Tropa é ou não é?

Uma daquelas coisas engraçadas que acontecem nessa vida é quando você vê uma carta, uma música, um filme ser interpretado como tendo um sentido inverso daquele pelo qual foi idealizado.

Considerando que Tropa de Elite, foi feito por José Padilha, a mesma pessoa que realizou o estupendo documentário Ônibus 174, era óbvio que o que se veria jamais seria uma legitimização da violência e truculência policial. Se em Ônibus ele mostrava, entre outros absurdos, a máquina de moer gente na qual o sistema prisional se transformou, em “Tropa” o drama é o de policiais honestos que, abandonados por um sistema corrupto, não conseguem agir dentro da lei. Vão sendo moídos da mesma forma. Estamos em uma sinuca, um beco sem saída, uma situação nonsense. Estamos em um país sem lei.

Não foram poucos os amigos que encararam o personagem de Wagner Moura (sempre fantástico, e, fácil, o melhor ator de sua geração) como um herói, como um exemplo de policial quando está clara a ironia deixada pelo diretor. Mesmo se considerando honesto por não roubar, o personagem de Moura quebra todas as outras leis que vão surgindo em seu caminho. ELe tortura, mata, prende e arrebenta. Vai descendo fundo, tão fundo que, no fim, não há mais muita diferença entre mocinho e bandido.

Mas as pessoas adoram o personagem, apreciam suas ações e acham que são plenamente jutificadas e corretas. Pra mim, é a prova cabal de como estamos estruturados para a derrota. Se para nós a solução é matar e arrebentar, não é nenhuma surpresa que estejamos onde estamos.

Não é nenhuma surpresa que o filme tenha suscitado polêmica. Tanta que Wagner Moura precisou mostrar que, além de ótimo ator, escreve bem como o diabo. Seu artigo no Globo desta terça é uma defesa articulada e inteligente do filme. Vale até fazer um cadastro para poder lê-lo no site do jornal O Globo.

Assim que você vir o filme, passe aqui pra dizer o que achou. Gostou? Odiou? Concorda com Wagner Moura e o diretor José Padilha? Discorda? Comente, então.

Conte para os amigos!