VOLTE PARA A PÁGINA PRINCIPAL

Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

Volte sempre!

Tropa é ou não é?

Uma daquelas coisas engraçadas que acontecem nessa vida é quando você vê uma carta, uma música, um filme ser interpretado como tendo um sentido inverso daquele pelo qual foi idealizado.

Considerando que Tropa de Elite, foi feito por José Padilha, a mesma pessoa que realizou o estupendo documentário Ônibus 174, era óbvio que o que se veria jamais seria uma legitimização da violência e truculência policial. Se em Ônibus ele mostrava, entre outros absurdos, a máquina de moer gente na qual o sistema prisional se transformou, em “Tropa” o drama é o de policiais honestos que, abandonados por um sistema corrupto, não conseguem agir dentro da lei. Vão sendo moídos da mesma forma. Estamos em uma sinuca, um beco sem saída, uma situação nonsense. Estamos em um país sem lei.

Não foram poucos os amigos que encararam o personagem de Wagner Moura (sempre fantástico, e, fácil, o melhor ator de sua geração) como um herói, como um exemplo de policial quando está clara a ironia deixada pelo diretor. Mesmo se considerando honesto por não roubar, o personagem de Moura quebra todas as outras leis que vão surgindo em seu caminho. ELe tortura, mata, prende e arrebenta. Vai descendo fundo, tão fundo que, no fim, não há mais muita diferença entre mocinho e bandido.

Mas as pessoas adoram o personagem, apreciam suas ações e acham que são plenamente jutificadas e corretas. Pra mim, é a prova cabal de como estamos estruturados para a derrota. Se para nós a solução é matar e arrebentar, não é nenhuma surpresa que estejamos onde estamos.

Não é nenhuma surpresa que o filme tenha suscitado polêmica. Tanta que Wagner Moura precisou mostrar que, além de ótimo ator, escreve bem como o diabo. Seu artigo no Globo desta terça é uma defesa articulada e inteligente do filme. Vale até fazer um cadastro para poder lê-lo no site do jornal O Globo.

Assim que você vir o filme, passe aqui pra dizer o que achou. Gostou? Odiou? Concorda com Wagner Moura e o diretor José Padilha? Discorda? Comente, então.

Related posts:

  1. Com ou sem sotaque?
  2. Quem matou a taís?
  3. Numa esquina de Ipanema…
  4. 2618801


VOLTE PARA A PÁGINA PRINCIPAL


Quer comentar? Oba, seja bem-vindo. Mas, por favor, tenha em mente que comentários espertinhos (ou ofensivos) com identidades falsas não serão aprovados. Sua opinião é importantíssima, mas eu preciso de seu nome verdadeiro (ou seu nickname legítimo) e um e-mail válido. Um abraço e comece a digitar!

10 respostas para 'Tropa é ou não é?'

  1. Ana Carolina MolinaVieira Diz:

    Parabéns so quero pedri para escrever sobre sua vida.Quem é você.Quantos anos.Que local você morava ou mora.Sua familia é da onde.Nome nos pais…Valeu!!!

    Abraços!!!!

    ***Ana Carolina***

  2. Hiro Kozaka Diz:

    Maron. Qual a diferença entre o personagem do Wagner Moura e o Justiceiro da Marvel? Claro, além do fato do Justiceiro não ser “real” ambos são amorais em nome de um “bem maior”, a justiça. Não importando os meios para se atingir o fim. Não estou defendendo, mas o Justiceiro pode e o anti-herói brazuca não pode? O personagem nada mais representa a vontade de muita gente no Rio, por isso a torcida. Já que o estado não garante segurança ver alguem metendo azeitona nos bandidos é um êxtase para a classe média. É correto? Claro que não, mas é a vontade reprimida de muitos externalizada no filme. E para isso o cinema funciona muito bem. O carioca precisa de hérois nesta violencia, mesmo que este seja um assassino e use as mesmas armas.

  3. Hiro Kozaka Diz:

    Acabei de ler os artigos do Globo. Concordo em parte. Não acho o filme fascista. Ele é filmado a partir do ponto de visto do Capitão Nascimento, da sua visão pessoal sobre a história. Ele sim pode ser um fascista mas a interpretação e os valores de quem assiste é que classificam o filme. Se temos uma população cansada da violência, puta por falta de um poder público e assim se tornando um prato feito para uma bandeira fascista, isso é outra história. Eu prefiro imaginar, mas acho dificil acontecer, de que o filme levante uma discussão séria sobre o assunto. Mais do que isso, leve a ação por parte desta população cansada que ao invés de sair de branco pela praia pedindo paz saia as ruas pedindo a cassação de Renans e outras figurinhas conhecidas. Que se faça a democracia da forma correta, cassando mandatos e votando direito nas próximas eleições. Pois de nada adianta uma sociedade democrática se ainda continuamos vivendo em um regime de coronéis.

  4. Flavia Moreira Diz:

    Para quem acha sensacional o trabalho da dupla, José Padilha e Marcos Prado, vale assistir os documentários “Os Carvoeiros” e “Os Pantaneiros”.

  5. dawalibi Diz:

    Não há mais heróis no mundo. Jack Bauer foi preso dirigindo bêbado.

  6. alexmaron Diz:

    Hiro

    Eu acho o Justiceiro um personagem babaca. Adoro o Justiceiro do Garth Ennis justamente por causa da ironia dele em colocar o personagem como um louco casca-grossa.

  7. Bruno Accioly Diz:

    Bottom Line thinking, Pensamento Orientado aos Resultados e porras do gênero eu libero e abstraio.

    Não acho que os heróis não existam mais. O que acho é que, em meio a tantas inversões de valores, o que morreu foi a capacidade de ver o herói como mais que um idiota… e prosperou a visão de que um cavalo estúpido é mais que um herói.

    Se fosse pra arriscar, diria que somos uma espécie de Judéia onde, quando nasce um herói - nesta região ocupada por Romanos - a gente, ao invés de achar que ele vem pra resolver, acha que ele tem de vir pra dar porrada.

    Eu ainda acredito nos Heróis… Ainda que eles morram no final, no meio ou no início da história - e ainda que, hoje, tenham recebido o título de Otários.

  8. Todo Jogos - Blog de Jogos » Blog Archive » Tropa é ou não é? Diz:

    [...] Este blog que estoy leyendo ultimamente escribio un post muy interesante, Aqui os pongo un extracto frikis!!:Vão sendo moídos da mesma forma. Estamos em uma sinuca, um beco sem saída, uma situação nonsense. Estamos em um país sem lei. [...]

  9. Tropa de Elite: blogs de policiais militares | A Grande Abobora Diz:

    [...] de policiais militares Vários pessoas estão comentando sobre Tropa de Elite. Anderson, Alexandre, Inagaki e Nélson são alguns dos que já deram suas opiniões. Até existe o blog do fake [...]

  10. Dani Lima Diz:

    Eu gostei do filme. É um bom filme, com ótimas atuações, história bem contada. Realmente é legal. Mas também me espanta muito as pessoas sairem do cinema achando que a “metodologia capitão nascimento” devia ser filosofia de vida. E deixando passar a mensagem de que somos todos responsáveis por este cenário atual enlouquecido.

    Se não existe mais diferença entre mocinho e bandido, não importa se você age de acordo com as leis ou com conceitos morais. Importa se você está no lado certo na hora da guerra - do lado que vai ganhar ou do lado que vai perder? E para mim, neste cenário, o cidadão comum está sempre do lado que perde. Mesmo sem perceber.

Deixe seu Comentário