Segunda estrela à direita, direto até o amanhecer

E lá fui eu no último sábado levar o filho de uma amiga para ver Peter Pan, numa das últimas apresentações. Ganhei os ingressos e já imaginei que o menino ia pirar no espetáculo.

E, para uma criança, é muito bacana mesmo. Mas para qualquer adulto que tenha visto mais do que um espetáculo teatral de verdade, a coisa se complica. Os atores cantam muito mal e as músicas nunca empolgam, com exceção da dos meninos perdidos. São chatas demais. Em alguns momentos a direção erra ao não saber conduzir o olhar da criançada, que perde algumas cenas porque não sabe onde está a ação. É para isso que servem os holofotes, afinal.

Outra coisa irritante é aquele capitão gancho que nada faz além de copiar mal o Jack Sparrow de Johnny Depp. Fala sério, meu filho. Olha o abismo de talento e, ainda por cima, copiar assim, sem nenhum cuidado, pega mal e só. Mas, de novo, coloco na conta da direção. Pode até ser que a idéia seja do ator, mas a decisão final do que entra ou não sempre é do diretor. Bola fora.

A grande virtude estava mesmo nos cenários impressionantes e na grande estrela da peça: não era o Peter, mas o vôo. Tudo era desenhado em cima dos ótimos números de vôo. Tanto funciona, que o molequinho que estava com a gente saiu de lá encafifado com os “poderes” do herói da história.

Afinal, em uma das cenas, o Peter Pan voa por cima da platéia, agradecendo depois de conseguir salvar a vida de Sininho.

Sei lá. Meu acompanhante mirim, que é, afinal, para quem a peça se destina, deve ter dado nota dez. Mas o fato é que os melhores espetáculos infantis são mais bonzinhos com os adultos. Se bem que havia um senhor umas quatro fileiras atrás de mim que insistia em gritar Bravooo!! a cada entediante número musical. Como se estivéssemos vendo Hamlet com Lawrence Olivier. Vai entender.

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