No que você acredita?

Eu já falei um pouco deste assunto aqui. Como bom ateu convicto, li Letter to a Christian Nation, do Sam Harris, Quebrando o Encanto, do Daniel C. Dennett, e Deus, Um Delírio, do Richard Dawkins.

Dawkins é um dos expoentes de um movimento de novos ateus que passam a pregar contra a religião. Por eles, essa convivência respeitosa acaba e os ateus devem se colocar numa posição mais ativa na busca do que enxergam como o fim da ignorância. É algo como evangelizadores do ceticismo. Ou seja, além dos chatos que tentam converter você pra religião deles, entramos na era dos chatos que tentam te converter pra… não-religião?

Pelo menos é assim que as pessoas gostam de enxergar, mas não é tão simples. O ponto de vista religioso muitas vezes se coloca no caminho de inovações importantes que melhoram a vida das pessoas. Sem a iluminação do ceticismo, ainda acreditaríamos que a Terra é o centro do universo, que os deuses moram em morros muito altos, que o Sol e a Lua são deuses etc., etc.

Sem o ceticismo, a medicina ainda seria incipiente e mais gente morreria. Estaríamos isolados até hoje, vivendo em pequenas comunidades, não seríamos capazes de trocar conhecimentos e a solução criada por uma pessoa na Austrália jamais seria útil para outra na África. Todos os grandes saltos técnicos e tecnológicos foram motivo de questionamentos vindo dos setores religiosos. Na enorme maioria dos casos, esses questionamentos só serviram para atrasar a evolução tecnológica e tirar mais vidas.

Veja bem, um mundo cético não é um mundo desumano. Isso é (mais) uma falácia. Uma daquelas frases fáceis ditas pra colar no seu senso comum. Pessoas céticas não deixam de se preocupar com a humanidade nem com seus semelhantes. Elas apenas não usam um fiador religioso como desculpa para fazer o bem. Elas fazem porque é certo. Simples assim. Da mesma forma, ceticismo não é garantia de bondade, de abnegação. Ora bolas, mas religiosidade, nós já cansamos de ver, também não é.

Assim, se você apenas simpatiza com o olhar cético do mundo, recomendo que leia:

1. O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan – Uma verdadeira carta de amor ao ceticiscmo, escrita por um homem que estava morrendo de leucemia.

2. O Gene Egoísta, de Richard Dawkins – Entenda a evolução, por favor. Assim você se liberta da falácia do design inteligente de uma vez por todas. E olha que o livro tem mais de 30 anos…

3. Deus, Um Delírio, de Richard Dawkins – Esse é mais direto. Vai direto ao ponto da “pregação” dos novos ateus.

4. Mind Wide Open, de Steven Johnson – Enxergue o cérebro de uma forma diferente. Entenda o que está acontecendo dentro da sua caixola e esqueça as bobagens que dizem por aí

5. Quebrando o Encanto, de Daniel C. Dennett – Por que a gente tende a procurar explicações no divino?

6. Letter to a Christian Nation, do Sam Harris – Outro expoente dos novos ateus. É curtinho e direto.

7. O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger – Ler um livro bom é importante. Sendo ateu ou não.

Faltou algum livro aqui? Diz aí.

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