Nas últimas semanas eu vivo a ansiedade de escolher um novo apartamento, fazer um financiamento que vai me deixar endividado por duas décadas, mas, acima de tudo, escolher o lugar onde eu vou viver os próximos anos, a próxima fase da minha vida.
E é fascinante o que passa na sua cabeça. Cada apartamento é uma possibilidade aberta de futuro, uma linha alternativa de tempo. É como se eu pudesse ver em um flash tudo o que vai me acontecer nos próximos anos, só de imaginar a decoração, a mudança na minha vida e etc. E cada um tem uma personalidade, uma idéia de futuro. Vi uma casinha de vila linda, mas um pouco apertada, outra perfeita, só que acima das minhas possibilidades, apartamentos ótimos em prédios ruins, prédios fantásticos com apartamentos pequenos demais e, claro, os micos. Ah, os micos. Você olha aquelas plantas reformadas e imagina onde esta ou aquela pessoa estava com a cabeça quando fez aquilo. Ver reformas é como tentar montar o quebra-cabeça da fusão do desejo da mudança e da concretização das possibilidades daquela pessoa ou família. É tentar entender a mente de outra pessoa com base em algo que ela faz. O prédio perfeito, por exemplo, tem um apartamento à venda, mas o cara fez tanta bobagem lá dentro que a reforma para consertar tudo não vale a pena. Tive que partir pra outro imóvel…
É um tal de simular financiamento, procurar um arquiteto bom, bonito e barato e calcular quanto eu gastaria para decorar um espaço maior, já que a idéia é dar um salto de qualidade de vida. Então, tudo dá um medão, porque eu nunca fiz isso na vida. Nunca estive à frente de comprar um apartamento, calcular o impacto na minha vida, pedir financiamento, liberar FGTS e coisas do gênero. E, de novo, é o lugar onde eu vou morar pelos próximos 10 anos da minha vida, pelo menos.
E você, o que sentiu na maior mudança da sua vida?