Blogueiro-propaganda?

Já que os blogueiros estão discutindo monetização intensamente, vale colocar um assunto na mesa. Como todo mundo ainda está pensando em como fazer isso de uma forma digna, honesta e que dê algum lucro que seja, os modelos ainda estão embaralhados, em construção. Então o espírito aqui é aberto, de debate mesmo. Nada de inferir, de acusar ninguém, porque isso seria ridículo e injusto.

Uma das coisas que está acontecendo muito é a transformação dos blogueiros em garotos propaganda de marcas e campanhas. As empresas lançam campanhas e os blogueiros, em troca de algum tipo de remuneração, falam delas em seus blogs. Em alguns casos, colocam um banner das empresas.

O blog é o blogueiro e vice-versa

Essa pra mim é a face mais fascinante (e intrigante) desse novo modelo. O blog é o blogueiro e o blogueiro é o blog. Então há uma clara fusão entre os dois e, em alguns casos, não fica claro se o blogueiro deve vender espaço de publicidade ou se deve fazer merchandising, por exemplo (ou os dois?). Quais são os limites e as práticas corretas nestes casos? Não sei ainda.

Na mídia tradicional, a boa prática é separar o espaço reservado para a publicidade. Essa separação precisa ser clara e os bons exemplos de como fazer isso estão no Adsense, no Submarino e Mercado Livre, apenas como exemplo. Eles oferecem anúncios em formatos bem diferenciados do visual básico do site. Assim, é possível colocar os anúncios sem confundir o leitor.

Igreja-Estado vira Cozinha-Escritório

Essa divisão radical entre o “departamento” comercial e a “redação” foi chamada pela mídia tradicional de separação entre Igreja e Estado. O departamento comercial não pode influenciar a redação. Apenas vende páginas de publicidade e evita que editores escolham pautas em função de interesses que não sejam o do leitor. Isso, claro, numa empresa séria.

A minha sensação é que o que hoje parece uma prática normal e válida pode comprometer a sonhada credibilidade de um pro-blogger. Os que querem construir sua imagem e acumular mais prestígio precisam se manter longe da postura “blogueiro-propaganda” e ficar no campo da separação entre igreja-estado. Mas, como estamos falando de blogs, eu chamaria de cozinha (onde ele fala do que quer e pensa) e escritório (onde ele resolve os anúncios).

O que é ser blogueiro-propaganda, afinal? É ganhar dinheiro para colocar badges de sites, por exemplo. Um badge não é um banner. Quando uma pessoa o vê, precisa saber quando aquele badge é uma curtição ou indicação do blogueiro e quando aquilo é uma propaganda do site que o badge representa. Esse tipo de escolha confunde o leitor. É como usar roupas da Nike sem dizer que está sendo pago pela empresa para usá-las em público. Atores fazem isso direto. Mas atores não são blogueiros, que vivem de seu prestígio e de sua credibilidade. É por isso que jornalista sério não pode fazer publicidade

Se o pro-blogger quer se diferenciar dos miguxos, por exemplo, será que é certo entrar em promoções-corrente do tipo clique aqui que eu ganho isso ou aquilo? De novo, confunde o leitor.

Aqui no site, eu já fiz algumas experiências de colocar banners aqui do lado. Sempre que faço isso, tento deixar claro que é publicidade. Acertei em alguns casos e errei em outros. Estou aprendendo como todo mundo.

De novo, para que fique bem claro, a idéia aqui é meio que discutir algo que tenho visto em vários blogs. Não quero atacar quem tenha feito isso. Acho que é normal, estamos todos descobrindo os limites e algumas práticas estão no terreno cinza mesmo.

O que importa é saber o que você acha disso. Diga lá.

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