria resolveu dar uma de descolada e brincar com a história. Fez uma s ex tape sem sex para consumo mundial, como uma espécie de piada. Só que não é. Não é uma sex tape, é um viral criado por ela e que vai ser visto em milhares de casas do mundo (com minha ajuda, agora).

Os artistas-celebridades não aprendem mesmo. Ou são só cínicos e caras de pau. Como é que reclamam de alguma coisa quando alimentam a máquina com algo assim?

Não sei se você já deu uma lida nas chamadas das capas de revistas de fofoca. Principalmente nos Estados Unidos e aqui na Inglaterra, onde estou passando uns dias a trabalho, elas tratam os acontecimentos das vidas dos artistas como se fossem fatos de uma novela. É como se o mundo das celebridades fosse uma imensa “Paraíso Tropical” ou “Duas Caras” da qual participam David Beckham, Victoria, Brad Pitt, Angelina Jolie. A cada semana, suas tramas avançam com um novo acontecimento dramático. Foi por isso que Pitt e Angelina foram para a África ter seu filho. Sabendo que os paparazzos os seguiriam e que não teriam como escapar, levaram todos para um lugar distante e que viraria um cenário a ser descoberto, na intenção de aumentar o conhecimento das pessoas a respeito da África. Ontem, liberaram as fotos que os paparazzos, sempre eles, tiraram de Diana minutos antes dela morrer. As imagens falam sozinhas.

Eva Longoria criou mais uma peça ou uma cena dessa trama. Está se sentindo muito esperta. Mas é impressionante a forma como essas coisas se viram contra eles. Afinal, os paparazzos têm pouca coisa a perder.

Eu vi outro filme

No G1: Fenômeno ‘Tropa de elite’ chega à moda e kit Bope custa R$ 230

Eu vi um filme cheio de crítica e ironia ao sistema apodrecido que torna impossível para um policial ser honesto e cumprir o seu dever de forma adequada. Um monte de gente enxergou uma apologia da tortura e do fascismo.

Entendi a narração do capitão Nascimento como uma espécie de eco ao ditadorzinho que existe dentro de nós. Enquanto o acompanhamos, nos vemos, em muitos momentos, concordando com ele e com a truculência e com a tortura e com várias idéias grosseiras, simplistas e violentas que ele segue. São pensamentos obscuros e assustadores.

Então, há uma forte discussão sobre o filme não conseguir dar sua mensagem de forma adequada e acabar não sendo entendido como deveria. Mas então, depois de ter visto Ônibus 174, como alguém poderia achar que Tropa é um filme que defende e apoia a truculência e o desrespeito à lei? Seria uma guinada radical, um abandono do diretor a todas as suas idéias e ideais.

E no meio disso tudo, as pessoas adoram o personagem. Eu queria acreditar que adoram o capitão porque ele, em essência, é um homem bom em circunstâncias impossíveis. Porque  ele quer fazer a coisa certa. Pelo menos a coisa que ele acha ser certa. Diz muito a respeito do Rio estár como está as pessoas idolatrarem o capitão Nascimento.

Ou eu devo ter visto outro filme…

O riquinho está certo

Você pode dizer que ele é rico, mimado, superficial e tudo mais que as pessoas gostam de falar quando querem desqualificar alguém. Mas o fato é que, em geral, Luciano Huck está coberto de razão.

” LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.

(…)

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.”

Leia o resto lá.